{"id":3972,"date":"2013-11-06T23:00:00","date_gmt":"2013-11-06T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-processual-arbitragem-lisboa-porto-aprovacao-plano-insolvencia-execucao-contra-avalistas","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-processual-arbitragem-lisboa-porto-aprovacao-plano-insolvencia-execucao-contra-avalistas\/","title":{"rendered":"A aprova\u00e7\u00e3o do plano de insolv\u00eancia obsta \u00e0 execu\u00e7\u00e3o contra os avalistas?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O tema aqui abordado consiste t&atilde;o-somente em saber se o credor, portador de uma letra\/livran&ccedil;a, pode exigir ao avalista o pagamento imediato do t&iacute;tulo, ap&oacute;s ter ficado estabelecido no plano de insolv&ecirc;ncia da sociedade subscritora, a exist&ecirc;ncia de uma morat&oacute;ria para o cumprimento das suas obriga&ccedil;&otilde;es, ou seja, podem os avalistas defender-se com a excep&ccedil;&atilde;o do plano de insolv&ecirc;ncia, quando nesse mesmo plano est&aacute; contemplada uma derroga&ccedil;&atilde;o ao art. 91.&ordm; n&ordm;1 do CIRE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa pois aqui perceber, se os contornos fixados no plano de insolv&ecirc;ncia aprovado e homologado, imp&otilde;e de alguma forma ao credor\/exequente que este apenas venha a obter o ressarcimento do seu cr&eacute;dito &#8211; titulado na letra\/livran&ccedil;a subscrita pela sociedade insolvente &#8211; nos termos e condi&ccedil;&otilde;es constantes do referido plano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, &eacute; igualmente relevante perceber, se o avalista\/executado poder&aacute; socorrer-se em sede de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; execu&ccedil;&atilde;o, do argumento de que &eacute; respons&aacute;vel nos mesmos termos que a pessoa afian&ccedil;ada, pugnando pela inexigibilidade do t&iacute;tulo, pelo facto do mesmo ser ainda inexig&iacute;vel &agrave; sociedade insolvente, principal pagadora. Da leitura do artigo 32.&ordm; da LULL a resposta a esta pergunta poderia parecer afirmativa, todavia, n&atilde;o cremos que tal posi&ccedil;&atilde;o seja de adoptar. Sen&atilde;o vejamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aval &eacute; o acto jur&iacute;dico cuja fun&ccedil;&atilde;o &eacute; a de garantir o pagamento do cr&eacute;dito cambi&aacute;rio, tendo como finalidade essencial refor&ccedil;ar a seguran&ccedil;a do tomador na definitiva satisfa&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito inscrito no t&iacute;tulo em que o aval &eacute; prestado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O avalista n&atilde;o &eacute; sujeito da rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica existente entre o portador e o subscritor do t&iacute;tulo, mas t&atilde;o s&oacute; da rela&ccedil;&atilde;o subjacente &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o cambi&aacute;ria estabelecida entre ele e o seu avalizado. Daqui resulta que a obriga&ccedil;&atilde;o do avalista &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o materialmente aut&oacute;noma, uma vez que o avalista se responsabiliza pela pessoa que avaliza, assumindo a responsabilidade, abstracta e objectiva, pelo pagamento do t&iacute;tulo. Ou seja, o avalista n&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel ou n&atilde;o se obriga ao cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;da pelo avalizado, mas t&atilde;o s&oacute; ao pagamento da quantia inscrita no t&iacute;tulo de cr&eacute;dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, a circunst&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o subjacente se modificar, em virtude das medidas implementadas no plano, n&atilde;o implica que esses efeitos se repercutam na rela&ccedil;&atilde;o cambi&aacute;ria, a qual dever&aacute; permanecer indiferente &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es que se processem na rela&ccedil;&atilde;o subjacente, n&atilde;o acompanhando as altera&ccedil;&otilde;es temporais e\/ou de qualidade da obriga&ccedil;&atilde;o causal. Em conson&acirc;ncia com a teoria de independ&ecirc;ncia do aval, que defendemos, disp&otilde;e o n.&ordm; 4 do artigo 217.&ordm; do CIRE, que: &ldquo;As provid&ecirc;ncias previstas no plano de insolv&ecirc;ncia com incid&ecirc;ncia no passivo do devedor n&atilde;o afectam a exist&ecirc;ncia nem o montante dos direitos dos credores da insolv&ecirc;ncia contra os condevedores ou os terceiros garantes da obriga&ccedil;&atilde;o, mas estes sujeitos apenas poder&atilde;o agir contra o devedor em via de regresso nos termos em que o credor da insolv&ecirc;ncia pudesse exercer contra ele os seus direitos&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, parece ser de concluir que o credor quando vota favoravelmente a um plano de insolv&ecirc;ncia, vota um conjunto de medidas que s&oacute; se aplicam &agrave; sociedade insolvente. N&atilde;o parece de admitir que o credor fique impossibilitado de accionar os respectivos avalistas, n&atilde;o insolventes, os quais n&atilde;o se encontram impossibilitados de cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es que livremente assumiram, face &agrave; autonomia da obriga&ccedil;&atilde;o do aval que prestaram.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-3972","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/3972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3972"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=3972"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=3972"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=3972"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=3972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}