{"id":4535,"date":"2022-05-25T22:00:00","date_gmt":"2022-05-25T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"lei-aplicavel-a-sucessao-de-um-estrangeiro-a-residir-em-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/lei-aplicavel-a-sucessao-de-um-estrangeiro-a-residir-em-portugal\/","title":{"rendered":"Qual a lei aplic\u00e1vel \u00e0 sucess\u00e3o de um estrangeiro a residir em Portugal?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><\/strong> de Belzuz Abogados, S.L. &#8211; Sucursal em Portugal debru&ccedil;a-se neste artigo sobre a quest&atilde;o das sucess&otilde;es por morte, que envolvam um elemento internacional, como por exemplo, o falecido tenha residido ou possua algum bem num Estado distinto do da sua nacionalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se visa &eacute; saber concretamente qual a lei aplic&aacute;vel &agrave; sucess&atilde;o de um estrangeiro que esteja efectivamente nestas circunst&acirc;ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto porque, cada vez mais cidad&atilde;os europeus e de outras nacionalidades est&atilde;o a mudar-se para Portugal, assumindo esta quest&atilde;o nos dias de hoje uma relev&acirc;ncia cada vez maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, &eacute; importante esclarecer o que &eacute; uma sucess&atilde;o. Ora, uma sucess&atilde;o &eacute; a transfer&ecirc;ncia, por morte, da heran&ccedil;a do falecido. Essa heran&ccedil;a pode ser constitu&iacute;da por direitos e\/ou obriga&ccedil;&otilde;es. Os direitos podem ser, por exemplo, a propriedade de uma casa, de um ve&iacute;culo ou de uma conta banc&aacute;ria e as obriga&ccedil;&otilde;es podem incluir d&iacute;vidas ou outras obriga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, h&aacute; que salientar que, em 17 de agosto de 2015, entrou em vigor o Regulamento Europeu N.&ordm; 650\/2012 de 04 de julho, conhecido pelo nome abreviado de Regulamento Europeu de Sucess&otilde;es, uma lei de grande relev&acirc;ncia que veio regulamentar precisamente a aplica&ccedil;&atilde;o do direito internacional no &acirc;mbito das sucess&otilde;es por morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar deste Regulamento ter entrado em vigor h&aacute; mais de 6 anos &eacute;, ainda nos dias de hoje, desconhecido da maioria das pessoas, raz&atilde;o pela qual julgamos ser de grande utilidade voltar a falar sobre este tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, desde 17 de agosto de 2015, &eacute; poss&iacute;vel a qualquer pessoa que tenha contacto com v&aacute;rios pa&iacute;ses organizar a sua sucess&atilde;o escolhendo em vida que quer ver aplicada &agrave; sua sucess&atilde;o a lei do pa&iacute;s de que &eacute; nacional, em detrimento de qualquer outra. Por outro lado, a entrada em vigor deste Regulamento permite que, existindo contacto com v&aacute;rios ordenamentos jur&iacute;dicos, seja aplicado apenas um ordenamento jur&iacute;dico &agrave; sucess&atilde;o, definindo regras para apurar qual o Estado-Membro para conhecer da sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o previsto no Regulamento, a regra &eacute; a de que a lei aplicada &agrave; sucess&atilde;o &eacute; a lei da resid&ecirc;ncia habitual do falecido &agrave; data da sua morte, a n&atilde;o ser que resulte claramente do conjunto das circunst&acirc;ncias do caso que, no momento do &oacute;bito, o falecido tinha uma rela&ccedil;&atilde;o manifestamente mais estreita com um Estado\/Pa&iacute;s diferente, sendo neste caso esta lei aplic&aacute;vel &agrave;quela sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autoridade perante a qual a quest&atilde;o da sucess&atilde;o &eacute; levantada, proceder&aacute; a uma avalia&ccedil;&atilde;o das circunst&acirc;ncias de vida do falecido, quer em anos anteriores quer no momento da morte, tais como a dura&ccedil;&atilde;o e a regularidade da estadia do falecido num pa&iacute;s, as raz&otilde;es da sua estadia, entre outras, a fim de avaliar a exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o estreita e est&aacute;vel entre o falecido e o pa&iacute;s da sua &uacute;ltima resid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma subsidi&aacute;ria, poder&atilde;o igualmente ser competentes as Entidades (Not&aacute;rio\/Conservador)\/Tribunais do Estado Membro onde se encontrem os bens da heran&ccedil;a, nos seguintes casos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">a) o falecido possuir nacionalidade desse Estado Membro no momento do &oacute;bito; ou, se tal n&atilde;o se verificar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">b) o falecido tiver tido a sua resid&ecirc;ncia habitual anterior nesse Estado Membro e se a a&ccedil;&atilde;o for intentada no prazo de 5 anos a contar da data da mudan&ccedil;a da resid&ecirc;ncia habitual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb&eacute;m de acordo com esta legisla&ccedil;&atilde;o, os cidad&atilde;os podem optar por aplicar &agrave; sua sucess&atilde;o a legisla&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s de que s&atilde;o nacionais, podendo ou n&atilde;o ser um pa&iacute;s pertencente &agrave; UE. Esta escolha pode ser feita atrav&eacute;s de um testamento ou numa declara&ccedil;&atilde;o separada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, se um cidad&atilde;o da EU residir em Portugal e possuir um certificado de registo para cidad&atilde;o europeu, emitido pela C&acirc;mara Municipal da &aacute;rea da sua resid&ecirc;ncia, nos termos e para os efeitos previstos na Lei n.