{"id":4184,"date":"2017-05-04T22:00:00","date_gmt":"2017-05-04T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-especialistas-contratos-lisboa-porto-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/advogados-especialistas-contratos-lisboa-porto-portugal\/","title":{"rendered":"A reserva de propriedade nos contratos de aliena\u00e7\u00e3o com financiamento ou a TROIKA contratual dos nossos dias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tEste m&ecirc;s o <strong><\/strong>\tda Belzuz Abogados, S.L.P. &ndash; Sucursal em Portugal lan&ccedil;a uma breve revis&atilde;o a um dos temas mais pol&eacute;micos no que tange &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o das garantias nos contratos de aliena&ccedil;&atilde;o com financiamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amplamente discutido na doutrina e na jurisprud&ecirc;ncia, o registo da reserva de propriedade pela entidade financiadora aquando da compra de um bem &eacute; hoje uma mat&eacute;ria sobejamente controvertida quanto &agrave; legitimidade para reservar.<br \/>\n\tA evolu&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio jur&iacute;dico tem obrigado o direito a adaptar-se &agrave; sua imagem como elemento regulador e ordenador das novas realidades emergidas, vinculadas em contratos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constitui&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es contratuais assenta numa liberdade contratual e autonomia das partes, versadas e positivadas nos termos do disposto no art.&ordm; 405.&ordm; do CC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest&atilde;o assume uma dimens&atilde;o preocupante no caso dos contratos de financiamento para compra a venda de bens, com especial relevo no sector autom&oacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv&eacute;s da chamada tradicional polariza&ccedil;&atilde;o bilateral: comprador e vendedor &#8211; surge agora uma terceira parte que financia o comprador na aquisi&ccedil;&atilde;o de um mediante a entrega do pre&ccedil;o ao vendedor e celebra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde um contrato de m&uacute;tuo com o comprador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa terceira parte &eacute; hoje legitimamente considerada um terceiro intermedi&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi atrav&eacute;s da transposi&ccedil;&atilde;o da Directiva Comunit&aacute;ria 2008\/48\/CE do Parlamento e Conselho Europeu de 23 de Abril, transposta para o Ordenamento Jur&iacute;dico Portugu&ecirc;s atrav&eacute;s do D.L. 133\/2009, de 2 de Junho que<br \/>\n\testa figura de intermedi&aacute;rio passou (pese embora j&aacute; aqui existente) a ser respeitosamente considerada como um terceiro elemento destes tipos de contratos sem o qual a rela&ccedil;&atilde;o comercial estabelecida entre o vendedor e o comprador<br \/>\n\tn&atilde;o existia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgem pois as rela&ccedil;&otilde;es contratuais desdobradas em tr&ecirc;s arestas: vendedor, financiador e comprador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem &eacute; vendido ao comprador. O comprador compra. O financiador entrega o valor do bem ao vendedor. E o comprador fica adstrito ao pagamento junto do financiador por for&ccedil;a da sua incapacidade econ&oacute;mica de liquidar a quantia numa vez<br \/>\n\ts&oacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil concluir que o financiador assume pois a posi&ccedil;&atilde;o mais fr&aacute;gil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jusante, o financiador corre o risco de n&atilde;o ser ressarcido pelo mutu&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A montante, o vendedor que vendeu o seu bem e recebe o pre&ccedil;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso de incumprimento o vendedor jamais ser&aacute; afetado ou, na g&iacute;ria popular, &ldquo;deixa de ser visto ou achado&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa mesma raz&atilde;o, &eacute; legitimo ao financiador reservar para si a propriedade do bem como garantia desse mesmo incumprimento, obstando a uma posi&ccedil;&atilde;o deveras mais fr&aacute;gil em compara&ccedil;&atilde;o com o vendedor e o<br \/>\n\tcomprador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, tal entendimento vai contra o preceituado previsto no disposto no art.&ordm; 409.