{"id":4415,"date":"2020-09-30T22:00:00","date_gmt":"2020-09-30T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"a-responsabilidade-decorrente-da-violacao-do-dever-de-informar-o-paciente-em-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/a-responsabilidade-decorrente-da-violacao-do-dever-de-informar-o-paciente-em-portugal\/","title":{"rendered":"A responsabilidade decorrente da viola\u00e7\u00e3o do dever de informar o paciente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A grande maioria dos casos de <strong>neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica<\/strong> s&atilde;o aqueles em que um profissional de sa&uacute;de, m&eacute;dico ou enfermeiro, aquando da realiza&ccedil;&atilde;o de um ato m&eacute;dico incorreto, provoca uma les&atilde;o no paciente. No entanto, a responsabilidade civil dos profissionais de sa&uacute;de, em especial dos m&eacute;dicos, n&atilde;o se circunscreve ao momento da execu&ccedil;&atilde;o do ato m&eacute;dico, mas come&ccedil;a muito antes, com a explica&ccedil;&atilde;o desse mesmo ato e das poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias e riscos do mesmo ao paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, um dos principais deveres dos profissionais de sa&uacute;de no exerc&iacute;cio da sua atividade &eacute; o de manter o paciente informado de todos os procedimentos que ser&atilde;o realizados, em especial o conte&uacute;do dos mesmos e os riscos associados. Este dever de informa&ccedil;&atilde;o e o seu correto cumprimento &eacute; um pressuposto essencial para garantir a licitude da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como bem menciona a jurisprud&ecirc;ncia para o caso concreto da interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica, a lei exige, como regra e como condi&ccedil;&atilde;o da licitude de uma inger&ecirc;ncia m&eacute;dica na integridade f&iacute;sica dos pacientes, que estes consintam nessa inger&ecirc;ncia. Para al&eacute;m disso, o consentimento tem de ser obrigatoriamente prestado de modo a que o paciente fique na posse das informa&ccedil;&otilde;es relevantes sobre o ato a realizar, tendo em conta as concretas circunst&acirc;ncias do caso, sob pena de n&atilde;o poder valer como consentimento legitimador da interven&ccedil;&atilde;o. Em suma, a informa&ccedil;&atilde;o com vista &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de consentimento deve ser prestada de forma clara e concisa, em linguagem que seja compreens&iacute;vel para o paciente, transmitindo-lhe todos os riscos associados ao ato m&eacute;dico a praticar. Este dever assume, ent&atilde;o, uma autonomia em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio ato m&eacute;dico, sendo tamb&eacute;m este um momento potencialmente criador de responsabilidade m&eacute;dica do profissional de sa&uacute;de (o m&eacute;dico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jurisprud&ecirc;ncia portuguesa por diversas vezes j&aacute; se debru&ccedil;ou sobre o dever de informa&ccedil;&atilde;o que impende aos profissionais de sa&uacute;de, chegando mesmo a afirmar que, em certas situa&ccedil;&otilde;es, ainda que o ato m&eacute;dico tenha sido realizado sem erro ou m&aacute; pr&aacute;tica m&eacute;dica, ocorra responsabilidade civil emergente da realiza&ccedil;&atilde;o desse ato. Neste sentido, veja-se o Ac&oacute;rd&atilde;o do Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a de 24\/10\/2019, dispon&iacute;vel in www.dgsi.pt, cujo sum&aacute;rio menciona que &ldquo;A responsabilidade civil emergente da realiza&ccedil;&atilde;o de ato m&eacute;dico, ainda que se prove a inexist&ecirc;ncia de erro ou m&aacute; pr&aacute;tica m&eacute;dica, pode radicar-se na viola&ccedil;&atilde;o do dever de informa&ccedil;&atilde;o do paciente relativamente aos riscos e aos danos eventualmente decorrentes da realiza&ccedil;&atilde;o do ato m&eacute;dico&rdquo;. O referido aresto menciona, antes de mais, que a responsabilidade m&eacute;dica se deve fundamentar em dois fatores essenciais: a m&aacute; pr&aacute;tica m&eacute;dica ou erro m&eacute;dico e a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos dos pacientes, sendo que os referido vetores s&atilde;o independentes entre si e por isso poder&atilde;o n&atilde;o ter uma liga&ccedil;&atilde;o entre ambos. Assim, neste prisma, segundo a referida decis&atilde;o jurisprudencial, deve entender-se o utente\/paciente como consumidor na rela&ccedil;&atilde;o com o prestador de cuidados de sa&uacute;de.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, a responsabilidade dos profissionais de sa&uacute;de n&atilde;o se limita &agrave; execu&ccedil;&atilde;o dos atos m&eacute;dicos, mas inicia-se muito antes, com a obrigatoriedade de explica&ccedil;&atilde;o das carater&iacute;sticas e dos riscos associados aos mesmos, de forma a poder obter dos pacientes um consentimento para a realiza&ccedil;&atilde;o desses atos que seja informado e consciente. Na eventual viola&ccedil;&atilde;o desse dever de cuidado, os profissionais de sa&uacute;de poder&atilde;o vir a ser civilmente respons&aacute;veis por eventuais danos que tenham provocado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Belzuz Advogados, no seu <strong><\/strong>, disp&otilde;e de uma equipa de advogados com ampla experi&ecirc;ncia na an&aacute;lise de situa&ccedil;&otilde;es de neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica e viola&ccedil;&atilde;o de dever de informa&ccedil;&atilde;o por m&eacute;dicos e outros profissionais de sa&uacute;de.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4415","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4415"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4415"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4415"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4415"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}