{"id":4465,"date":"2021-05-20T22:00:00","date_gmt":"2021-05-20T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"a-indignidade-sucessoria-e-a-deserdacao","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/a-indignidade-sucessoria-e-a-deserdacao\/","title":{"rendered":"A indignidade sucess\u00f3ria e a deserda\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"javascript:history.go(-1)\" target=\"_self\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"images\/volver.png\" alt=\"Volver\" width=\"50\" height=\"50\" style=\"float: right; margin-left: 10px;\" \/><\/a>O <strong><\/strong> da Belzuz Abogados, SLP, Sucursal em Portugal, debru&ccedil;a-se neste artigo sobre a Indignidade Sucess&oacute;ria e a Deserda&ccedil;&atilde;o, abordando a distin&ccedil;&atilde;o entre estes dois institutos. Coloca-se ent&atilde;o a quest&atilde;o, pode um progenitor deserdar um filho ou at&eacute; o c&ocirc;njuge?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, devemos ter em aten&ccedil;&atilde;o a chamada capacidade sucess&oacute;ria. A capacidade sucess&oacute;ria traduz-se na capacidade para ser chamado &agrave; sucess&atilde;o, ou seja, o direito de aceitar ou repudiar uma heran&ccedil;a ou legado. A regra &eacute; a da capacidade, contudo, como iremos ver, existe a incapacidade de suceder para aqueles que forem declarados indignos ou que forem deserdados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa agora, proceder &agrave; distin&ccedil;&atilde;o entre estes dois institutos: a Indignidade Sucess&oacute;ria e a deserda&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Indignidade Sucess&oacute;ria traduz-se na falta de capacidade para suceder numa heran&ccedil;a, ou seja, aquele que, de acordo com a lei &ndash; ou o testamento &ndash; seria herdeiro (ou legat&aacute;rio), e n&atilde;o o poder&aacute; ser por indignidade. Indignidade, como o pr&oacute;prio nome indica, &eacute; aquele que &eacute; indigno, que n&atilde;o &eacute; merecedor. &Eacute; indigno aquele que praticou um ato que impedir&aacute; o seu acesso aos bens, a que eventualmente teria direito enquanto sucessor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste instituto da Indignidade Sucess&oacute;ria, est&aacute; presente a ideia de uma san&ccedil;&atilde;o, de uma puni&ccedil;&atilde;o da lei por atos cometidos contra o autor da sucess&atilde;o. O que distingue desde j&aacute; este instituto do instituto da Deserda&ccedil;&atilde;o, &eacute; o facto da Indignidade Sucess&oacute;ria ser independente da vontade do autor da sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo 2034&ordm; do C&oacute;digo Civil, elenca as situa&ccedil;&otilde;es em que se verifica a perda de capacidade sucess&oacute;ria, por indignidade, e s&atilde;o elas: &ldquo;<em>Carecem de capacidade sucess&oacute;ria, por motivo de indignidade<\/em>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>a) O condenado como autor ou c&uacute;mplice de homic&iacute;dio doloso, ainda que n&atilde;o consumado, contra o autor da sucess&atilde;o, ou contra o seu c&ocirc;njuge, descendente, ascendente, adoptante ou adoptado;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>b) O condenado por den&uacute;ncia caluniosa ou falso testemunho contra as mesmas pessoas, relativamente a crime a que corresponda pena de pris&atilde;o superior a dois anos, quaisquer que seja a sua natureza;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>c) O que por meio de dolo ou coac&ccedil;&atilde;o induziu o autor da sucess&atilde;o a fazer, revogar ou modificar o testamento, ou a disso o impediu;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>d) O que dolosamente subtraiu, ocultou, inutilizou, falsificou ou suprimiu o testamento, antes ou depois da morte do Autor da sucess&atilde;o, ou se aproveitou de algum desses factos.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, para que exista indignidade sucess&oacute;ria e, em consequ&ecirc;ncia da mesma, algu&eacute;m perca a capacidade sucess&oacute;ria, &eacute; obrigat&oacute;ria a exist&ecirc;ncia de uma senten&ccedil;a a decretar essa indignidade. Por sua vez essa senten&ccedil;a pode resultar de uma ac&ccedil;&atilde;o intentada pelos outros herdeiros, ou poder&aacute; ser uma senten&ccedil;a penal que condene pela pr&aacute;tica do crime que determina a indignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por &uacute;ltimo, o instituto da Indignidade Sucess&oacute;ria pode afectar qualquer tipo de herdeiro, e pode afectar quer a sucess&atilde;o legitima quer a sucess&atilde;o legitim&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falemos agora do Instituto da Deserda&ccedil;&atilde;o. A no&ccedil;&atilde;o de Deserda&ccedil;&atilde;o consiste na exclus&atilde;o ou na priva&ccedil;&atilde;o que uma certa pessoa pode sofrer, relativamente a uma heran&ccedil;a ou sucess&atilde;o, que anteriormente lhe era devida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr&aacute;rio