{"id":3908,"date":"2012-09-05T22:00:00","date_gmt":"2012-09-05T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"nota-acerca-de-cartoes-de-debito-diferido-cdds","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/nota-acerca-de-cartoes-de-debito-diferido-cdds\/","title":{"rendered":"Nota acerca de cart\u00f5es de d\u00e9bito diferido (CDD\u2019s)"},"content":{"rendered":"<p>\n\tN&atilde;o ser&aacute; novidade que a Banca sempre apreciou produtos h&iacute;bridos, sendo a ind&uacute;stria financeira bastante proactiva<br \/>\n\tno que toca a criar novas realidades e conceitos, transformando-os em novos produtos, que criem novos mercados e gerem novos rendimentos (veja-se no passado a f&eacute;rtil imagina&ccedil;&atilde;o para criar valores mobili&aacute;rios ent&atilde;o &ldquo;ex&oacute;ticos&rdquo;<br \/>\n\t(swaps, forwards, futuros, derivados), depois, num passado recente, a febre da titulariza&ccedil;&atilde;o (securitization) e j&aacute; no tempo presente a atual prolifera&ccedil;&atilde;o de novos tipos de obriga&ccedil;&otilde;es convert&iacute;veis<br \/>\n\t(&ldquo;CoCo&rsquo;s&rdquo;) &#8211; ainda que deva reconhecer-se que a motiva&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria financeira para a cria&ccedil;&atilde;o destes produtos, cujo tra&ccedil;o comum reside no seu car&aacute;cter h&iacute;brido, tenha sido substancialmente<br \/>\n\tdiferente).\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se esta atra&ccedil;&atilde;o e busca pelo h&iacute;brido &eacute; bastante comum na &aacute;rea do mercado de capitais e na banca de investimento, j&aacute; na banca de retalho a abordagem tem sido tipicamente mais conservadora, desde logo pela crescente<br \/>\n\timport&acirc;ncia e preocupa&ccedil;&atilde;o para com os direitos dos consumidores e consequentes restri&ccedil;&otilde;es\/imposi&ccedil;&otilde;es legais que a eles surgem associadas (entrando-se na &aacute;rea da chamada Supervis&atilde;o Comportamental,<br \/>\n\tonde o legislador &eacute; chamado a intervir formalmente no mercado, afastando a liberdade das partes em face um acentuado desequil&iacute;brio de posi&ccedil;&otilde;es dos contraentes e promovendo a a&ccedil;&atilde;o, seja regulamentar seja fiscalizadora,<br \/>\n\tde entidades reguladoras).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestas breves linhas vamos limitar-nos a chamar a aten&ccedil;&atilde;o para este produto banc&aacute;rio na sequ\u0119ncia de uma recente iniciativa do Banco de Portugal que teve bastante eco na impressa nacional, e que pode relacionar-se com uma outra not&iacute;cia<br \/>\n\trelativa &agrave; n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o de pagamentos com cart&atilde;o em opera&ccedil;&otilde;es de valor inferior a 20 EUR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em comum estas duas not&iacute;cias estar&aacute; o tema das comiss&otilde;es banc&aacute;rias, uma das maiores fontes de receita dos bancos, mas que variam muit&iacute;ssimo em fun&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios fatores que estejam presentes, e que<br \/>\n\tdevem constar dos Pre&ccedil;&aacute;rios das institui&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito que as exijam, sendo um aspeto fortemente escrutinado quer por associa&ccedil;&otilde;es de consumidores quer pelo supervisor banc&aacute;rio, que n&atilde;o pode<br \/>\n\tser descurado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recente estrat&eacute;gia banc&aacute;ria de convers&atilde;o em massa de milhares de cart&otilde;es de d&eacute;bito (simples ou normais) em CDD&rsquo;s levou a que se passassem a aplicar &agrave;s transa&ccedil;&otilde;es feitas com esses novos cart&otilde;es<br \/>\n\tas correspondentes comiss&otilde;es de utiliza&ccedil;&atilde;o, mais elevadas para estes produtos h&iacute;bridos do que para os cart&otilde;es de d&eacute;bito simples, uma op&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o prejudica financeiramente os titulares dos<br \/>\n\tCDD&rsquo;s mas sim os comerciantes com aos quais sejam realizadas transa&ccedil;&otilde;es utilizando aquele meio de pagamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para atividades que impliquem lidar diariamente com milh&otilde;es de pagamentos efetuados com cart&otilde;es banc&aacute;rios e sabendo-se que essas utiliza&ccedil;&otilde;es trazem custos traduzidos nas comiss&otilde;es a pagar aos intervenientes no<br \/>\n\tprocesso de pagamento, n&atilde;o custa imaginar que a medida de convers&atilde;o de cart&otilde;es de d&eacute;bito em