{"id":4642,"date":"2023-12-10T23:00:00","date_gmt":"2023-12-10T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"inquilinos-idosos-ou-com-protecao-vitalicia-o-acordo-de-cessacao-do-contrato-de-arrendamento-e-implicacoes-em-sede-do-regime-fiscal-vigente-em-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/en\/publicacion\/inquilinos-idosos-ou-com-protecao-vitalicia-o-acordo-de-cessacao-do-contrato-de-arrendamento-e-implicacoes-em-sede-do-regime-fiscal-vigente-em-portugal\/","title":{"rendered":"Inquilinos Idosos ou com prote\u00e7\u00e3o vital\u00edcia \u2013 O Acordo de Cessa\u00e7\u00e3o do Contrato de Arrendamento e Implica\u00e7\u00f5es em sede do regime fiscal vigente em Portugal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A evolu&ccedil;&atilde;o do mercado e investimento imobili&aacute;rio no nosso pa&iacute;s ao longo dos &uacute;ltimos anos, com especial enfoque nas grandes metr&oacute;poles, trouxe &agrave; tona uma situa&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel, na medida em que n&atilde;o raras vezes envolve pessoas mais idosas (65 anos ou mais), que vivem em pr&eacute;dios antigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, v&aacute;rios pr&eacute;dios antigos, degradados e muitas vezes nem sequer constitu&iacute;dos em propriedade horizontal, vieram a ser adquiridos por investidores ou fundos de investimento que, muitas vezes, se depararam com a exist&ecirc;ncia de inquilinos de idade igual ou superior a 65 anos ou at&eacute; com arrendamentos vital&iacute;cios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em regra, existem medidas de prote&ccedil;&atilde;o aos inquilinos com mais de 65 anos ou grau de incapacidade comprovado igual ou superior a 60%, que residem h&aacute; mais de 15 anos no locado, no sentido de os proteger de um procedimento de despejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, existem exce&ccedil;&otilde;es que permitem que o senhorio solicite o despejo do inquilino, nomeadamente, por motivos de remodela&ccedil;&atilde;o ou renova&ccedil;&atilde;o profunda do im&oacute;vel locado ou necessidade de arrendamento pr&oacute;prio ou para familiares em 1&ordm; grau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, perante uma situa&ccedil;&atilde;o em que existam inquilinos idosos ou com prote&ccedil;&atilde;o vital&iacute;cia no pr&eacute;dio adquirido na totalidade por um investidor, uma solu&ccedil;&atilde;o bastante vantajosa poder&aacute; ser a negocia&ccedil;&atilde;o e formaliza&ccedil;&atilde;o de um acordo de cessa&ccedil;&atilde;o do contrato de arrendamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Acordo, que ter&aacute; como objetivo compensar o transtorno do inquilino pela sa&iacute;da do im&oacute;vel locado, passar&aacute; pela estipula&ccedil;&atilde;o de um valor em dinheiro e respetivo pagamento ao inquilino. Tratar-se-&aacute;, portanto, de uma compensa&ccedil;&atilde;o pecuni&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De alertar que, a compensa&ccedil;&atilde;o a prever num Acordo deste g&eacute;nero n&atilde;o tem de passar &uacute;nica e exclusivamente por estipular o pagamento de uma determinada quantia em dinheiro, podendo antes, por exemplo, configurar uma compensa&ccedil;&atilde;o em esp&eacute;cie, como seria o caso de &ldquo;disponibilizar&rdquo; ao inquilino um outro im&oacute;vel. Poder-se-ia equacionar e acordar numa simples desloca&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica do inquilino e seus pertences para um local com caracter&iacute;sticas equivalentes &agrave;s do im&oacute;vel arrendado, qui&ccedil;&aacute; onde fosse inclusive poss&iacute;vel manter o arrendamento nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv&eacute;m, contudo, alertar que cada uma das situa&ccedil;&otilde;es acima referidas pode apresentar um enquadramento fiscal distinto, da&iacute; ser importante que cada uma delas seja alvo de uma pr&eacute;via an&aacute;lise jur&iacute;dica, entre outros regimes, &agrave; luz das regras do Direito Fiscal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto porque, subjacente a uma compensa&ccedil;&atilde;o por acordo de cessa&ccedil;&atilde;o de um contrato de arrendamento estar&aacute;, por regra, uma situa&ccedil;&atilde;o de ren&uacute;ncia onerosa uma posi&ccedil;&atilde;o contratual inerente a contratos relativos a bens im&oacute;veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, a este respeito refere o art.&ordm; 9.&ordm;, n.&ordm; 1, al. e) do C&oacute;digo de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (<strong>&ldquo;CIRS&rdquo;<\/strong>) que se consideram incrementos patrimoniais <em>&ldquo;As indemniza&ccedil;&otilde;es devidas por ren&uacute;ncia onerosa a posi&ccedil;&otilde;es contratuais ou outros direitos inerentes a contratos relativos a bens im&oacute;veis, com exce&ccedil;&atilde;o das indemniza&ccedil;&otilde;es legalmente devidas pela den&uacute;ncia de contratos de arrendamento sem termo, relativos a im&oacute;veis que constituam habita&ccedil;&atilde;o permanente do sujeito passivo, nos casos previstos no artigo 1101.&ordm; do C&oacute;digo Civil.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim, em termos fiscais, a compensa&ccedil;&atilde;o sendo apta a integrar o conceito de incremento patrimonial, constitui um rendimento da categoria G, sujeito a tributa&ccedil;&atilde;o em sede de IRS, &agrave; taxa de 28%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o referido artigo 9.&ordm; do n.&ordm; 1, al. e) do C&oacute;digo de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares exceciona a tributa&ccedil;&atilde;o das indemniza&ccedil;&otilde;es devidas pela den&uacute;ncia de contratos cujo im&oacute;vel locado seja habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria permanente do arrendat&aacute;rio, o que na pr&aacute;tica, levanta uma quest&atilde;o bastante pertinente. O que acontece se a indeminiza&ccedil;&atilde;o a pagar for superior aos limites definidos na lei?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece-nos evidente que a resposta passar&aacute; pela sujei&ccedil;&atilde;o a tributa&ccedil;&atilde;o de qualquer valor que exceda os limites definidos, nos termos gerais relativos &aacute; Categoria G, devendo o seu benefici&aacute;rio proceder &agrave; sua declara&ccedil;&atilde;o no respetivo Anexo G da declara&ccedil;&atilde;o Modelo 3. Como, ali&aacute;s, &eacute; posi&ccedil;&atilde;o da Autoridade Tribut&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; quem paga as indemniza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tem qualquer obriga&ccedil;&atilde;o fiscal acess&oacute;ria, no sentido de que n&atilde;o &eacute; obrigado a reter na fonte o montante do imposto devido ao contr&aacute;rio do que sucede para outros incrementos patrimoniais constantes do Artigo 9.&ordm; do CIRS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As quest&otilde;es contratuais e suas implica&ccedil;&otilde;es fiscais s&atilde;o sempre bastante complexas e muitas vezes levantam d&uacute;vidas que dever&atilde;o ser resolvidas com recurso a profissionais qualificados. A  conta com profissionais com vasta experi&ecirc;ncia em direito comercial e fiscal que podem ajudar na solu&ccedil;&atilde;o para as mais variadas quest&otilde;es, incluindo a que se levanta neste artigo, dando todo o necess&aacute;rio acompanhamento e assessoria jur&iacute;dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a target=\"_self\"><\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4642","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4642","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4642"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4642"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4642"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4642"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}