{"id":4014,"date":"2014-09-28T22:00:00","date_gmt":"2014-09-28T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"indemnizacao-danos-patrimoniais-decorrentes-acidente-viacao","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/indemnizacao-danos-patrimoniais-decorrentes-acidente-viacao\/","title":{"rendered":"Da Indemniza\u00e7\u00e3o por Danos N\u00e3o Patrimoniais Decorrentes de Acidente de Via\u00e7\u00e3o com Culpa Exclusiva do Condutor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No passado dia 8 de Julho de 2014 foi publicado em Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica o Ac&oacute;rd&atilde;o do Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a n.&ordm; 12\/2014, no Processo n.&ordm; 108\/08.4TBMCNP1.S1-A, para Uniformiza&ccedil;&atilde;o de Jurisprud&ecirc;ncia referente ao direito a indemniza&ccedil;&atilde;o por danos n&atilde;o patrimoniais aos familiares do Condutor, em caso de morte deste num Acidente de Via&ccedil;&atilde;o, causado por sua culpa exclusiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em s&uacute;mula, foi intentada pelos Autores uma ac&ccedil;&atilde;o declarativa de condena&ccedil;&atilde;o contra a Companhia de Seguros onde o Condutor era tomador do Seguro Obrigat&oacute;rio de Responsabilidade Civil Autom&oacute;vel, peticionando uma indemniza&ccedil;&atilde;o a t&iacute;tulo de danos n&atilde;o patrimoniais, na qualidade de vi&uacute;va e filhos daquele. Tendo o Tribunal de primeira inst&acirc;ncia absolvido a R&eacute;, interpuseram recurso os Autores, ao abrigo do qual foi proferida decis&atilde;o de apela&ccedil;&atilde;o parcialmente procedente, revogando a senten&ccedil;a recorrida. Inconformada a R&eacute; recorreu de revista, onde foi absolvida do pedido contra si formulado. Finalmente, os Autores recorreram para o Pleno do Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a para Uniformiza&ccedil;&atilde;o de Jurisprud&ecirc;ncia e revoga&ccedil;&atilde;o do Ac&oacute;rd&atilde;o de que recorrem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecidas as decis&otilde;es contradit&oacute;rias proferidas (Ac&oacute;rd&atilde;o do STJ de 08\/01\/2009 n.&ordm; 08B3796 &#8211; Ac&oacute;rd&atilde;o Fundamento &#8211; e Ac&oacute;rd&atilde;o Recorrido proferido pelo STJ no mesmo processo), a uniformiza&ccedil;&atilde;o de jurisprud&ecirc;ncia visa resolver:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se os danos n&atilde;o patrimoniais sofridos pelos familiares do Condutor que veio a morrer em consequ&ecirc;ncia de acidente, que lhe seja imput&aacute;vel a t&iacute;tulo de culpa, se encontram a coberto do Seguro Obrigat&oacute;rio de Responsabilidade Civil.<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como argumentos do <span style=\"text-decoration: underline;\">Ac&oacute;rd&atilde;o Fundamento<\/span> a favor da atribui&ccedil;&atilde;o da indemniza&ccedil;&atilde;o por danos n&atilde;o patrimoniais, destacamos o facto de o artigo 7.&ordm; do Regime do Seguro de Responsabilidade Civil Autom&oacute;vel (Decreto-Lei n.&ordm; 522\/85 de 31 de Dezembro, com a reda&ccedil;&atilde;o do Decreto-Lei n.&ordm; 130\/94 de 19 de Maio), sobre a ep&iacute;grafe Exclus&otilde;es, excluir da garantia do seguro expressamente os danos decorrentes de les&otilde;es materiais causados ao c&ocirc;njuge e descendentes, como decorr&ecirc;ncia do Acidente. Escuda-se no facto de ter sido inten&ccedil;&atilde;o do legislador apenas afastar aquele tipo de danos, pelo que resultaria estarem abrangidos os danos de natureza n&atilde;o patrimonial. Sustentam ainda esse entendimento na circunst&acirc;ncia de o n.