{"id":4005,"date":"2014-07-27T22:00:00","date_gmt":"2014-07-27T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-direito-bancario-lisboa-porto-portugal-forca-executoria-documento-particular","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-direito-bancario-lisboa-porto-portugal-forca-executoria-documento-particular\/","title":{"rendered":"A for\u00e7a execut\u00f3ria do documento particular assinado pelo devedor ao abrigo do novo C\u00f3digo de Processo Civil (C.P.C.), aprovado pela Lei 41\/2013 de 26 de Junho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No  propomo-nos analisar os efeitos da efic&aacute;cia retroativa da lei processual civil, nomeadamente no elenco dos t&iacute;tulos executivos consagrados no Artigo 703.&ordm;, com especial incid&ecirc;ncia nos documentos particulares assinados pelo devedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Exposi&ccedil;&atilde;o dos Motivos apresentada na Proposta de Lei n.&ordm; 113\/XII, que deu lugar &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o do novo C.P.C., os documentos particulares assinados pelo devedor deixaram de ter for&ccedil;a execut&oacute;ria para eliminar o n&uacute;mero de ac&ccedil;&otilde;es executivas e, por iner&ecirc;ncia, agilizar e simplificar o processo executivo, evitando o levantamento quest&otilde;es complexas e de dif&iacute;cil resolu&ccedil;&atilde;o judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest&atilde;o que nos assola &eacute;, pois, determinar se os documentos assinados pelo devedor, antes da vig&ecirc;ncia do novo c&oacute;digo, deixaram de constituir t&iacute;tulo executivo, por for&ccedil;a dos princ&iacute;pios legislativos e sociais previstos na referida Proposta de Lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A remo&ccedil;&atilde;o dos documentos particulares da lista de t&iacute;tulos executivos configura uma profunda altera&ccedil;&atilde;o no nosso ordenamento jur&iacute;dico, na medida em que os titulares dos documentos particulares assinados pelo devedor ficam impossibilitados de exigir o cumprimento do contrato atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o executiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aplica&ccedil;&atilde;o retroativa da nova lei aos documentos particulares que anteriormente eram dotados de exequibilidade viola, claramente, o princ&iacute;pio da seguran&ccedil;a e da protec&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a, consagrados na nossa Constitui&ccedil;&atilde;o, uma vez que frustra a expectativa e a confian&ccedil;a que o titular do documento particular depositou no ordenamento jur&iacute;dico. Alterar, sem mais, essa tutela jur&iacute;dica, seria admitir que o nosso ordenamento jur&iacute;dico fosse sucessivamente adaptado aos novos princ&iacute;pios orientadores do nosso sistema judicial, sem proteger os direitos, interesses e legitimas expectativas individuais dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a aplica&ccedil;&atilde;o retroativa da lei processual apenas se configura para aquelas situa&ccedil;&otilde;es de necessidade de tutela de interesses p&uacute;blicos que, pela sua import&acirc;ncia, prevalecem sobre os interesses processuais e individuais de cada um, o que nos conduz invariavelmente a uma outra quest&atilde;o: A elimina&ccedil;&atilde;o dos documentos particulares do elenco de t&iacute;tulos executivos com vista a reduzir o n&uacute;mero de ac&ccedil;&otilde;es executivas e a agilizar o processo executivo dever&aacute; prevalecer sobre os interesses e legitimas expectativas individuais depositadas no nosso ordenamento jur&iacute;dico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos indubitavelmente que n&atilde;o e a justifica&ccedil;&atilde;o para esta tomada de posi&ccedil;&atilde;o encontra-se claramente explanada no recente Ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o de &Eacute;vora de 27 de Fevereiro de 2014, que concluiu o seguinte: &laquo;Os fins que visam alcan&ccedil;ar com a elimina&ccedil;&atilde;o dos documentos particulares do elenco dos t&iacute;tulos executivos n&atilde;o constituem raz&otilde;es de tal forma ponderosas para o bem comum coletivo que justifiquem o sacrif&iacute;cio das leg&iacute;timas expectativas de, muito provavelmente, um n&uacute;mero significativo de cidad&atilde;os que se limitou a agir de acordo com a lei vigente, na altura, confiando que a sua atua&ccedil;&atilde;o estaria protegida pelo Estado de Direito Democr&aacute;tico&raquo;.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4005","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4005"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4005"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4005"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4005"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}