{"id":4349,"date":"2020-01-26T23:00:00","date_gmt":"2020-01-26T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-responsabilidade-medica-diagnostico-pre-natal-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/advogados-responsabilidade-medica-diagnostico-pre-natal-portugal\/","title":{"rendered":"Responsabilidade m\u00e9dica no \u00e2mbito de diagn\u00f3stico pr\u00e9-natal (wrongful birth actions)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><\/strong> de Belzuz Abogados centra-se neste m&ecirc;s de Fevereiro na an&aacute;lise da <strong>responsabilidade civil m&eacute;dica proveniente de erro no diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos pa&iacute;ses onde a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez &eacute; permitida t&ecirc;m vindo a tornar-se cada vez mais comuns as chamadas a&ccedil;&otilde;es de &laquo;wrongful birth&raquo; (a&ccedil;&atilde;o por dano de nascimento indesejado ou indevido), que se traduzem nas a&ccedil;&otilde;es propostas pelos progenitores (em seu pr&oacute;prio nome) da crian&ccedil;a que nasce com uma mal &ndash; forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o detetada ou n&atilde;o informada pelos m&eacute;dicos aquando da realiza&ccedil;&atilde;o dos exames pr&eacute;-natais, com vista ao ressarcimento dos danos patrimoniais e n&atilde;o patrimoniais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denota-se uma franca evolu&ccedil;&atilde;o na an&aacute;lise e tratamento de tal mat&eacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeira linha, importa qualificar a rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica que se estabelece entre os progenitores e o m&eacute;dico que procede &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos exames pr&eacute;-natais, os quais visam primordialmente detetar e identificar eventuais malforma&ccedil;&otilde;es do feto e, em caso de malforma&ccedil;&atilde;o, possibilitar a op&ccedil;&atilde;o pela interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez nas circunst&acirc;ncias estritamente previstas na Lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, d&uacute;vidas n&atilde;o restam que entre as partes se estabelece um Contrato de Presta&ccedil;&atilde;o de Servi&ccedil;os, nos exatos termos do estatu&iacute;do no artigo 1154.&ordm; do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos gerais, tende a qualificar-se a obriga&ccedil;&atilde;o assumida pelo m&eacute;dico como obriga&ccedil;&atilde;o de meios e n&atilde;o de resultado, o que significa que este cumpre a sua obriga&ccedil;&atilde;o quando presta os seus servi&ccedil;os de acordo com as regras e os m&eacute;todos da profiss&atilde;o, em estrito respeito pelas melhores t&eacute;cnicas da &laquo;legis artis&raquo;, afastando assim a presun&ccedil;&atilde;o de culpa vertida no n.&ordm; 1 do artigo 799.&ordm; do C&oacute;digo Civil, o que significa que o lesado (credor\/paciente) ter&aacute; que demonstrar que o lesante n&atilde;o atuou de acordo com as chamadas &laquo;legis artis&raquo; e que a les&atilde;o decorre de um comportamento negligente do m&eacute;dico, o que em regra constitui uma prova quase diab&oacute;lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o obstante, tem vindo a considerar-se que, no que respeita aos exames pr&eacute;-natais, os quais se traduzem na realiza&ccedil;&atilde;o de exames laboratoriais com o inerente diagn&oacute;stico, a obriga&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico consiste numa obriga&ccedil;&atilde;o de resultado e n&atilde;o de meios, ou seja, o m&eacute;dico vincula-se &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de um resultado especifico &ndash; detetar a exist&ecirc;ncia de eventuais mal &ndash; forma&ccedil;&otilde;es do feto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A qualifica&ccedil;&atilde;o como obriga&ccedil;&atilde;o de resultado significa que caber&aacute; ao m&eacute;dico provar, em caso de mal&ndash;forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o detetada ou n&atilde;o informada aos pais da crian&ccedil;a, que tal resultado decorre de uma impossibilidade objetiva, imput&aacute;vel a caso fortuito ou de for&ccedil;a maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, o fundamento para a qualifica&ccedil;&atilde;o de tal obriga&ccedil;&atilde;o como de resultado reside essencialmente no profundo desenvolvimento e elevado grau de especializa&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ado pelos exames laboratoriais, nos quais a margem de incerteza &eacute; bastante reduzida ou at&eacute; mesmo inexistente, justificando-se assim que sobre o m&eacute;dico que analisa o resultado de tais exames recaia mais do que uma mera obriga&ccedil;&atilde;o de meios mas antes de resultado, uma vez que a margem de erro de tais exames &eacute; praticamente nula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em face do exposto e aqui chegados importa concluir que em caso de erro no diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal tem aplica&ccedil;&atilde;o o regime da responsabilidade civil contratual, aplicando-se a presun&ccedil;&atilde;o de culpa vertida no n.&ordm; 1 do artigo 799.&ordm; do C&oacute;digo Civil e, em caso de preenchimento dos respetivos pressupostos existir&aacute; lugar ao ressarcimento de danos patrimoniais e n&atilde;o patrimoniais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os advogados que integram o <strong style=\"text-align: justify;\"><\/strong> da Belzuz Abogados, S.L. &#8211; Sucursal em Portugal t&ecirc;m uma ampla e vasta experi&ecirc;ncia em mat&eacute;ria de responsabilidade civil, nomeadamente no que respeita &agrave;s quest&otilde;es relacionadas com a responsabilidade civil m&eacute;dica em sede de erro no diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify; 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