&ordm;37\/2006, de 9 de Agosto, a lei aplic&aacute;vel &agrave; sua sucess&atilde;o &eacute;, em princ&iacute;pio, a lei portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta quest&atilde;o &eacute; relevante uma vez que a lei aplic&aacute;vel &agrave; sucess&atilde;o ira regular quest&otilde;es como:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; quem s&atilde;o os benefici&aacute;rios da sucess&atilde;o caso n&atilde;o tenha sido feito um testamento;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; a transfer&ecirc;ncia da propriedade dos seus bens para os herdeiros;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; que quota-parte da sua heran&ccedil;a deve ser reservada para o seu c&ocirc;njuge e filhos;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; a possibilidade de deserdar um familiar;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; os poderes dos herdeiros, incluindo o poder de vender propriedade e pagar aos credores:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; enquanto testador, qual o seu grau de liberdade para decidir a quem deixa os seus bens;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; se eventuais ofertas feitas por si durante a vida devem ser devolvidas ao seu patrim&oacute;nio, a fim de proteger as quotas reservadas aos seus filhos e c&ocirc;njuge;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; as condi&ccedil;&otilde;es em que um herdeiro pode aceitar ou repudiar a sucess&atilde;o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8211; o modo como os seus bens devem ser partilhados entre os herdeiros;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assume tamb&eacute;m esta quest&atilde;o particular import&acirc;ncia na medida em que, tendo um cidad&atilde;o europeu elaborado testamento em um qualquer estado membro da EU, apesar deste testamento ser v&aacute;lido, o seu conte&uacute;do poder&aacute; n&atilde;o ser atendido, em fun&ccedil;&atilde;o da lei que venha a ser aplicada &agrave; sua sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta quest&atilde;o assume igualmente import&acirc;ncia a fim de apurar qual o Estado Membro da EU competente para emitir o Certificado Sucess&oacute;rio Europeu, documento que permite que os herdeiros, legat&aacute;rios, executores testament&aacute;rios e administradores da heran&ccedil;a atestem a sua qualidade e exer&ccedil;am os seus direitos noutro Estado Membro da UE. O Certificado Sucess&oacute;rio Europeu simplifica os procedimentos caso tenha necessidade de comprovar que &eacute; um herdeiro em v&aacute;rios Estados Membros da UE caso o falecido tivesse bens em mais do que um Estado Membro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, &eacute; importante que um estrangeiro a residir de forma permanente em Portugal, reflita sobre este tema por forma a decidir, em vida, se quer que a sua sucess&atilde;o seja regida pelo Direito Portugu&ecirc;s, onde ser&atilde;o cumpridas todas as normas de sucess&otilde;es do direito civil portugu&ecirc;s, ou se prefere que seja aplicada a lei da sua nacionalidade, caso em que deve outorgar um testamento e manifestar de forma expressa que designa a lei da nacionalidade como lei aplic&aacute;vel &agrave; sua sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dada a complexidade do tema e as implica&ccedil;&otilde;es graves que uma decis&atilde;o desta natureza pode acarretar para todos os herdeiros (descentes, c&ocirc;njuges, ascendentes ou outros), &eacute; essencial contar com uma <strong>assessoria jur&iacute;dica experiente em Direito da Fam&iacute;lia<\/strong>, como o <strong style=\"text-align: justify;\"><\/strong><span style=\"text-align: justify;\">&nbsp;de Belzuz Abogados, S.L. &#8211; Sucursal em Portugal<\/span>, para assegurar um servi&ccedil;o mais seguro e eficaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: -90px;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4535","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4535"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4535"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4535"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4535"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}