{"id":4172,"date":"2017-03-30T22:00:00","date_gmt":"2017-03-30T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-letras-livrancas-titulos-executivos","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/advogados-letras-livrancas-titulos-executivos\/","title":{"rendered":"Da validade das letras e livran\u00e7as prescritas como t\u00edtulo executivo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tEste m&ecirc;s o <strong><\/strong>\tda Belzuz Abogados S.L.P. &ndash; Sucursal em Portugal, vem falar acerca de um tema com o qual se depara frequentemente e que versa sobre a validade dos t&iacute;tulos de cr&eacute;dito ap&oacute;s a sua prescri&ccedil;&atilde;o para efeitos de instaura&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde a&ccedil;&atilde;o executiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os chamados t&iacute;tulos de cr&eacute;dito que aqui nos ocupamos &ndash; letras e livran&ccedil;as &ndash; s&atilde;o, de grosso modo, documentos emitidos quando se torna necess&aacute;rio o exerc&iacute;cio de um direito. Isto &eacute;, s&atilde;o<br \/>\n\tdocumentos associados &agrave; formaliza&ccedil;&atilde;o de uma qualquer obriga&ccedil;&atilde;o, normalmente contratos, que servem de garantia ao bom cumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es ai assumidas. Assim, quando se verifica uma situa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde incumprimento, s&atilde;o acionados os respetivos t&iacute;tulos de cr&eacute;dito, que servem de base ao processo executivo, e que servem como forma de pagamento, nomeadamente atrav&eacute;s de dilig&ecirc;ncias de penhora. Assim, quando se quer<br \/>\n\tintentar a ac&ccedil;&atilde;o executiva contra o devedor basta estar o requerimento executivo acompanhado do respetivo t&iacute;tulo e este considera-se suficiente para a admissibilidade da referida a&ccedil;&atilde;o, prosseguindo sem mais, sem que<br \/>\n\tse torne necess&aacute;rio efetuar qualquer indaga&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via sobre a real exist&ecirc;ncia do direito a que se refere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, tratando-se do exerc&iacute;cio de um direito, tamb&eacute;m os t&iacute;tulos de cr&eacute;dito est&atilde;o sujeitos a um prazo de prescri&ccedil;&atilde;o. Estando verificado este prazo &eacute; concedida a faculdade do benefici&aacute;rio<br \/>\n\trecusar o cumprimento da presta&ccedil;&atilde;o ou de se opor ao exerc&iacute;cio do direito prescrito, ou seja, no fundo a verifica&ccedil;&atilde;o deste prazo traduz-se numa forma de extin&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio t&iacute;tulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O referido prazo, para efeitos do direito de a&ccedil;&atilde;o, encontra-se ultrapassado quando desde a data de vencimento aposta no t&iacute;tulo at&eacute; &agrave; data da instaura&ccedil;&atilde;o do processo de execu&ccedil;&atilde;o decorreram<br \/>\n\tmais de:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Letras: 1 ano contra os endossantes e o sacador e 3 anos contra o aceitante e os avalistas (porque se entende que o avalista responde na mesma medida do subscritor);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livran&ccedil;as: 3 anos contra o aceitante e os avalistas (no mesmo sentido por se entender que avalista responde na mesma medida do subscritor).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes prazos levam, erradamente, a admitir que estando o t&iacute;tulo que prescrito nada mais haver&aacute; a fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucede que mesmo estando prescritos estes t&iacute;tulos de cr&eacute;dito podem ser v&aacute;lidos como t&iacute;tulo executivo. Quanto a isto n&atilde;o h&aacute; qualquer d&uacute;vida: a reforma de 2013 do C&oacute;digo de Processo Civil consagrou<br \/>\n\texpressamente na reda&ccedil;&atilde;o dada pelo artigo 703.&ordm; n.&ordm;1 al&iacute;nea c) que servem de base &agrave; execu&ccedil;&atilde;o os t&iacute;tulos de cr&eacute;dito, ainda que meros quir&oacute;grafos (documento escrito e assinado pelo<br \/>\n\tpr&oacute;prio punho do devedor de uma obriga&ccedil;&atilde;o), desde que, neste caso, os factos constitutivos da rela&ccedil;&atilde;o subjacente constem do pr&oacute;prio documento ou sejam alegados no requerimento executivo. Ou seja, a admissibilidade<br \/>\n\tdo t&iacute;tulo de cr&eacute;dito prescrito vai pressupor a exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o causal. O que significa isto? Extinta a rela&ccedil;&atilde;o cambi&aacute;ria &ndash; t&iacute;tulo de cr&eacute;dito &#8211; subsiste a rela&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tcausal ou subjacente que lhe deu origem &ndash; o contrato que foi causa da emiss&atilde;o e subscri&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo &#8211; e &eacute; com base na exist&ecirc;ncia de tal rela&ccedil;&atilde;o, que necessita de ser devidamente alegada no<br \/>\n\trequerimento, que se justifica atribuir ao documento a natureza de t&iacute;tulo executivo v&aacute;lido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto vale para os subscritores das letras e livran&ccedil;as, mas em rela&ccedil;&atilde;o aos avalistas o caso muda de figura. Poder-se-&aacute; executar um avalista com um t&iacute;tulo prescrito? Deve-se entender que n&atilde;o, desde logo pela<br \/>\n\tincompatibilidade do regime que se acaba de descrever e a natureza do aval. Porqu&ecirc;? Porque o aval n&atilde;o tem necessariamente uma rela&ccedil;&atilde;o subjacente que possa ser alegada. O aval constitui uma obriga&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma<br \/>\n\t(ao contr&aacute;rio do que vemos na fian&ccedil;a), &eacute; um tipo de vincula&ccedil;&atilde;o que se esgota no t&iacute;tulo cambi&aacute;rio pelo que da mera assinatura aposta no t&iacute;tulo n&atilde;o se pode presumir que existe uma obriga&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tna rela&ccedil;&atilde;o causal subjacente &agrave; respectiva emiss&atilde;o, a n&atilde;o ser que ela exista efetivamente e venha a ser provada. &ndash; cfr. Ac. do Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto, n.&ordm; 665\/13.3TBLSD-A.P1 de 26-05-2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos casos em que se d&aacute; entrada da a&ccedil;&atilde;o e o t&iacute;tulo vem a prescrever na pend&ecirc;ncia da mesma, n&atilde;o h&aacute; qualquer obje&ccedil;&atilde;o &agrave; validade do t&iacute;tulo, nem est&aacute; o exequente obrigado a<br \/>\n\tconcretizar a priori no requerimento executivo a rela&ccedil;&atilde;o subjacente &agrave; emiss&atilde;o do t&iacute;tulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De salientar que a prescri&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o cartular s&oacute; opera pelo decurso do prazo prescricional, seguida de manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade do devedor no sentido de que pretende prevalecer-se da prescri&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n\tIsto &eacute;, se o devedor n&atilde;o a invocar, n&atilde;o pode o Tribunal conhec&ecirc;-la oficiosamente, pelo que &eacute; como se a mesma n&atilde;o existisse na ordem jur&iacute;dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong style=\"text-align: justify;\"><\/strong>\tda Belzuz Abogados S.L.P. &ndash; Sucursal em Portugal, que conta com uma vasta equipa especializada nesta &aacute;rea, estar&aacute;, como sempre, ao dispor para aconselhar e acompanhar em de situa&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas, analisando a melhor<br \/>\n\tforma de interven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"class_list":["post-4172","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4172"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4172"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4172"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}