{"id":4369,"date":"2020-03-31T22:00:00","date_gmt":"2020-03-31T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"protecao-de-dados-e-covid-19-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/protecao-de-dados-e-covid-19-portugal\/","title":{"rendered":"Prote\u00e7\u00e3o de dados e COVID-19: recolha e tratamento de dados por entidades p\u00fablica e privadas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O combate &agrave; pandemia do COVID-19 encontra-se a ser travado em v&aacute;rias frentes e, como em todas as guerras, a partilha de informa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; um fator determinante para que as medidas que se encontram a ser tomadas sejam bem-sucedidas. Ser&aacute;, por isso, da maior import&acirc;ncia encontrar respostas no &acirc;mbito do Regulamento Geral de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados (RGPD) que nos permitam assegurar a persecu&ccedil;&atilde;o do bem comum e a viabilidade das organiza&ccedil;&otilde;es sem que haja um atropelo dos direitos, liberdades e garantias fundamentais das pessoas cujos direitos o RGPD visa acautelar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das quest&otilde;es que se colocou recentemente encontra-se relacionada com o acesso a dados pessoais de doentes suspeitos de covid-19 por parte da comunidade cient&iacute;fica com o objetivo de permitir que esses dados sejam trabalhados de forma a ajudar as autoridades a encontrarem respostas mais eficazes contra a pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo um comunicado divulgado pelo Conselho de Escolas M&eacute;dicas Portuguesas, foi solicitado &agrave; Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de e demais entidades a disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos dados de doentes suspeitos da infe&ccedil;&atilde;o Covid-19 em Portugal com vista ao aux&iacute;lio dos profissionais no terreno. Esses dados passariam sempre por um processo de pseudonimiza&ccedil;&atilde;o &#8211; ou seja, seriam tratados de forma a que n&atilde;o possam ser atribu&iacute;dos ou ligados a um titular espec&iacute;fico sem recurso a informa&ccedil;&otilde;es suplementares &ndash; ou um processo de anonimiza&ccedil;&atilde;o &ndash; convertidos de forma irrevers&iacute;vel em dados cuja identifica&ccedil;&atilde;o do titular ser&aacute; praticamente imposs&iacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O RGPD prev&ecirc; a possibilidade de tratamento de dados para fins de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, desde que sejam implementadas medidas que assegurem que os dados recolhidos s&atilde;o (i) adequados, (ii) pertinentes e (iii) limitados ao estritamente necess&aacute;rio tendo em conta as finalidades em causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por seu turno, a Autoridade de Controlo recomenda que as autoridades p&uacute;blicas dever&atilde;o procurar o tratamento de dados de forma an&oacute;nima, pelo que, e desde que os fins visados possam ser atingidos desse modo, os dados dever&atilde;o ser sujeitos a um tratamento que n&atilde;o permita a identifica&ccedil;&atilde;o dos titulares dos dados, seja mediante anonimiza&ccedil;&atilde;o ou pseudonomiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; os direitos dos titulares dos dados poder&atilde;o ser igualmente limitados no atual contexto, na medida em que se prev&ecirc; a possibilidade de haver restri&ccedil;&otilde;es ao direito de acesso, retifica&ccedil;&atilde;o, limita&ccedil;&atilde;o de tratamento e apagamento dos dados pessoais por parte destes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista do sector privado importa referir que o RGPD prev&ecirc; igualmente a possibilidade das organiza&ccedil;&otilde;es (empresas, associa&ccedil;&otilde;es, etc&hellip;) tratarem os dados pessoais dos seus colaboradores sem a necessidade de obter o consentimento dos respetivos titulares por raz&otilde;es de interesse p&uacute;blico, nomeadamente na &aacute;rea da sa&uacute;de p&uacute;blica ou para prote&ccedil;&atilde;o de interesses vitais. Contudo, para que estas entidades possam proceder &agrave; recolha e tratamento deste tipo de dados pessoais dever&aacute; ser implementado um Plano de Conting&ecirc;ncia no qual se assegure o cumprimento dos v&aacute;rios requisitos legais, tais como a adequa&ccedil;&atilde;o e a necessidade dos dados recolhidos face &agrave;s finalidades em causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa ainda referir que v&aacute;rias Autoridades de Controlo de pa&iacute;ses europeus recomendaram que as entidades patronais se abstivessem da recolha sistem&aacute;tica e generalizada de informa&ccedil;&otilde;es relacionadas com poss&iacute;veis sintomas apresentados pelos seus colaboradores, pelo que se poder&aacute; concluir que o cumprimento das normas do RGPD continuar&aacute; a ser alvo de escrut&iacute;nio por partes das Autoridades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, e apesar da Comiss&atilde;o Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados ter j&aacute; decidido que, &ldquo;<em>os prazos de resposta aos projetos de delibera&ccedil;&atilde;o se encontram interrompidos at&eacute; &agrave; declara&ccedil;&atilde;o, pelo &oacute;rg&atilde;o de soberania competente, do fim do per&iacute;odo excecional que o Pa&iacute;s atravessa por causa da pandemia<\/em>&rdquo;, n&atilde;o foram ainda dadas orienta&ccedil;&otilde;es relativamente ao tratamento de dados pessoais no atual contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A normalidade ser&aacute; retomada num futuro que esperamos ser pr&oacute;ximo, o que obrigar&aacute; a que as empresas e demais entidades possam ter que justificar as medidas tomadas durante este per&iacute;odo excecional que, ainda assim, n&atilde;o as isenta do cumprimento das suas obriga&ccedil;&otilde;es legais no dom&iacute;nio da prote&ccedil;&atilde;o de dados.<\/p>\n<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4369","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4369"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4369"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4369"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4369"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}