{"id":4331,"date":"2019-09-30T22:00:00","date_gmt":"2019-09-30T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"como-reagir-a-dissipacao-de-patrimonio-por-parte-do-devedor","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/como-reagir-a-dissipacao-de-patrimonio-por-parte-do-devedor\/","title":{"rendered":"Como reagir \u00e0 dissipa\u00e7\u00e3o de patrim\u00f3nio por parte do devedor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><\/strong> da Belzuz Abogados S.L.P. &ndash; Sucursal em Portugal aborda este m&ecirc;s uma problem&aacute;tica comum a v&aacute;rios credores quando se deparam com a <strong>dissipa&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio por parte do devedor<\/strong>, vendo-se impossibilitados de obter a satisfa&ccedil;&atilde;o os seus cr&eacute;ditos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo um problema recorrente n&atilde;o pode, naturalmente, o credor ficar lesado e sem possibilidade de rea&ccedil;&atilde;o, pelo que o legislador previu um instituto capaz de dar resposta e solucionar a situa&ccedil;&atilde;o: atrav&eacute;s da impugna&ccedil;&atilde;o pauliana o credor poder&aacute; evitar os preju&iacute;zos causados pela conduta do devedor e reverter os atos praticados pelo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O princ&iacute;pio geral da garantia das obriga&ccedil;&otilde;es determina que respondem pelas obriga&ccedil;&otilde;es todos os bens do devedor suscet&iacute;veis de penhora (art. 601&ordm; C.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, no momento do pedido de um cr&eacute;dito o credor atentar&aacute; aos bens existentes na esfera patrimonial do devedor, ponderando a sua concess&atilde;o ou recusa em face de tal situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que acontece se o devedor, ap&oacute;s a concess&atilde;o do cr&eacute;dito, inicia uma dissipa&ccedil;&atilde;o do seu patrim&oacute;nio tendo em vista fugir &agrave;s responsabilidades contra&iacute;das?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma a proteger a posi&ccedil;&atilde;o do credor quanto a eventuais altera&ccedil;&otilde;es na esfera patrimonial do devedor que se lhe revelem prejudiciais, a lei prev&ecirc; que os atos do devedor podem ser impugnados, atrav&eacute;s da denominada impugna&ccedil;&atilde;o pauliana, caso se verifiquem determinadas circunst&acirc;ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o artigo 610.&ordm; do C.C. determina que, para que seja poss&iacute;vel ao credor lan&ccedil;ar m&atilde;o daquele instituto ser&aacute; necess&aacute;rio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">1. Que os atos do devedor evolvam a diminui&ccedil;&atilde;o da garantia patrimonial do cr&eacute;dito, atrav&eacute;s do aumento do passivo ou diminui&ccedil;&atilde;o do ativo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">2. Que tais atos n&atilde;o sejam de natureza pessoal;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">3. Se o cr&eacute;dito for anterior ao ato em quest&atilde;o ou, sendo posterior, ter sido realizado dolosamente com o fim de impedir a satisfa&ccedil;&atilde;o do direito do futuro credor;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">4. Resultar do ato a impossibilidade de o credor obter a satisfa&ccedil;&atilde;o integral do cr&eacute;dito ou haja um agravamento dessa possibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ter&aacute; ainda se ter em considera&ccedil;&atilde;o o car&aacute;ter gratuito ou oneroso do ato do devedor, uma vez que, se for gratuito apenas ser&aacute; necess&aacute;rio a verifica&ccedil;&atilde;o dos pressupostos acima indicados, mesmo que o devedor e o terceiro estejam de boa f&eacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo contr&aacute;rio, caso esteja em quest&atilde;o um ato oneroso, ser&aacute; necess&aacute;rio a verifica&ccedil;&atilde;o de um requisito adicional que &eacute; o da verifica&ccedil;&atilde;o da m&aacute;-f&eacute; tanto por parte do devedor como do terceiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumpre esclarecer o que se entende por m&aacute;-f&eacute; de forma a que fique claro as situa&ccedil;&otilde;es em que a mesma ocorre e que permite que o credor intente a competente a&ccedil;&atilde;o de impugna&ccedil;&atilde;o pauliana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, entende-se como m&aacute;-f&eacute; as situa&ccedil;&otilde;es em que o devedor e terceiro t&ecirc;m consci&ecirc;ncia do preju&iacute;zo que o ato causa ao