{"id":3988,"date":"2014-03-26T23:00:00","date_gmt":"2014-03-26T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-processual-arbitragem-lisboa-porto-direito-meacao-apreensao-processo-insolvencia","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/advogados-processual-arbitragem-lisboa-porto-direito-meacao-apreensao-processo-insolvencia\/","title":{"rendered":"O direito \u00e0 mea\u00e7\u00e3o (Apreens\u00e3o em processo de insolv\u00eancia)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Est&aacute; definido na nossa ordem jur&iacute;dica &ndash; C&oacute;digo Civil, Cap&iacute;tulo IX, Sec&ccedil;&atilde;o IV, Artigos 1717&ordm; e seguintes &ndash; que os bens integradores da comunh&atilde;o, da qual resulta o direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o os definidos e na medida a&iacute; determinada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova ordem econ&oacute;mica e social tem, de forma acelerada, trazido aos neg&oacute;cios jur&iacute;dicos &ldquo;press&otilde;es&rdquo; para que o legislador crie normas que se adaptem &agrave; realidade econ&oacute;mica, social e cultural atual, de modo a agilizar procedimentos que, sem por em causa o direito, tornem a atividade comercial mais eficaz e competitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, neste sentido, t&ecirc;m vindo a ser elaboradas normas em massa que, para l&aacute; do m&eacute;rito e da inten&ccedil;&atilde;o do fim a que se destinam, nem sempre se articulam bem dentro do direito e, por vezes, geram mais conflitos do que solu&ccedil;&otilde;es equitativas (justas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o se pretende com esta nota, elencar os pr&oacute;s e os contras de algumas dessas normas, j&aacute; que, sejam elas o que forem, sempre foram, s&atilde;o e ser&atilde;o objeto de correntes de opini&atilde;o quer a favor, quer contra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, neste pequeno texto destinado &agrave; reflex&atilde;o, apenas ousamos tecer algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre como trabalhar com as normas que regulam a apreens&atilde;o do direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o em processo de insolv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H&aacute;, atualmente, uma &ldquo;corrida&rdquo; de pessoas singulares aos tribunais para que estes verifiquem da sua incapacidade econ&oacute;mica e patrimonial em solver as obriga&ccedil;&otilde;es que assumiram e, deste modo, &ldquo;for&ccedil;arem&rdquo; os seus credores a aceitar um processo onde aqueles s&atilde;o declarados insolventes ficando estes sujeitos a cobrar os seus cr&eacute;ditos apenas e na medida em que o ativo responda pelo passivo, de forma rateada, salvaguardados os cr&eacute;ditos que t&ecirc;m direito a ser graduados preferencialmente, uns em rela&ccedil;&atilde;o aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o raros s&atilde;o os casos em que &eacute; decretada a insolv&ecirc;ncia de (apenas) um dos c&ocirc;njuges, mormente quando tal resulta de obriga&ccedil;&otilde;es pessoais deste e que n&atilde;o afetem o outro c&ocirc;njuge &ndash; casos, entre outros, de avales pessoais ou fian&ccedil;as dadas pelo insolvente a favor de terceiro &ndash; e na qual &eacute; determinado que seja apreendido o direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o do c&ocirc;njuge insolvente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para efeito pr&aacute;tico de racioc&iacute;nio, vamos considerar um caso em que, no direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o, se inclui um bem im&oacute;vel adquirido por um casal, com recurso a financiamento banc&aacute;rio e, por isso, onerado com hipoteca volunt&aacute;ria, devidamente registada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Banco, como credor hipotec&aacute;rio, produz e apresenta reclama&ccedil;&atilde;o do seu cr&eacute;dito sobre o insolvente, garantido pela hipoteca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recebida e analisada a reclama&ccedil;&atilde;o antes dita, o tribunal, atento a que o que foi apreendido foi o direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o o im&oacute;vel, reconhece o cr&eacute;dito do reclamante e gradua-o como comum, por n&atilde;o haver garantia real sobre o direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um tal procedimento (apreens&atilde;o do direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o) &ndash; com o qual n&atilde;o