{"id":4034,"date":"2015-02-02T23:00:00","date_gmt":"2015-02-02T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-supervisao-seguros-lisboa-porto-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/advogados-supervisao-seguros-lisboa-porto-portugal\/","title":{"rendered":"Do ISP \u00e0 ASF: mais do que uma mera redenomina\u00e7\u00e3o na supervis\u00e3o dos Seguros?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tN&atilde;o passou despercebido ao<br \/>\n\t a entrada em vigor no passado dia 01 de Fevereiro de 2015, do Decreto-Lei<br \/>\n\t1\/2015, de 06 de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este diploma que tem por objeto (i) redenominar o &ldquo;Instituto de Seguros de Portugal&rdquo;, que passa a &ldquo;Autoridade de Supervis&atilde;o de Seguros e Fundos de Pens&otilde;es&rdquo; (abreviadamente &ldquo;ASF&rdquo;) e (ii) aprovar os seus<br \/>\n\trespetivos estatutos, em conformidade com o disposto na Lei n.&ordm;67\/2013, de 28 de agosto (lei-quadro das entidades administrativas independentes com fun&ccedil;&otilde;es de regula&ccedil;&atilde;o da atividade econ&oacute;mica dos setores privado,<br \/>\n\tp&uacute;blico e cooperativo, doravante &ldquo;LQEAR&rdquo;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O DL 1\/2015 chega de resto com algum atraso pois a LQEAR, um diploma de Agosto de 2014, exigia a adapta&ccedil;&atilde;o dos estatutos das entidades reguladoras j&aacute; existentes &agrave; nova regulamenta&ccedil;&atilde;o no prazo de 90 dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como for, as altera&ccedil;&otilde;es mais relevantes introduzidas pelo presente diploma em face do que estatu&iacute;a o Estatuto do ISP (DL 289\/2001), centram-se no regime jur&iacute;dico base aplic&aacute;vel e no acentuar das caracter&iacute;sticas<br \/>\n\tde independ&ecirc;ncia (org&acirc;nica, operacional e financeira) da ASF.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A LQEAR, que est&aacute; na g&eacute;nese do DL 1\/2015, &eacute; um documento importante pois vem harmonizar algo que andava espalhado por entre os diversos Estatutos das v&aacute;rias Entidades Reguladoras j&aacute; existentes (uma contagem que encontr&aacute;mos<br \/>\n\treferia-se a nada mais nada menos do que 17 Entidades Reguladoras em Portugal).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A LQEAR foi de resto uma exig&ecirc;ncia do Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Pol&iacute;tica Econ&oacute;mica celebrado entre Portugal e a Troika, destinada a obrigar o Governo dotar as Autoridades Reguladoras nacionais da independ&ecirc;ncia<br \/>\n\te recursos necess&aacute;rios ao exerc&iacute;cio das suas responsabilidades estatut&aacute;rias, pelo que havia que respeitar a sua natureza de &ldquo;entidades administrativas independentes&rdquo; de tal modo que o seu estatuto de independ&ecirc;ncia<br \/>\n\tcumprisse cinco requisitos essenciais: 1) autonomia administrativa e financeira; 2) autonomia de gest&atilde;o; 3) independ&ecirc;ncia org&acirc;nica, funcional e t&eacute;cnica; 4) &oacute;rg&atilde;os, servi&ccedil;os, pessoal e patrim&oacute;nio pr&oacute;prios;<br \/>\n\t5) titularidade de poderes de regulamenta&ccedil;&atilde;o, regula&ccedil;&atilde;o, supervis&atilde;o, fiscaliza&ccedil;&atilde;o e san&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estranha-se um pouco que se exija na LQEAR a adstri&ccedil;&atilde;o de cada entidade independente a um Minist&eacute;rio respons&aacute;vel (art.9&ordm;), quando a sua especificidade implica que entre estas e o Governo inexista qualquer v&iacute;nculo<br \/>\n\tde dire&ccedil;&atilde;o, superintend&ecirc;ncia ou tutela governamental, pelo que tal adstri&ccedil;&atilde;o se limitar&aacute; a interven&ccedil;&otilde;es fundamentalmente financeiras (art.45&ordm;). De resto , a