{"id":4158,"date":"2017-02-05T23:00:00","date_gmt":"2017-02-05T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-indemnizacao-acidentes-viacao","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/advogados-indemnizacao-acidentes-viacao\/","title":{"rendered":"A (in)admissibilidade da indemniza\u00e7\u00e3o pela mera priva\u00e7\u00e3o do uso \u2013 o caso espec\u00edfico dos acidentes de via\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tQuotidianamente ocorrem eventos dos quais resulta para o interessado a priva&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria do gozo e frui&ccedil;&atilde;o de um bem que<br \/>\n\tlhe pertence ou sobre o qual tem poder de frui&ccedil;&atilde;o, pelo que, interessa compreender se uma les&atilde;o desta natureza, confere, ou n&atilde;o, ao lesado o direito a obter uma compensa&ccedil;&atilde;o pelo dano sofrido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja-se o exemplo recorrente, emergente dos acidentes de via&ccedil;&atilde;o, em que, por via de um sinistro, um determinado sujeito pode ficar privado do uso e da frui&ccedil;&atilde;o do ve&iacute;culo de que seja propriet&aacute;rio, por exemplo,<br \/>\n\tdurante o per&iacute;odo da sua repara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O entendimento da jurisprud&ecirc;ncia nacional reflete fundamentalmente as seguintes posi&ccedil;&otilde;es sobre a quest&atilde;o da ressarcibilidade da priva&ccedil;&atilde;o do uso de autom&oacute;vel:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">1) Exig&ecirc;ncia da prova da exist&ecirc;ncia efetiva de preju&iacute;zos de ordem patrimonial;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">2) Reconhecimento do direito de indemniza&ccedil;&atilde;o com fundamento na simples priva&ccedil;&atilde;o do uso normal do bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a primeira posi&ccedil;&atilde;o, incumbir&aacute; ao lesado demonstrar uma efetiva perda de receitas que os bens poderiam proporcionar ou um acr&eacute;scimo de despesas motivado pela priva&ccedil;&atilde;o do uso, isto &eacute;:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; Na perspetiva de danos emergentes, aqueles derivados da utiliza&ccedil;&atilde;o mais onerosa de um meio de transporte alternativo, nomeadamente, o aluguer de outro ve&iacute;culo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; Na perspetiva dos lucros cessantes, aqueles que correspondem a perdas de rendimentos que o ve&iacute;culo acidentado propiciava, por exemplo, nas situa&ccedil;&otilde;es em que o ve&iacute;culo era afeto ao transporte de p&uacute;blico ou de carga,<br \/>\n\tou seja, em que existe uma utiliza&ccedil;&atilde;o lucrativa associada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pese embora esta teoria j&aacute; tenha ocupado o lugar predominante na jurisprud&ecirc;ncia, certo &eacute; que, a tend&ecirc;ncia inverteu-se, sendo cada vez comuns as decis&otilde;es que apontam para o reconhecimento do direito de indemniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tcom fundamento na simples priva&ccedil;&atilde;o do uso normal do bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este entendimento tem como assenta num crit&eacute;rio na normalidade, pelo qual se aduz que o propriet&aacute;rio de um ve&iacute;culo far&aacute; do mesmo uma utiliza&ccedil;&atilde;o normal, mais ou menos frequente, mais ou menos produtiva, mas que<br \/>\n\traramente lhe ser&aacute; indiferente a situa&ccedil;&atilde;o em que se v&ecirc; privado do seu uso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a indemniza&ccedil;&atilde;o pela priva&ccedil;&atilde;o do uso do ve&iacute;culo, visa a compensa&ccedil;&atilde;o de um dano que tem natureza n&atilde;o patrimonial e &eacute; fixada com base em ju&iacute;zos de equidade, que dever&atilde;o ter<br \/>\n\tem considera&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, a utiliza&ccedil;&atilde;o concretamente dada ao ve&iacute;culo pelo lesado, a redu&ccedil;&atilde;o das despesas que s&atilde;o habitualmente imputadas &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do ve&iacute;culo<br \/>\n\te que n&atilde;o ocorreram no per&iacute;odo da sua imobiliza&ccedil;&atilde;o ou ainda o facto de a fun&ccedil;&atilde;o normalmente desempenhada pelo ve&iacute;culo ter sido assegurada, sem inc&oacute;modos e sem despesas acrescidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para facilitar a tarefa de decis&atilde;o sobre esta mat&eacute;ria, os Tribunais comummente fixam a indemniza&ccedil;&atilde;o pelo dano da priva&ccedil;&atilde;o do uso considerando o custo do aluguer de uma viatura com caracter&iacute;sticas semelhantes<br \/>\n\t&agrave;quela titulada pelo lesado. No entanto, diga-se que, neste caso, dever&atilde;o sempre ser atendidas as despesas de explora&ccedil;&atilde;o da atividade e o lucro que a empresa retira do aluguer efetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, pese embora ao abrigo da posi&ccedil;&atilde;o dominante, o direito &agrave; indemniza&ccedil;&atilde;o pelo dano da priva&ccedil;&atilde;o do uso n&atilde;o dependa da demonstra&ccedil;&atilde;o de preju&iacute;zos concretos e efetivos na esfera<br \/>\n\tjur&iacute;dica do lesado, certo &eacute; que, &agrave; cautela, n&atilde;o dever&aacute; o lesado descorar a tarefa de invoca&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de danos decorrentes da priva&ccedil;&atilde;o do uso do ve&iacute;culo, com a alega&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde factos relevantes que permitam ao Tribunal, com recurso &agrave; equidade, fixar o montante indemnizat&oacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4158","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4158"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4158"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4158"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4158"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}