credor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ficam de fora do conceito de m&aacute;-f&eacute; a situa&ccedil;&atilde;o de neglig&ecirc;ncia inconsciente, isto &eacute;, a celebra&ccedil;&atilde;o do ato sem consci&ecirc;ncia da possibilidade de estar a lesar o credor, mas que, caso os intervenientes tivessem sido diligentes, poderiam ter adquirido essa consci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que concerne ao &oacute;nus da prova, o mesmo encontra-se repartido, recaindo sobre o credor a obriga&ccedil;&atilde;o de provar o montante da d&iacute;vida existente e recaindo sobre o devedor ou terceiro interessado na manuten&ccedil;&atilde;o do ato celebrado a prova de que o devedor possui bens penhor&aacute;veis de igual ou de valor superior &agrave;quele a que se reporta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a&ccedil;&atilde;o de impugna&ccedil;&atilde;o pauliana, a ser procedente, permite a restitui&ccedil;&atilde;o de bens ao credor na medida do seu interesse, podendo executar os bens no patrim&oacute;nio do obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que concerne ao terceiro adquirente do bem em quest&atilde;o importa diferenciar as situa&ccedil;&otilde;es em que o mesmo est&aacute; de boa-f&eacute; daquelas em que agiu de m&aacute;-f&eacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o adquirente de boa f&eacute; apenas responde na medida do seu enriquecimento, enquanto que o adquirente de m&aacute;-f&eacute; &eacute; respons&aacute;vel pelo valor dos bens que tenha alienado bem como daqueles que tenham perecido ou deteriorado por caso fortuito, salvo se fizer prova que a perda ou deteriora&ccedil;&atilde;o se tinham verificado independentemente da transmiss&atilde;o do bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A impugna&ccedil;&atilde;o pauliana permite ao credor deduzir uma pretens&atilde;o direta contra um terceiro, em virtude da aquisi&ccedil;&atilde;o que este fez ao devedor de um bem que se traduziu num preju&iacute;zo para o credor porquanto diminuiu a sua garantia patrimonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa esclarecer que a impugna&ccedil;&atilde;o pauliana n&atilde;o consubstancia uma a&ccedil;&atilde;o de anula&ccedil;&atilde;o, pelo que se mant&eacute;m a validade e efic&aacute;cia do ato, verificando-se sim uma situa&ccedil;&atilde;o de responsabilidade do devedor perante o terceiro, uma vez que o credor tem sobre o terceiro o direito &agrave; restitui&ccedil;&atilde;o dos bens na medida do seu interesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, na rela&ccedil;&atilde;o entre o devedor e terceiro, caso o ato tenha sido gratuito, o devedor s&oacute; &eacute; respons&aacute;vel perante o adquirente nos termos do disposto em mat&eacute;ria de doa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso o ato tenha sido oneroso, o terceiro adquirente tem apenas o direito de exigir do devedor aquilo com que se enriqueceu, sendo certo que, o cr&eacute;dito do credor ter&aacute; sempre primazia sobre o direito do terceiro adquirente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que concerne &agrave; extin&ccedil;&atilde;o do direito de intentar a&ccedil;&atilde;o de impugna&ccedil;&atilde;o pauliana, a mesma ocorre nas seguintes situa&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">1. O credor v&ecirc; satisfeito o seu cr&eacute;dito, pelo cumprimento por parte do devedor ou por outra causa de extin&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">2. Se o devedor adquirir novos bens que se mostrem suficientes para assegurar a garantia patrimonial do cr&eacute;dito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Real&ccedil;a-se ainda que, caso o credor pretenda intentar a&ccedil;&atilde;o de impugna&ccedil;&atilde;o pauliana ter&aacute; de ter em aten&ccedil;&atilde;o o prazo de caducidade de cinco anos, prazo cuja contagem se inicia a partir da data da pr&aacute;tica do ato e n&atilde;o da data do conhecimento do ato pelo credor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo um prazo de caducidade o mesmo n&atilde;o se suspende nem se interrompe fora das situa&ccedil;&otilde;es previstas na lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4331","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4331"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4331"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4331"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4331"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}