{"id":4001,"date":"2014-06-19T22:00:00","date_gmt":"2014-06-19T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-hipoteca-voluntaria-direito-sequela-impugnacao-pauliana-lisboa-porto-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/advogados-hipoteca-voluntaria-direito-sequela-impugnacao-pauliana-lisboa-porto-portugal\/","title":{"rendered":"Hipoteca volunt\u00e1ria \u2013 Direito de sequela &#8211; Impugna\u00e7\u00e3o pauliana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; consabido que, inscrita hipoteca volunt&aacute;ria sobre im&oacute;vel, em virtude da celebra&ccedil;&atilde;o de contrato de m&uacute;tuo com hipoteca, o im&oacute;vel fica a garantir o pontual cumprimento do financiado, em conformidade com a obriga&ccedil;&atilde;o assumida, independentemente do titular inscrito ser ou n&atilde;o o sujeito da obriga&ccedil;&atilde;o, no presente e\/ou no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o raros s&atilde;o os casos em que determinado im&oacute;vel tem inscrita garantia real de hipoteca para garantia do cumprimento de obriga&ccedil;&otilde;es de pessoa diversa do titular inscrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre outros casos, centremo-nos naquele que adv&eacute;m da aquisi&ccedil;&atilde;o, por compra, de um im&oacute;vel nas condi&ccedil;&otilde;es antes referidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para melhor ilustrar o nosso pensamento sobre uma tal situa&ccedil;&atilde;o vamos recorrer ao seguinte caso pr&aacute;tico:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\"><strong>1.<\/strong> A, sem o consentimento do credor hipotec&aacute;rio, vendeu a B um im&oacute;vel sobre o qual se encontra inscrita hipoteca volunt&aacute;ria para garantia do cumprimento de uma obriga&ccedil;&atilde;o de X, emergente de contrato de m&uacute;tuo com hipoteca, no qual A interveio apenas para autorizar a constitui&ccedil;&atilde;o desse &oacute;nus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\"><strong>2.<\/strong> Porque A tem d&iacute;vidas e n&atilde;o tem quaisquer outros bens que respondam pela obriga&ccedil;&atilde;o delas decorrentes, leva a que o seu credor C, instaure contra A e B, uma a&ccedil;&atilde;o de impugna&ccedil;&atilde;o pauliana na qual obt&eacute;m decis&atilde;o favor&aacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\"><strong>3.<\/strong> Consequentemente, o im&oacute;vel mant&eacute;m-se na esfera jur&iacute;dica de B muito embora responda pela d&iacute;vida de A apenas em rea&ccedil;&atilde;o a C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\"><strong>4.<\/strong> Em sede de execu&ccedil;&atilde;o C, requer, obt&eacute;m e regista a penhora do im&oacute;vel, por obedi&ecirc;ncia ao decidido na a&ccedil;&atilde;o de impugna&ccedil;&atilde;o pauliana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\"><strong>5.<\/strong> Segue-se a cita&ccedil;&atilde;o dos credores inscritos que gozem de garantia real sobre o bem penhorado, como &eacute; o caso do mutu&aacute;rio que det&eacute;m registo de hipoteca volunt&aacute;ria a seu favor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\"><strong>6.<\/strong> O mutu&aacute;rio, mesmo que o contrato de m&uacute;tuo esteja a ser pontualmente cumprido, elabora e apresenta a competente reclama&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos para se assegurar que, do produto da venda do bem penhorado, o qual &eacute; garantia do cumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es futuras, obt&eacute;m o pagamento destas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\"><strong>7.<\/strong> O Tribunal, n&atilde;o obstante haver admitido a reclama&ccedil;&atilde;o, com o fundamento de que, em rela&ccedil;&atilde;o ao adquirente da fra&ccedil;&atilde;o penhorada, n&atilde;o disp&otilde;e de qualquer t&iacute;tulo exequ&iacute;vel nem alega deter sobre ele qualquer outro cr&eacute;dito, atento os efeitos da impugna&ccedil;&atilde;o pauliana que apenas aproveitam ao credor que a tenha requerido &ndash; n.&ordm; 4 do artigo 616&ordm; do C&oacute;digo Civil &ndash; n&atilde;o reconhece o direito de cr&eacute;dito do reclamante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surge, assim, uma aparente situa&ccedil;&atilde;o por meio da qual se tornaria ineficaz um direito real de garantia, assegurado pelo registo &ndash; direito de sequela &ndash; atento a que, n&atilde;o sendo admitida a reclama&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos como antes se refere e sendo o im&oacute;vel vendido na execu&ccedil;&atilde;o instaurada por C, isso tem como consequ&ecirc;ncia a transmiss&atilde;o do bem para o comprador, sendo mandados cancelar os direitos de garantia que o oneram, nos termos do disposto no n.&ordm; 2 do artigo 824&ordm; do C&oacute;digo Civil, extinguindo-se a inscri&ccedil;&atilde;o de hipoteca a favor do mutuante e que &eacute; a sua garantia real da cobran&ccedil;a do seu cr&eacute;dito, pelo produto da venda do bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma tal situa&ccedil;&atilde;o compromete gravemente a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica do com&eacute;rcio, na medida em que, n&atilde;o faltaria &ldquo;habilidade&rdquo; e &ldquo;engenho&rdquo; para lesar os mutuantes de boa-f&eacute; no exerc&iacute;cio da sua atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque entendemos que &ndash; pese embora a argumenta&ccedil;&atilde;o do Tribunal para a n&atilde;o admiss&atilde;o do cr&eacute;dito do reclamante &ndash; neste tipo de atos, um tal entendimento n&atilde;o pode ser aceite nem fazer doutrina, temos o dever de tentar demonstrar que, decis&otilde;es como a referida, degradam a economia e a justi&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imp&otilde;e-se, por isso, que em casos semelhantes ao ora descrito, se tenha de atuar pronta e eficazmente, com o cuidado adequado a garantir o direito que ao mutu&aacute;rio lhe adv&eacute;m da garantia real inscrita sobre o im&oacute;vel penhorado, caminhos que temos percorrido fazendo apelo ao direito de sequela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Real&ccedil;amos, com humildade, o &ecirc;xito total que, em casos semelhantes, at&eacute; agora obtivemos, conseguindo argumentar convincentemente de que o direito de sequela se tem de sobrepor ao disposto no n.&ordm; 4 do artigo 616&ordm; do C&oacute;digo Civil.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4001","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4001"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4001"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4001"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4001"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}