{"id":3987,"date":"2014-02-25T23:00:00","date_gmt":"2014-02-25T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-laboral-lisboa-oporto-portugal-pacto-concorrencia","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-laboral-lisboa-oporto-portugal-pacto-concorrencia\/","title":{"rendered":"O pacto de n\u00e3o concorr\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma vez cessado o contrato de trabalho est&aacute; o trabalhador desvinculado de qualquer dever de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia para com o seu antigo empregador. Por&eacute;m, a t&iacute;tulo excecional, e verificados certos requisitos, podem empregador e trabalhador celebrar um pacto de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia, o qual produz os seus efeitos ap&oacute;s a cessa&ccedil;&atilde;o do contrato de trabalho.<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S&atilde;o nulas, de uma forma geral, as cl&aacute;usulas de contrato de trabalho ou de instrumento de regulamenta&ccedil;&atilde;o coletiva de trabalho que, por qualquer forma, possam prejudicar o exerc&iacute;cio da liberdade de trabalho ap&oacute;s a cessa&ccedil;&atilde;o do contrato de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; o que disp&otilde;e o artigo 136.&ordm;\/1 do C&oacute;digo do Trabalho, em aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da liberdade de trabalho estabelecido no artigo 47.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa. Trata-se do direito de n&atilde;o ser impedido de exercer uma profiss&atilde;o para a qual se t&ecirc;m os necess&aacute;rios requisitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Admite-se, contudo, que verificadas certas condi&ccedil;&otilde;es, empregador e trabalhador limitem a normal liberdade do trabalhador em prestar a sua atividade para qualquer empregador uma vez cessada a rela&ccedil;&atilde;o laboral. Trata-se do pacto de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia, sujeito aos seguintes requisitos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\">(a) Limites temporais: m&aacute;ximo de 2 anos ap&oacute;s a cessa&ccedil;&atilde;o do contrato de trabalho. Tratando-se de trabalhador afeto ao exerc&iacute;cio de atividade cuja natureza suponha especial rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a ou que tenha acesso a informa&ccedil;&atilde;o particularmente sens&iacute;vel no plano da concorr&ecirc;ncia, este limite pode ser aumentado para 3 anos;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\">(b) Constar de acordo escrito: este acordo escrito tanto pode ser (i) o pr&oacute;prio contrato de trabalho, (ii) um acordo aut&oacute;nomo que apenas tenha como objetivo estabelecer a obriga&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia ap&oacute;s a cessa&ccedil;&atilde;o do contrato de trabalho, bem como (iii) um acordo de revoga&ccedil;&atilde;o de contrato de trabalho, situa&ccedil;&atilde;o em que a obriga&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia &eacute;, principalmente, um efeito acess&oacute;rio da revoga&ccedil;&atilde;o do contrato de trabalho;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\">(c) Tratar-se de atividade cujo exerc&iacute;cio possa causar preju&iacute;zo ao empregador: para aferir deste crit&eacute;rio n&atilde;o basta considerar o normal preju&iacute;zo que um empregador sofre em virtude de um seu trabalhador passar a desempenhar a sua atividade junto de um concorrente. O preju&iacute;zo que aqui est&aacute; em causa &eacute; o derivado da transmiss&atilde;o de know-how espec&iacute;fico adquirido ao servi&ccedil;o do antigo empregador. Trata-se do risco, assim chamado pela doutrina, de &ldquo;concorr&ecirc;ncia diferencial&rdquo;, ou seja, a especificidade da concorr&ecirc;ncia que um antigo trabalhador est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de realizar relativamente ao seu ex-empregador, por ter trabalhado para ele;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\">(d) Atribuir uma compensa&ccedil;&atilde;o ao trabalhador durante o per&iacute;odo de limita&ccedil;&atilde;o da atividade: o C&oacute;digo do Trabalho n&atilde;o quantifica nem fornece qualquer crit&eacute;rio para determinar o valor da compensa&ccedil;&atilde;o a pagar, a qual n&atilde;o tem de coincidir com a retribui&ccedil;&atilde;o mensal do trabalhador. Contudo, tem de tratar-se de uma compensa&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria justa, proporcional e adequada, que compense suficientemente o trabalhador pela perda de rendimentos derivada da restri&ccedil;&atilde;o da sua atividade. Ou seja, n&atilde;o se trata de pagar uma qualquer contrapartida do trabalho, mas sim de compensar o trabalhador pelo facto de n&atilde;o poder trabalhar numa determinada atividade, quando a sua experi&ecirc;ncia e saber lhe permitiriam obter consider&aacute;veis proventos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 60px;\">(e) Limites geogr&aacute;ficos: ainda que o C&oacute;digo do Trabalho n&atilde;o o mencione, a doutrina concorda em sujeitar a cl&aacute;usula de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia a uma determinada limita&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, uma vez que apenas se justifica a restri&ccedil;&atilde;o &agrave; atividade do trabalhador quando ela se verifica na mesma zona geogr&aacute;fica onde o ex-empregador desenvolve a sua atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pese embora a celebra&ccedil;&atilde;o de um pacto de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia, o trabalhador n&atilde;o fica, em absoluto, privado do seu direito ao trabalho. Na verdade, uma vez que se trata de uma limita&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria a um direito de personalidade, pode o trabalhador revog&aacute;-la a todo o tempo, ainda que tenha obriga&ccedil;&atilde;o de indemnizar o empregador pelos preju&iacute;zos causados &agrave;s suas leg&iacute;timas expectativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; o empregador n&atilde;o tem a possibilidade de renunciar a uma cl&aacute;usula de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia que tenha acordado com um seu trabalhador, designadamente em virtude de o trabalhador n&atilde;o representar nenhum risco de concorr&ecirc;ncia diferencial, como acima mencionado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali&aacute;s, uma cl&aacute;usula que preveja a possibilidade de o empregador denunciar o pacto at&eacute; ao momento da cessa&ccedil;&atilde;o do contrato de trabalho, ou que reserve ao empregador a possibilidade de invocar a obriga&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia apenas nesse momento, viola a boa-f&eacute; e &eacute; nula e de nenhum efeito, uma vez que estamos na presen&ccedil;a de normas legais imperativas. Na verdade, no momento da cessa&ccedil;&atilde;o do contrato de trabalho o trabalhador j&aacute; sofreu uma limita&ccedil;&atilde;o na pr&oacute;pria liberdade do trabalho, uma vez que apenas pode considerar um menor n&uacute;mero de op&ccedil;&otilde;es profissionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa medida, deve o empregador ponderar com muito cuidado a estipula&ccedil;&atilde;o de uma cl&aacute;usula de n&atilde;o concorr&ecirc;ncia, n&atilde;o s&oacute; de forma a cumprir com os seus requisitos de validade (sendo muitas vezes dif&iacute;cil determinar o que &eacute; uma compensa&ccedil;&atilde;o justa, adequada e proporcional), mas tendo tamb&eacute;m presente que, findo o contrato de trabalho, ter&aacute; de a cumprir integralmente, ainda que o trabalhador n&atilde;o represente, naquele momento, qualquer risco para a sua atividade.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-3987","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/3987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3987"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=3987"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=3987"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=3987"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=3987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}