{"id":4479,"date":"2021-07-11T22:00:00","date_gmt":"2021-07-11T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"a-negligencia-medica-na-perspetiva-do-medico-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/a-negligencia-medica-na-perspetiva-do-medico-portugal\/","title":{"rendered":"A neglig\u00eancia m\u00e9dica na perspetiva do m\u00e9dico \u2013 a falta de zelo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O erro m&eacute;dico e, em particular a neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica, deve ser analisado numa perspetiva de viola&ccedil;&atilde;o das lex artis tendo por base a experi&ecirc;ncia e conhecimento espec&iacute;fico do m&eacute;dico em compara&ccedil;&atilde;o com as circunst&acirc;ncias do caso, para al&eacute;m da an&aacute;lise do standard de dilig&ecirc;ncia necess&aacute;rio. Assim, e como se defende jurisprudencialmente, &ldquo;<em>Actua com neglig&ecirc;ncia, cumprindo defeituosamente a sua obriga&ccedil;&atilde;o, o m&eacute;dico ou institui&ccedil;&atilde;o prestadora de cuidados de sa&uacute;de que n&atilde;o exercite todo o seu zelo, nem ponha em pr&aacute;tica toda a sua capacidade t&eacute;cnica e cient&iacute;fica na execu&ccedil;&atilde;o das suas tarefas para proporcionar a cura ao doente ou para lhe proporcionar os servi&ccedil;os acordados<\/em>&rdquo; &ndash; cfr. Ac. Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto de 14\/05\/2020, dispon&iacute;vel in www.dgsi.pt. &Eacute;, portanto, essencial efetuar, de forma casu&iacute;stica, uma an&aacute;lise dos factos e conhecimentos que o m&eacute;dico tinha &agrave; data em que promoveu e\/ou realizou os atos m&eacute;dicos, assim como o standart da Ci&ecirc;ncia vigente nesse momento, uma vez que apenas da an&aacute;lise conjunta destas vari&aacute;veis poder&aacute; ser determinada a exist&ecirc;ncia de neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, para que uma infra&ccedil;&atilde;o da lex artis se possa qualificar como neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica, esta deve decorrer de um erro &ldquo;indesculp&aacute;vel&rdquo; por parte do m&eacute;dico, que tinha conhecimento e elementos de diagn&oacute;stico suficientes para n&atilde;o adotar essa conduta e, ainda assim, descurando as boas pr&aacute;ticas m&eacute;dicas, adotou-o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme mencionado noutros textos desta natureza, a neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica pode assumir a express&atilde;o de um ato m&eacute;dico incorretamente realizado, o incumprimento do dever de informa&ccedil;&atilde;o do paciente ou a prescri&ccedil;&atilde;o de uma terap&ecirc;utica incorreta. A t&iacute;tulo de exemplo, no ac&oacute;rd&atilde;o supra mencionado, discutia-se, entre outros, o facto do m&eacute;dico ter prescrito um medicamento que teria provocado um dano irrevers&iacute;vel no olho do paciente, sem que tivesse alertado o mesmo para os potenciais efeitos que esse mesmo medicamento poderia produzir. Importa sublinhar que, in casu, n&atilde;o foi provada essa quest&atilde;o e o m&eacute;dico foi absolvido dos pedidos contra ele formulados, uma vez que a opini&atilde;o pericial recolhida considerou que os riscos associados &agrave; toma desse medicamento eram de conhecimento generalizado e por isso n&atilde;o implicavam qualquer dever adicional de informa&ccedil;&atilde;o ao paciente. Com efeito, menciona o referido ac&oacute;rd&atilde;o que &ldquo;Os tratamentos propostos e efectuados nesta doente, s&atilde;o bem conhecidos e usados de uma forma generalizada em todo o mundo. Os seus benef&iacute;cios e potenciais riscos est&atilde;o descritos pormenorizadamente na literatura e deveriam ter sido explicados &agrave; doente antes da sua execu&ccedil;&atilde;o. Da consulta do processo, confirmamos que existiam consentimentos informados assinados para todos os procedimentos realizados, no entanto temos a referir que o referido documento &eacute; muito generalista e pouco explicito para cada procedimento espec&iacute;fico, embora l&aacute; esteja mencionado que a doente foi informada e esclarecida sobre os actos m&eacute;dicos, de diagn&oacute;stico e tratamentos a praticar, bem, como das poss&iacute;veis complica&ccedil;&otilde;es, pelo que se pressup&otilde;e que a mesma foi devidamente informada e esclarecida&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an&aacute;lise factual e jur&iacute;dica de uma situa&ccedil;&atilde;o desta natureza poder&aacute; n&atilde;o ser simples e por isso todos os agentes envolvidos devem obter assessoria jur&iacute;dica que os acompanhe no processo. A Belzuz Advogados, com escrit&oacute;rio em Portugal em Lisboa e no Porto, apresenta uma equipa de advogados com ampla experi&ecirc;ncia em situa&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas, que poder&atilde;o prestar assessoria jur&iacute;dica nesse tipo de situa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus&atilde;o, em cada caso ser&aacute; necess&aacute;rio aferir se o m&eacute;dico atuou de forma negligente, isto &eacute;, se, n&atilde;o obstante ter conhecimentos t&eacute;cnicos para realizar a conduta correta (de acordo com o standard da Ci&ecirc;ncia), optou por n&atilde;o o fazer, assim criando dano no paciente. Para tal deve ter-se em conta n&atilde;o s&oacute; a documenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do caso, mas, tamb&eacute;m, opini&otilde;es de peritos e do pr&oacute;prio m&eacute;dico, para que se possa determinar se no caso existiu, conforme mencionado jurisprudencialmente, o exerc&iacute;cio da atividade sem zelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4479","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4479"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4479"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4479"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4479"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}