consolida&ccedil;&atilde;o da sua<br \/>\n\tindepend&ecirc;ncia org&acirc;nica implica que o Governo n&atilde;o possa dirigir recomenda&ccedil;&otilde;es ou emitir diretivas ao conselho de administra&ccedil;&atilde;o da ASF sobre a sua atividade reguladora, nem sobre as prioridades a adotar na<br \/>\n\trespetiva prossecu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; o refor&ccedil;o da independ&ecirc;ncia operacional da ASF se manifesta no novo regime de recrutamento e de dura&ccedil;&atilde;o do mandato dos membros do seu conselho de administra&ccedil;&atilde;o e no aprofundamento do sistema de incompatibilidades<br \/>\n\te impedimentos do pessoal afeto &agrave; ASF. Especificamente quanto aos seus membros do conselho de administra&ccedil;&atilde;o, a dura&ccedil;&atilde;o do mandato eleva-se a seis anos mas, em contrapartida, deixa de ser renov&aacute;vel, sendo de seis<br \/>\n\tanos o per&iacute;odo de impedimento de nova designa&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s cessa&ccedil;&atilde;o do mandato anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por for&ccedil;a da nova arquitetura institucional da supervis&atilde;o financeira ao n&iacute;vel da Uni&atilde;o Europeia foram introduzidos alguns ajustamentos pontuais no Estatuto da ASF, tendentes a reconhecer a atribui&ccedil;&atilde;o e compet&ecirc;ncias<br \/>\n\tassociadas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o desta no Sistema Europeu de Supervis&atilde;o Financeira (integrando, designadamente, o Comit&eacute; Europeu do Risco Sist&eacute;mico e a Autoridade Europeia dos Seguros e Pens&otilde;es Complementares<br \/>\n\tde Reforma), um novo enquadramento europeu que importou refletir nos estatutos da ASF e que exige, para al&eacute;m do papel que as autoridades de supervis&atilde;o nacionais desempenham na rede integrada a n&iacute;vel da EU, que estas (i) intervenham<br \/>\n\tdiretamente no &oacute;rg&atilde;o de dire&ccedil;&atilde;o das Autoridades Europeias de Supervis&atilde;o (&ldquo;Conselho de Supervisores&rdquo;) e (ii) participem nos trabalhos dos comit&eacute;s e estruturas criadas no &acirc;mbito destas autoridades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; quanto &agrave; arquitetura nacional da supervis&atilde;o financeira, um elemento determinante da especificidade estatut&aacute;ria da ASF resulta igualmente do seu enquadramento nacional em mat&eacute;ria de supervis&atilde;o financeira, com<br \/>\n\tum elevado grau de integra&ccedil;&atilde;o e interdepend&ecirc;ncia entre os subsetores financeiros e respetiva supervis&atilde;o, cuja coordena&ccedil;&atilde;o se processa no &acirc;mbito do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF), onde<br \/>\n\tresto o ISP j&aacute; vinha participando juntado com o Banco de Portugal e a CMVM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas dimens&otilde;es europeias e nacionais do papel da ASF v&ecirc;m dar maior efic&aacute;cia ao modelo institucional de supervis&atilde;o financeira, o que est&aacute; dependente da possibilidade de os supervisores participarem nesse sistema numa<br \/>\n\tsitua&ccedil;&atilde;o de paridade entre si e com os seus cong&eacute;neres no que respeita ao seu grau de independ&ecirc;ncia e condi&ccedil;&otilde;es de efici&ecirc;ncia e flexibilidade de gest&atilde;o dos seus recursos, o que norteou no DL 1\/2015<br \/>\n\ta fixa&ccedil;&atilde;o de regras especificamente destinadas a acautelar essa paridade, num claro &ldquo;empowerment&rdquo; da ASF.