CDD&rsquo;s e inerente subida de comiss&otilde;es pelo seu uso tenha motivado medidas de limita&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero<br \/>\n\tde opera&ccedil;&otilde;es executadas com recurso aos mesmos, como as j&aacute; referidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esclare&ccedil;a-se que existem basicamente tr\u0119s tipos de cart&otilde;es banc&aacute;rios: o cart&atilde;o de d&eacute;bito (normal ou imediato), onde a conta do utilizador &eacute; debitada imediatamente pelo pagamento efetuado; o cart&atilde;o de cr&eacute;dito,<br \/>\n\tonde o pagamento &eacute; feito contra um cr&eacute;dito automaticamente concedido ao utilizador do cart&atilde;o e que, durante um determinado per&iacute;odo &eacute; gratuito mas se prolongado, passa a estar sujeito a juros; e o cart&atilde;o de d&eacute;bito<br \/>\n\tdiferido (CDD), objeto deste coment&aacute;rio, onde a conta do utilizador &eacute; debitada com um curto desfasamento temporal, em regra de apenas alguns dias, relativamente &agrave; data do pagamento (aqui existe, portanto, um cr&eacute;dito, gratuito,<br \/>\n\tmas de muito curto prazo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se cada tipo de cart&atilde;o corresponde a diferentes necessidades e oportunidades, cada tipo de cart&atilde;o ter&aacute; depois modelos de neg&oacute;cio (e logo remunera&ccedil;&otilde;es\/custos) diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como salientado, o Banco de Portugal divulgou no passado dia 31 de Agosto 2012 uma nota oficial reagindo a uma not&iacute;cia da imprensa desse mesmo dia, que deu conta do facto de alguns bancos terem alterado o regime aplic&aacute;vel aos seus cart&otilde;es<br \/>\n\tde d&eacute;bito convertendo-os em CDD&rsquo;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em face do impacto dessa not&iacute;cia no mercado e, atenta a forma universal como s&atilde;o usados os cart&otilde;es de d&eacute;bito, o supervisor banc&aacute;rio entendeu que deveria aproveitar a chamada de aten&ccedil;&atilde;o para essa vaga de<br \/>\n\t&ldquo;novos&rdquo; cart&otilde;es e entendeu divulgar uma breve nota sobre o assunto, cujo interesse tamb&eacute;m merece aqui a nossa aten&ccedil;&atilde;o: em termos resumidos, o Banco de Portugal esclareceu que, de acordo com a sua interpreta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tdas normas banc&aacute;rias internacionais, os CDD&rsquo;s se enquadram legalmente no grupo dos cart&otilde;es de cr&eacute;dito, ainda que o seu nome possa induzir o contr&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa medida os cart&otilde;es de d&eacute;bito diferido podem encontrar-se sujeitos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 30px;\"><strong>(i)<\/strong> &agrave;s regras da Diretiva europeia que regula os produtos de cr&eacute;dito aos consumidores, sempre que o respetivo plafond for superior a 200 euros (trata-se da Diretiva n&ordm;2008\/48\/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho,<br \/>\n\tde 23 de Abril, relativa a contratos de cr&eacute;dito aos consumidores, transposta para a ordem jur&iacute;dica interna pelo Decreto-Lei n&ordm; 133\/2009, de 2 de Junho);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 30px;\"><strong>(ii)<\/strong> &agrave;s disposi&ccedil;&otilde;es da Diretiva dos Servi&ccedil;os de Pagamento. (trata-se da Diretiva n&ordm;2007\/64\/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de Novembro, relativa aos servi&ccedil;os de pagamento no mercado<br \/>\n\tinterno transposta para a ordem jur&iacute;dica interna pelo Decreto-Lei n&ordm; 317\/2009, de 30 de Outubro)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especificamente em sede de direito interno, se a amplitude da defini&ccedil;&atilde;o de &ldquo;servi&ccedil;os de pagamento&rdquo; inclu&iacute;da no Decreto-Lei n&ordm; 317\/2009 n&atilde;o deixa qualquer espa&ccedil;o para que o cart&atilde;o de d&eacute;bito<br \/>\n\tdiferido fique de fora do seu &acirc;mbito de aplica&ccedil;&atilde;o, os contratos de utiliza&ccedil;&atilde;o de cart&atilde;o de d&eacute;bito diferido j&aacute; s&oacute; ficar&atilde;o sujeitos &agrave;s regras do Decreto-Lei n&ordm;133\/2009 se<br \/>\n\te quando (i) esse contrato de utiliza&ccedil;&atilde;o seja celebrado com um consumidor, (ii) o limite m&aacute;ximo de utiliza&ccedil;&atilde;o seja igual ou superior a 200 euros, e (iii) haja encargos associados ao cart&atilde;o (como por exemplo,<br \/>\n\tse estiver previsto o pagamento de uma anuidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, se