{"id":3976,"date":"2013-12-02T23:00:00","date_gmt":"2013-12-02T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-laboral-lisboa-oporto-responsabilidade-dividas-condominio","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/advogados-laboral-lisboa-oporto-responsabilidade-dividas-condominio\/","title":{"rendered":"Da responsabilidade por d\u00edvidas ao condom\u00ednio na aquisi\u00e7\u00e3o\/aliena\u00e7\u00e3o de frac\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas"},"content":{"rendered":"<p>O tema aqui abordado consiste em apurar quem ser&aacute; respons&aacute;vel pelo pagamento de d&iacute;vidas referentes a comparticipa&ccedil;&otilde;es para encargos de conserva&ccedil;&atilde;o e frui&ccedil;&atilde;o das partes comuns do edif&iacute;cio, vencidas quando a frac&ccedil;&atilde;o ainda era propriedade dos alienantes e, concomitantemente, quem ir&aacute; figurar no requerimento executivo como executado: os anteriores propriet&aacute;rios, alienantes, ou o actual, adquirente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presente tema est&aacute; inserido no &acirc;mbito das denominadas obriga&ccedil;&otilde;es reais, ob rem ou propter rem, que se definem como v&iacute;nculos jur&iacute;dicos em virtude dos quais uma pessoa, na qualidade de titular de um direito real, fica adstrita para com outra &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma presta&ccedil;&atilde;o. Contrariamente ao que acontece com as obriga&ccedil;&otilde;es de origem contratual ou delitual, em que o sujeito passivo do v&iacute;nculo ser&aacute;, respectivamente, a pessoa que assumiu, por neg&oacute;cio jur&iacute;dico, o dever de realizar determinada presta&ccedil;&atilde;o ou a pessoa a quem a lei imputa determinadas consequ&ecirc;ncias do facto il&iacute;cito danoso, nas obriga&ccedil;&otilde;es propter rem o sujeito passivo determina-se por refer&ecirc;ncia a um direito real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente &agrave; quest&atilde;o de saber a quem deve a Administra&ccedil;&atilde;o do Condom&iacute;nio exigir o pagamento de d&iacute;vidas para com o Condom&iacute;nio, em caso de aliena&ccedil;&atilde;o, h&aacute; quem defenda i) a responsabiliza&ccedil;&atilde;o do actual propriet&aacute;rio pelas d&iacute;vidas para com o condom&iacute;nio, vencidas anteriormente &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o ou propriedade (tese da ambulatoriedade): em caso de venda da frac&ccedil;&atilde;o, as d&iacute;vidas ao condom&iacute;nio acompanham a frac&ccedil;&atilde;o e passam a ser da responsabilidade do novo propriet&aacute;rio, mesmo que este as desconhecesse aquando da compra, operando-se, aqui, uma verdadeira sucess&atilde;o na d&iacute;vida; ii) h&aacute; ainda quem defenda a exig&ecirc;ncia, pela Administra&ccedil;&atilde;o do Condom&iacute;nio, do pagamento das d&iacute;vidas para com o Condom&iacute;nio, ao cond&oacute;mino-propriet&aacute;rio aquando do vencimento das mesmas (tese da n&atilde;o ambulatoriedade): as d&iacute;vidas de condom&iacute;nio deixam de ser ambulat&oacute;rias ap&oacute;s a sua constitui&ccedil;&atilde;o, porque n&atilde;o radicam na frac&ccedil;&atilde;o, mas sim em certa pessoa, pelo que ganham autonomia em rela&ccedil;&atilde;o ao direito real de que s&atilde;o conexas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defendemos uma posi&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia &agrave;s atr&aacute;s enunciadas (tese da ambulatoriedade n&atilde;o plena), nos termos da qual, por um lado, o novo cond&oacute;mino, ao adquirir a respectiva frac&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o fica automaticamente sujeito &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o de pagar as eventuais despesas do condom&iacute;nio ou de conserva&ccedil;&atilde;o e frui&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel em d&iacute;vida, apenas respondendo pelas obriga&ccedil;&otilde;es que se ven&ccedil;am ap&oacute;s a sua investidura na qualidade de cond&oacute;mino, dado tratar-se de obriga&ccedil;&otilde;es propter rem n&atilde;o ambulat&oacute;rias, em que a pessoa do obrigado se determina por refer&ecirc;ncia a um direito real, o que implica que, na grande maioria das vezes, o respons&aacute;vel pelo pagamento da d&iacute;vida seja o propriet&aacute;rio que assistiu ao seu surgimento e que dela beneficiou. Isto justifica-se, pois est&atilde;o em causa presta&ccedil;&otilde;es destinadas a custear despesas habituais originadas pela utiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os ou pelo consumo de bens necess&aacute;rios a assegurar a funcionalidade normal do condom&iacute;nio, pelo que seria injusto faz&ecirc;-las recair sobre o adquirente da frac&ccedil;&atilde;o, uma vez que este n&atilde;o disp&otilde;e de quaisquer elementos objectivos que revelem ou indiciem a exist&ecirc;ncia dessas d&iacute;vidas e, por outro lado, tais despesas representam, em regra, a contrapartida de um uso ou frui&ccedil;&atilde;o das partes comuns do edif&iacute;cio que aproveitaram ao alienante a quem, por conseguinte, deve competir o respectivo pagamento. Por outro lado, perante o caso de, entre a delibera&ccedil;&atilde;o de realizar as obras e a conclus&atilde;o da respectiva empreitada, mas antes de determinado cond&oacute;mino pagar a parte que lhe compete, proceder este &agrave; aliena&ccedil;&atilde;o da sua frac&ccedil;&atilde;o, salvo acordo em contr&aacute;rio entre vendedor e comprador ou compromisso do vendedor, ser&aacute; o novo cond&oacute;mino o respons&aacute;vel pelo pagamento da parte do pre&ccedil;o imputado &agrave; frac&ccedil;&atilde;o em causa, dado que se considera que n&atilde;o faz sentido ser o alienante o respons&aacute;vel pela d&iacute;vida, pois n&atilde;o retira dela qualquer contrapartida, em virtude de ter deixado de usufruir do gozo do pr&eacute;dio.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-3976","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/3976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3976"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=3976"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=3976"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=3976"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=3976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}