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que toca ao seu regime legal, enquanto submetida &agrave; LQEAR, a nova ASF fica juridicamente submetida aos diplomas fundamentais da atividade administrativa: o (novo) C&oacute;digo do Procedimento Administrativo, as leis do contencioso administrativo<br \/>\n\t(CPTA), regime da contrata&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (CCP) e regime da responsabilidade civil do Estado. Adicionalmente, e no mais que lhe seja espec&iacute;fico, a ASF passa a reger-se ainda, al&eacute;m do disposto na LQEAR, pelo disposto na<br \/>\n\tlegisla&ccedil;&atilde;o setorial e pelo Direito da Uni&atilde;o Europeia aplic&aacute;veis, pelos respetivos estatutos e regulamentos internos (a aplica&ccedil;&atilde;o supletiva do regime jur&iacute;dico das entidades p&uacute;blicas empresariais<br \/>\n\tfica reservada e limitada &agrave; gest&atilde;o financeira e patrimonial da ASF).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mudou o nome mas mais ter&aacute; de mudar. De resto a rea&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria entidade administrativa em causa n&atilde;o se fez esperar e promete &agrave; ASF um futuro auspicioso:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&ldquo;Durante mais tempo do que desej&aacute;vamos, cumprimos a nossa miss&atilde;o envergando um nome que n&atilde;o nos fazia justi&ccedil;a e em que n&atilde;o nos rev&iacute;amos. Ao come&ccedil;ar por &ldquo;Instituto&rdquo;, o nome que agora deixamos para tr&aacute;s (&hellip;) ambicion&aacute;vamos h&aacute; muito um nome que mostrasse melhor o que verdadeiramente nos ocupa e a import&acirc;ncia que de facto temos na supervis&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o da atividade seguradora e de fundos de pens&otilde;es. (&hellip;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mas n&atilde;o basta mudar de nome. Porque um bom nome n&atilde;o faz necessariamente uma boa pr&aacute;tica. Todos sabemos que n&atilde;o faltam exemplos de bons nomes estragados pela associa&ccedil;&atilde;o a m&aacute;s pr&aacute;ticas. Na verdade, &eacute; precisamente ao contr&aacute;rio: s&atilde;o as boas pr&aacute;ticas que sustentam e refor&ccedil;am os bons nomes. (&hellip;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Temos de come&ccedil;ar por ter consci&ecirc;ncia de que cada ato praticado sob a designa&ccedil;&atilde;o que hoje adotamos marcar&aacute; de forma indel&eacute;vel o nosso nome. Temos de lembr&aacute;-lo em cada dia de trabalho. E devemos escolher, em cada dia, cunhar a designa&ccedil;&atilde;o ASF com uma atua&ccedil;&atilde;o exemplar, orientada pelos valores que representamos e defendemos. S&oacute; assim conseguiremos que o nosso nome seja, para todos os Portugueses, sin&oacute;nimo claro de compet&ecirc;ncia, isen&ccedil;&atilde;o e confian&ccedil;a.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Excerto da interven&ccedil;&atilde;o do Presidente da ASF, na reuni&atilde;o de colaboradores que assinalou a redenomina&ccedil;&atilde;o da &ldquo;Autoridade de Supervis&atilde;o&rdquo;, realizada em Lisboa, aos 30 de janeiro de 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; de aplaudir o salto qualitativo que se espera da supervis&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o no setor segurador, cuja fasquia foi colocada bem alta pelo trabalho que o ISP veio desenvolvendo at&eacute; agora e que caber&aacute; &agrave; ASF honrar<br \/>\n\te elevar tais pergaminhos ainda mais alto, ainda mais longe. Esperamos testemunhar de perto essa melhoria e evolu&ccedil;&atilde;o da supervis&atilde;o na nossa atividade di&aacute;ria de advogados com pr&aacute;tica especializada em mat&eacute;ria de<br \/>\n\tseguros e media&ccedil;&atilde;o de seguros.<\/p>\n<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4034","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4034"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4034"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4034"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4034"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}