enquadrarmos os CDD&rsquo;s no &acirc;mbito do Decreto-Lei n&ordm;133\/2009, as institui&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito que comercializem este produto (de cr&eacute;dito) passam a estar obrigadas a cumprir vastos deveres de informa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tali consagrados, bem como os previstos na sua regulamenta&ccedil;&atilde;o complementar e, bem assim a cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es decorrentes do regime de taxas m&aacute;ximas, pelo que a qualifica&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica deste produto,<br \/>\n\th&iacute;brido por natureza, deve ser feita com o devido cuidado j&aacute; que a ela estar&atilde;o associadas importantes consequ\u0119ncias jur&iacute;dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Banco de Portugal reitera depois no seu comunicado aquele seu entendimento de que um CDD, para poder ser legalmente comercializado sob essa designa&ccedil;&atilde;o, ter&aacute; de apresentar as seguintes caracter&iacute;sticas cumulativas: (i) ter<br \/>\n\tum plafond de cr&eacute;dito associado, cuja utiliza&ccedil;&atilde;o, sem juros, &eacute; obrigatoriamente reembolsada, na totalidade, numa data definida entre as partes; e (ii) n&atilde;o poder a utiliza&ccedil;&atilde;o do cart&atilde;o em terminais<br \/>\n\tde pagamento autom&aacute;tico (TPA), desde que at&eacute; ao montante desse plafond, afetar o saldo dispon&iacute;vel do titular do cart&atilde;o antes da referida data.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, &eacute; precisamente porque alguns produtos comercializados em Portugal sob aquela designa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o cumprem na &iacute;ntegra com estas duas exig\u0119ncias que o Banco de Portugal reagiu &agrave; chamada de aten&ccedil;&atilde;o vinda<br \/>\n\tda imprensa, convidando-nos a abordar uma realidade que, n&atilde;o sendo nova, exige hoje redobrada aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Restar&aacute; aos consumidores afetados passarem a estar mais atentos &agrave; gest&atilde;o da sua conta (o diferimento do d&eacute;bito pode confundir a sua an&aacute;lise do extrato relativo &agrave; sua conta e dificultar a sua gest&atilde;o financeira),<br \/>\n\taos comerciantes tomarem as medidas ao seu alcance para n&atilde;o verem agravadas as condi&ccedil;&otilde;es financeiras em que operam (seja renegociando as comiss&otilde;es, seja adaptando o seu modelo de neg&oacute;cio aos custos que o mesmo implica),<br \/>\n\t&agrave;s institui&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito caber&aacute; estarem atentas &agrave;s caracter&iacute;sticas dos produtos que pretendem comercializar e cumprirem com as respetivas obriga&ccedil;&otilde;es a que cada um deles d&aacute; azo, e<br \/>\n\tao Banco de Portugal caber&aacute; por sua vez continuar a desenvolver a&ccedil;&otilde;es fiscalizadoras para a avalia&ccedil;&atilde;o do cumprimento do enquadramento normativo dos cart&otilde;es de d&eacute;bito diferido. Last but not least, caber-nos-&aacute;<br \/>\n\tenquanto assessores jur&iacute;dicos e advogados assistir uns e outros na condu&ccedil;&atilde;o dos seus assuntos, promovendo um melhor conhecimento da lei pelos seus visados e ajudando-os a preparar-se e a planificar as suas atividades, ponderando<br \/>\n\tcustos e conhecendo as suas obriga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabendo que o CDD j&aacute; est&aacute; presente nos mercados h&aacute; algum tempo cremos que esta chamada de aten&ccedil;&atilde;o pelo Banco de Portugal vem em boa hora para podermos aclarar os seus contornos legais e analisar o regime jur&iacute;dico<br \/>\n\ta que est&aacute; sujeita a sua comercializa&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o, alertando os diversos operadores para este tema de gest&atilde;o banc&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/abogados-lisboa\/Joao-Pereira-Marques.jpg\" alt=\"Joao-Pereira-Marques\" width=\"70\" height=\"99\" title=\"Jose-Luis-Garcia-Gracia - Derecho Procesal\" \/>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-3908","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/3908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3908"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=3908"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=3908"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=3908"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=3908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}