{"id":3948,"date":"2013-02-25T23:00:00","date_gmt":"2013-02-25T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"o-seguro-de-saude-alguns-aspetos-do-seu-regime-juridico","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/o-seguro-de-saude-alguns-aspetos-do-seu-regime-juridico\/","title":{"rendered":"O seguro de sa\u00fade (alguns aspetos do seu regime jur\u00eddico)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O seguro de sa&uacute;de encontra-se consagrado na Lei do Contrato de Seguro (LCS), aprovada pelo Decreto-Lei n.&ordm; 72\/2008, de 16 de abril, no &uacute;ltimo cap&iacute;tulo daquele diploma legal, que abrange tamb&eacute;m o seguro de acidentes pessoais (artigos 210.&ordm; e ss.). A lei define-o pelo seu objeto, estipulando que, atrav&eacute;s dele, o segurador cobre riscos relacionados com a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de (artigo 213.&ordm;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defini&ccedil;&atilde;o legal pode ser considerada um pouco vaga, percebendo-se que foi inten&ccedil;&atilde;o do legislador deixar para a autonomia privada das partes os riscos que se pretende ver assegurados, apenas estabelecendo o limite de que ter&atilde;o de ser riscos relacionados com a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradicionalmente, s&atilde;o abrangidos pelos seguros de sa&uacute;de n&atilde;o s&oacute; os chamados seguros de doen&ccedil;a mas tamb&eacute;m as despesas resultantes de tratamentos m&eacute;dicos e situa&ccedil;&otilde;es conexas ou afins como partos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As regras de estorno do pr&eacute;mio por cessa&ccedil;&atilde;o antecipada do contrato, ou seja, a obriga&ccedil;&atilde;o de restitui&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;mios pagos ao segurado no caso de o contrato de seguro cessar a sua vig&ecirc;ncia antes do prazo, previstas no artigo 107.&ordm; da LCS, n&atilde;o se aplicam aos seguros de doen&ccedil;a de longa dura&ccedil;&atilde;o (n.&ordm; 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei imp&otilde;e que nas ap&oacute;lices de seguros de sa&uacute;de anuais renov&aacute;veis figure, de forma bem vis&iacute;vel e destacada, o seguinte (art. 214.&ordm;):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">a) O segurador apenas cobre o pagamento das presta&ccedil;&otilde;es convencionadas ou das despesas efetuadas em cada ano de vig&ecirc;ncia do contrato;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">b) As condi&ccedil;&otilde;es de indemniza&ccedil;&atilde;o em caso de n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o do contrato ou da cobertura da pessoa segura respeitam ao risco coberto no contrato, de acordo com o disposto no artigo 217.&ordm;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A remiss&atilde;o para as normas do artigo 217.&ordm; tem raz&atilde;o de ser porquanto estas imp&otilde;em ao segurador a proibi&ccedil;&atilde;o de recusar as presta&ccedil;&otilde;es resultantes de doen&ccedil;a manifestada ou outro facto ocorrido na vig&ecirc;ncia do contrato, desde que cobertos pelo seguro e desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes condi&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">a) Caso o contrato ou a cobertura n&atilde;o sejam renovados;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">b) O risco n&atilde;o esteja coberto por um contrato de seguro posterior;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">c) N&atilde;o tenham decorrido mais de dois anos a seguir ao momento da cessa&ccedil;&atilde;o do contrato de seguro;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">d) N&atilde;o se tenha esgotado o capital seguro no &uacute;ltimo per&iacute;odo de vig&ecirc;ncia do contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav&eacute;s deste artigo, imp&otilde;e-se que o seguro de sa&uacute;de cubra o chamado &ldquo;risco de posteridade&rdquo;, ou seja, o risco de s&oacute; ap&oacute;s o fim do prazo de cobertura do contrato se manifestar o dano para cuja repara&ccedil;&atilde;o o contrato &eacute; celebrado O artigo 215.&ordm; da LCS exclui o seguro de sa&uacute;de do regime do agravamento do risco, previsto nos artigos 93.&ordm; e 94.&ordm;, relativamente &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es do estado de sa&uacute;de da pessoa segura e, ainda, da obriga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de pluralidade de seguros, prevista no n.&ordm;s 2 e 3 do artigo 180.&ordm;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve esclarecer-se que os referidos artigos 93.&ordm; e 94.&ordm; da LCS cont&ecirc;m normas aplic&aacute;veis ao contrato de seguro em geral e que imp&otilde;em ao tomador ou ao segurado a obriga&ccedil;&atilde;o de, durante a execu&ccedil;&atilde;o do contrato, comunicar ao segurador todas as circunst&acirc;ncias que agravem o risco, desde que estas, caso fossem conhecidas pelo segurador aquando da celebra&ccedil;&atilde;o do contrato, tivessem podido influir na decis&atilde;o de contratar ou nas condi&ccedil;&otilde;es do contrato. Disp&otilde;em para o cumprimento desta obriga&ccedil;&atilde;o de um prazo de 14 dias a contar do conhecimento do facto que importa o agravamento do risco (cf. art. 93.&ordm;, n.&ordm; 1). O artigo 94.&ordm; cont&eacute;m por sua vez regras delimitadoras do comportamento do segurador em face da ocorr&ecirc;ncia de um sinistro cuja verifica&ccedil;&atilde;o ou consequ&ecirc;ncia tenha sido influenciada pelo agravamento do risco, referido no artigo 93.&ordm;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, a obriga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o que se cont&eacute;m nos n.&ordm;s 2 e 3 do artigo 180.&ordm; imp&otilde;e ao tomador do seguro ou ao segurado o dever de informar o segurador da exist&ecirc;ncia ou contrata&ccedil;&atilde;o de seguros relativos ao mesmo risco. Esta obriga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se aplica, como se viu, ao seguro de sa&uacute;de.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo 216.&ordm; disp&otilde;e sobre doen&ccedil;as preexistentes, ou seja, doen&ccedil;as que j&aacute; existiam no momento da celebra&ccedil;&atilde;o do contrato de seguro. Se as mesmas forem conhecidas da pessoa segura &agrave; data da realiza&ccedil;&atilde;o do contrato, consideram-se abrangidas na cobertura convencionada pelo segurador, podendo, no entanto, ser exclu&iacute;das por acordo em contr&aacute;rio, de modo gen&eacute;rico ou especificadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Determina-se que o contrato de seguro possa ainda prever um per&iacute;odo de car&ecirc;ncia n&atilde;o superior a um ano para a cobertura de doen&ccedil;as preexistentes (216.&ordm;, n.&ordm; 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, deve ainda fazer-se refer&ecirc;ncia ao artigo 179.&ordm; da LCS, que imp&otilde;e que as ap&oacute;lices do seguro de acidentes pessoais e do seguro de sa&uacute;de de longa dura&ccedil;&atilde;o, dever&atilde;o especificar, em termos bem destacados, o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">a) A extin&ccedil;&atilde;o do direito &agrave;s garantias;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">b) A eventual extens&atilde;o da garantia para al&eacute;m do termo do contrato;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">c) O regime de evolu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o dos pr&eacute;mios na vig&ecirc;ncia do contrato.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-3948","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/3948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3948"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=3948"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=3948"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=3948"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=3948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}