&ordm; do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pese embora a express&atilde;o da letra da lei, n&atilde;o podemos desconsiderar a interpreta&ccedil;&atilde;o do seu espirito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A simplicidade com que a lei positiva a disposi&ccedil;&atilde;o sobre quem tem legitimidade para reservar n&atilde;o deve ser interpretada de uma forma literal, agarrada &agrave; pr&oacute;pria letra da lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Idos os tempos em que o juiz &eacute; apenas um mero boca de lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reserva de propriedade nasce da necessidade de garantir o cumprimento contratual de quem compra para, em caso de incumprimento, ser ressarcido pelo exercido do direito conferido pela reserva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura da reserva de propriedade faz sentido no contexto do contrato de m&uacute;tuo com o objetivo de financiar o contrato de compra e venda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensada para o vendedor, a reserva deixa de lhe aprouver quando, o mesmo (vendedor) &eacute; ressarcido em primeiro lugar pelo bem que vendeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; neste ponto que se d&aacute; a transla&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o de quem pode reservar a favor do financiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso contr&aacute;rio, o vendedor estaria numa posi&ccedil;&atilde;o bastante confort&aacute;vel e, o financiador, exposto aos riscos do pr&oacute;prio com&eacute;rcio jur&iacute;dico onde foi chamado a intervir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem prescindir, diga-se que, a transmiss&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o do direito foi negociada e querido pelas partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como registada pela Conservat&oacute;ria sem nunca se ter colocado o registo em quest&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nulidade da reserva de propriedade apenas tem sido suscitada pelos consumidores no caso dos incumprimentos levados a cabo pelos mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At&eacute; ent&atilde;o, ningu&eacute;m levantou o problema, nem t&atilde;o pouco a conservat&oacute;ria no momento do seu registo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reserva de propriedade a favor da entidade financiadora &eacute; um corol&aacute;rio da liberdade contratual e autonomia das partes nos termos do disposto no art.&ordm; 405.&ordm; do CC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m de corol&aacute;rio dessa Liberdade e Autonomia ela &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o e cumprimento em bom rigor do respeito e exerc&iacute;cio pr&aacute;tico da Teoria dos Contratos Mistos onde se chama &agrave; cola&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tv&aacute;rios elementos contratuais, juntos num s&oacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A possibilidade de reserva da propriedade assente no espirito da lei no disposto no art.&ordm; 409.&ordm; do CC incorpora a tout court uma perspectiva actualista dos contratos e assim progressiva que, e na esteira de Manuel de Andrade &ldquo;&#8230;n&atilde;o<br \/>\n\texp&otilde;e a certeza do direito a perigos sensivelmente maiores do que o princ&iacute;pio da objectividade, comunicando &agrave; lei mais plasticidade, e por isso tamb&eacute;m mais largas possibilidades de ir acompanhando o movimento das coisas&rdquo;<br \/>\n\tin &ldquo;Ensaio sobre a teoria da interpreta&ccedil;&atilde;o das leis&rdquo;, 4.&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o &ndash; Editor Sucessor, ano 1987, p&aacute;gs. 93 e 94.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os contratos de compra e venda com financiamento assumem-se atualmente como polos tripartidos mas de car&aacute;cter unit&aacute;rio, nos quais o objeto do contrato do mutuante &eacute; o elemento-pre&ccedil;o do contrato de compra e venda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, reconduzimos aquilo que tem vindo a ser defendido um pouco pela Jurisprud&ecirc;ncia de onde se partiu: a chamada conex&atilde;o &iacute;ntima entre um contrato de compra e venda e o contrato de financiamento, atrav&eacute;s de uma coliga&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tsi ne qua non para a produ&ccedil;&atilde;o de efeitos que, de outra forma, n&atilde;o seriam alcan&ccedil;ados nem, em bom rigor, celebrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, a par da jurisprud&ecirc;ncia j&aacute; relatada, n&atilde;o perfilhamos qualquer tese versada na ilegalidade ou nulidade subjacente &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o da reserva de propriedade pela financiador, uma vez que, &eacute; o mesmo<br \/>\n\tque financia e de certa forma liberta a hip&oacute;tese de ser contratualizado determinado bem, mas que, deve acautelar-se, garantido o bom e pontual cumprimento para em caso de incumprimento ser ressarcido, chamando a si o bem de que reservou a propriedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4184","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4184","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4184"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4184"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4184"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4184"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}