{"id":3952,"date":"2013-05-23T22:00:00","date_gmt":"2013-05-23T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"a-possibilidade-de-acesso-a-prestacoes-de-desemprego-por-parte-de-socio-gerente-nao-remunerado","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/a-possibilidade-de-acesso-a-prestacoes-de-desemprego-por-parte-de-socio-gerente-nao-remunerado\/","title":{"rendered":"A possibilidade de acesso a presta\u00e7\u00f5es de desemprego por parte de s\u00f3cio gerente n\u00e3o remunerado"},"content":{"rendered":"<p>No passado dia 15 de maio de 2013 foi publicado o Ac&oacute;rd&atilde;o do Supremo Tribunal Administrativo n.&ordm; 4\/2013 (&ldquo;Ac&oacute;rd&atilde;o&rdquo;), que veio uniformizar jurisprud&ecirc;ncia relativamente &agrave; quest&atilde;o de saber se um trabalhador cujo contrato de trabalho por conta de outrem cessou, que &eacute; em simult&acirc;neo s&oacute;cio gerente n&atilde;o remunerado de sociedade comercial, obsta ou n&atilde;o &agrave; ocorr&ecirc;ncia da eventualidade de desemprego, de acordo com a sua caracteriza&ccedil;&atilde;o legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest&atilde;o objeto do referido Ac&oacute;rd&atilde;o &eacute; assim a de saber se, no caso de trabalhador que se encontre na situa&ccedil;&atilde;o supra descrita, se verifica inexist&ecirc;ncia total e involunt&aacute;ria de emprego, enquanto pressuposto legal de atribui&ccedil;&atilde;o de presta&ccedil;&otilde;es de desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I. Caracteriza&ccedil;&atilde;o da eventualidade de desemprego<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o disposto no artigo 2.&ordm;\/1 do Decreto-Lei n.&ordm; 220\/2006 de 3.11, que estabelece o regime jur&iacute;dico de prote&ccedil;&atilde;o social da eventualidade de desemprego dos trabalhadores por conta de outrem, &eacute; considerado desemprego &ldquo;<em>&hellip; toda a situa&ccedil;&atilde;o decorrente da inexist&ecirc;ncia total e involunt&aacute;ria de emprego do benefici&aacute;rio com capacidade e disponibilidade para o trabalho, inscrito para emprego no centro de emprego<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o n.&ordm; 2 da mesma normal legal, considera-se que o requisito de inexist&ecirc;ncia de emprego se verifica tamb&eacute;m nas situa&ccedil;&otilde;es em que &ldquo;<em>&hellip; cumulativamente com o trabalho por conta de outrem, cujo contrato de trabalho cessou, o benefici&aacute;rio exerce uma atividade independente cujos rendimentos n&atilde;o ultrapassem mensalmente 50% da retribui&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima mensal garantida<\/em>&rdquo;, ou seja, 242,5&euro;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, na carateriza&ccedil;&atilde;o do conceito de desemprego deve ter-se tamb&eacute;m presente o seu objetivo, que &eacute; compensar os benefici&aacute;rios da falta de retribui&ccedil;&atilde;o resultante da situa&ccedil;&atilde;o de desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, o fato de o artigo 2.&ordm;\/1 do Decreto-Lei n.&ordm; 220\/2006 n&atilde;o fazer qualquer refer&ecirc;ncia &agrave; remunera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o dever permitir que se conclua que basta qualquer atividade, mesmo n&atilde;o remunerada, para afastar a exist&ecirc;ncia de situa&ccedil;&atilde;o de desemprego, necess&aacute;ria para efeitos de atribui&ccedil;&atilde;o de presta&ccedil;&otilde;es por desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa medida, na verifica&ccedil;&atilde;o do requisito de inexist&ecirc;ncia de emprego deve tamb&eacute;m relevar a inexist&ecirc;ncia de remunera&ccedil;&atilde;o, ou seja, a inexist&ecirc;ncia de emprego remunerado, enquanto elemento essencial do pr&oacute;prio contrato de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II. Enquadramento perante a Seguran&ccedil;a Social<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos termos do artigo 63.\/(b) do C&oacute;digo dos regimes Contributivos e do Sistema Previdencial de Seguran&ccedil;a Social, os s&oacute;cios gerentes de sociedades comerciais que, nos termos do pacto social, detenham essa qualidade, mas n&atilde;o exer&ccedil;am de fato essa atividade, nem aufiram a correspondente remunera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o est&atilde;o abrangidos pelo regime geral de seguran&ccedil;a social dos trabalhadores por conta de outrem. Assim, pelo menos face &agrave; Seguran&ccedil;a Social, o s&oacute;cio gerente cujo contrato de trabalho com outra empresa cessou, porque n&atilde;o podia estar integrado noutros regimes especiais de Seguran&ccedil;a Social, deveria sempre ser considerado como trabalhador independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E neste caso, <span style=\"text-decoration: underline;\">para a Seguran&ccedil;a Social poder obstar &agrave; atribui&ccedil;&atilde;o de presta&ccedil;&otilde;es de desemprego<\/span>, teria de demonstrar que recebia, enquanto s&oacute;cio gerente de sociedade comercial, um rendimento mensal superior a 50% da remunera&ccedil;&atilde;o mensal m&iacute;nima garantida, ou seja 242,5&euro;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>III. Conclus&atilde;o<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ac&oacute;rd&atilde;o supra indicado concluiu assim que a condi&ccedil;&atilde;o de s&oacute;cio gerente de uma sociedade comercial, sem remunera&ccedil;&atilde;o, de um trabalhador por conta de outrem cujo contrato de trabalho cessou, n&atilde;o obsta &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da respetiva situa&ccedil;&atilde;o como de desemprego, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 2.&ordm;\/1 do Decreto-Lei n.&ordm; 220\/2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-3952","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/3952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3952"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=3952"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=3952"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=3952"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=3952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}