concordamos mas temos de lidar &ndash; entra-se numa situa&ccedil;&atilde;o que, a nosso ver, gera menos valia na realiza&ccedil;&atilde;o de valores para pagar aos credores do insolvente porquanto, nunca (ou raramente) aparecem interessados em adquirir o direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o do insolvente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, ainda a nosso ver, o &uacute;nico interessado nessa aquisi&ccedil;&atilde;o &eacute; o outro c&ocirc;njuge e este, geralmente, nunca tem capacidade econ&oacute;mica para adquirir esse direito pelo justo valor o qual, na maior parte das vezes &eacute; vendido por qualquer pre&ccedil;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos, por isso, que, o ato de apreens&atilde;o do direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o em processo de insolv&ecirc;ncia, s&oacute; deveria ser admitido, se paralelamente se operar a divis&atilde;o de coisa comum, num procedimento que deveria\/poderia ocorrer por apenso ao processo de insolv&ecirc;ncia para possibilitar que a massa insolvente pudesse acompanhar e exercer o direito ao contradit&oacute;rio naquela inst&acirc;ncia e, s&oacute; ap&oacute;s isso, ser determinada a venda do apurado em concreto patrim&oacute;nio do insolvente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito embora se nos afigure que o antes dito &eacute; algo que melhor pode acautelar o interesse dos credores comuns, j&aacute; tanto n&atilde;o diremos quanto ao interesse do credor hipotec&aacute;rio. Isto porque se na mea&ccedil;&atilde;o, o im&oacute;vel sobre o qual incide a hipoteca, fica a pertencer, por exemplo, na propor&ccedil;&atilde;o de metade para cada um dos c&ocirc;njuges, o que &eacute; vendido &eacute; o direito a metade do insolvente nesse im&oacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pergunta-se:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem &eacute; que tem interesse numa tal aquisi&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E havendo interessados, no direito a metade, o pre&ccedil;o &eacute; justo, i.e. corresponde a metade do valor total do im&oacute;vel se, como tal, fosse vendido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se, num momento posterior, o outro c&ocirc;njuge entra numa situa&ccedil;&atilde;o de insolv&ecirc;ncia semelhante e o seu direito &agrave; outra metade &eacute;, como tal, posto &agrave; venda?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quaisquer que sejam as respostas, certamente n&atilde;o satisfazem o interesse do credor hipotec&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem sabemos que a totalidade do im&oacute;vel &eacute; sempre garantia do credor hipotec&aacute;rio. Contudo, nem sempre (e nestes casos &eacute; pr&aacute;tica comum), se realiza o justo valor do im&oacute;vel para responder pela garantia, facto que determina perda de garantia para o credor hipotec&aacute;rio, quantas vezes for&ccedil;ado a adquirir essas metades para garantir o seu cr&eacute;dito, muito embora a sua fun&ccedil;&atilde;o na economia seja outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto, claro, porque esta realidade jur&iacute;dica existe e, muito embora se ganhe em tornar o com&eacute;rcio competitivo, perde-se em termos de seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, a nosso ver num ganho e perda mais inclinado para esta &uacute;ltima, com aproveitamento por parte de expeditos sempre atentos a obter ganhos desequilibrados com repercuss&otilde;es na justa distribui&ccedil;&atilde;o dos custos sociais a que todos estamos obrigados a contribuir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compete-nos, por isso, estar atentos a estas quest&otilde;es, estud&aacute;-las e combate-las naquilo que a raz&atilde;o nos imp&otilde;e que se fa&ccedil;a, tentando moldar ajustadamente o direito a essa raz&atilde;o, com vista a minimizar os atropelos e graves preju&iacute;zos que uma tal situa&ccedil;&atilde;o, direta ou indiretamente, a todos afeta.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-3988","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/3988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3988"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=3988"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=3988"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=3988"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=3988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}