da Indignidade Sucess&oacute;ria, a Deserda&ccedil;&atilde;o &eacute; um instituto espec&iacute;fico dos herdeiros legitim&aacute;rios. E quem s&atilde;o os herdeiros legitim&aacute;rios? S&atilde;o o c&ocirc;njuge, descendentes e os ascendentes, ou seja, aqueles que por for&ccedil;a da lei n&atilde;o podem, em princ&iacute;pio, ser afastados da sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estes herdeiros, os chamados herdeiros legitim&aacute;rios, est&aacute; destinada uma parcela dos bens da heran&ccedil;a, da qual o autor da sucess&atilde;o n&atilde;o pode dispor livremente. &Eacute; a chamada legitima ou quota indispon&iacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; nesta fase que podemos colocar a quest&atilde;o: pode um progenitor deserdar um filho, ou um c&ocirc;njuge deserdar o outro c&ocirc;njuge, ou at&eacute; deserdar um pai ou uma m&atilde;e?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o &eacute; um processo simples, contudo, a legisla&ccedil;&atilde;o portuguesa permite aos pais deserdar os filhos em vida ou um c&ocirc;njuge deserdar o outro c&ocirc;njuge ou at&eacute; deserdar um ascendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para haver Deserda&ccedil;&atilde;o, o autor da sucess&atilde;o tem que deixar essa vontade expressa em testamento. E n&atilde;o basta dizer apenas que quer deserdar aquele herdeiro legitim&aacute;rio, privando-o da legitima, tem que invocar expressamente o fundamente para o fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E serve qualquer fundamento? N&atilde;o, s&oacute; poder&aacute; haver Deserda&ccedil;&atilde;o caso se verifique uma das causas prevista no artigo 2166&ordm; do C&oacute;digo Civil, que passamos a elencar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>1- O autor da sucess&atilde;o pode em testamento, com expressa declara&ccedil;&atilde;o da causa, deserdar o herdeiro legitim&aacute;rio, privando-o da legitima, quando se verifique alguma das seguintes ocorr&ecirc;ncias:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>a) Ter sido o sucess&iacute;vel condenado por algum crime doloso cometido contra a pessoa, bens ou honra do autor da sucess&atilde;o, ou do seu c&ocirc;njuge, ou de algum descendente, ascendente, adoptante ou adoptado, desde que ao crime corresponda pena superior a seis meses de pris&atilde;o;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>b) Ter sido o sucess&iacute;vel condenado por den&uacute;ncia caluniosa ou falso testemunho contra as mesmas pessoas;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>c) Ter o sucess&iacute;vel, sem justa causa, recusado ao autor da sucess&atilde;o ou ao seu c&ocirc;njuge os devidos alimentos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>Qualquer uma das situa&ccedil;&otilde;es acima enumeradas, &eacute; raz&atilde;o suficiente para deserdar um filho, um c&ocirc;njuge ou um ascendente.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme j&aacute; mencionamos, a Deserda&ccedil;&atilde;o tem que ser expressa pelo autor da sucess&atilde;o em testamento, e esse testamento tem obrigatoriamente que ser validado por um not&aacute;rio que ir&aacute; confirmar quer a autenticidade do documento, quer a legitimidade do pedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a Deserda&ccedil;&atilde;o invocada num testamento pode ser objecto de impugna&ccedil;&atilde;o por parte do herdeiro legitim&aacute;rio que ficou privado da heran&ccedil;a. Para tal, ter&aacute; que recorrer ao tribunal e alegar a inexist&ecirc;ncia da causa invocada pelo autor da sucess&atilde;o, e tem o prazo de dois anos a contar da abertura do testamento para o fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir, quer a deserda&ccedil;&atilde;o quer a indignidade sucess&oacute;ria, t&ecirc;m por base a ideia de incapacidade sucess&oacute;ria, em virtude da pr&aacute;tica de atos excepcionalmente graves, cometidos directa ou indirectamente contra o autor da sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong style=\"text-align: justify;\"><\/strong> da Belzuz Abogados SLP &ndash; Sucursal em Portugal, tem uma equipa capaz para prestar a devida assessoria nestas situa&ccedil;&otilde;es, uma vez que quando se pretende deserdar por exemplo um filho em vida, n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil. Em termos pessoais e familiares s&atilde;o decis&otilde;es extremamente dif&iacute;ceis e, em termos legais, exige uma profunda an&aacute;lise uma vez que a lei protege os herdeiros legitim&aacute;rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: -90px;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4465","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4465"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4465"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4465"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4465"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}