&ordm; 3 do mesmo preceito excluir especificamente qualquer indemniza&ccedil;&atilde;o ao respons&aacute;vel culposo do acidente por danos n&atilde;o patrimoniais, n&atilde;o havendo qualquer outra exclus&atilde;o por este tipo de danos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, uma vez que o artigo 496.&ordm; do C&oacute;digo Civil elenca os titulares do direito &agrave; indemniza&ccedil;&atilde;o por danos n&atilde;o patrimoniais, e o referido artigo 7.&ordm; do Regime do Seguro de Responsabilidade Civil Autom&oacute;vel n&atilde;o os exclui, conclui pela obriga&ccedil;&atilde;o a serem indemnizados pela morte do Condutor, em conjunto, e para o que nos interessa, o c&ocirc;njuge e os filhos, Autores no processo judicial em discuss&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acresce que os Autores v&ecirc;m reclamar o ressarcimento dos danos pr&oacute;prios de natureza n&atilde;o patrimonial que padeceram com a morte do marido\/pai, e n&atilde;o uma indemniza&ccedil;&atilde;o de qualquer direito que existisse na titularidade das rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas do Condutor seu familiar, ou seja um direito pr&oacute;prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo contr&aacute;rio, do <span style=\"text-decoration: underline;\">Ac&oacute;rd&atilde;o Recorrido<\/span> constam argumentos no sentido de que, a indemniza&ccedil;&atilde;o prevista no artigo 496.&ordm; do C&oacute;digo Civil, por danos n&atilde;o patrimoniais dos familiares da v&iacute;tima, independentemente de poder ser considerado dano pr&oacute;prio ou n&atilde;o, ser&aacute; for&ccedil;osamente um dano indirecto que exige a verifica&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&atilde;o indemnizar por algu&eacute;m que n&atilde;o a pr&oacute;pria v&iacute;tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, importa ter presente que o referido preceito n&atilde;o &eacute; fonte aut&oacute;noma da obriga&ccedil;&atilde;o de indemnizar, depende do reconhecimento dessa obriga&ccedil;&atilde;o de acordo com os requisitos do artigo 483.&ordm; do mesmo diploma. Assim, inexistindo obriga&ccedil;&atilde;o de indemnizar o dano por este n&atilde;o resultar da viola&ccedil;&atilde;o de um direito de outrem &ndash; princ&iacute;pio transversal ao regime da responsabilidade civil extracontratual por actos il&iacute;citos &#8211; a morte, na medida em que esta resulta de conduta culposa e lesiva do direito &agrave; vida do pr&oacute;prio, n&atilde;o pode gerar um direito aos familiares da v&iacute;tima a coberto do Seguro Obrigat&oacute;rio de Responsabilidade Autom&oacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">A Decis&atilde;o<\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Negou a revista e manteve a decis&atilde;o recorrida e proferida por Ac&oacute;rd&atilde;o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uniformizou a Jurisprud&ecirc;ncia nos seguintes termos: &laquo;No caso de morte do condutor de ve&iacute;culo em acidente de via&ccedil;&atilde;o causado por culpa exclusiva do mesmo, as pessoas referidas no n.&ordm; 2 do artigo 496.&ordm; do C&oacute;digo Civil n&atilde;o t&ecirc;m direito, no &acirc;mbito do seguro obrigat&oacute;rio de responsabilidade civil autom&oacute;vel, a qualquer compensa&ccedil;&atilde;o por danos n&atilde;o patrimoniais decorrente daquela morte&raquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Dos Efeitos da Fixa&ccedil;&atilde;o da Jurisprud&ecirc;ncia<\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest&atilde;o em an&aacute;lise surge do facto de terem sido proferidas decis&otilde;es contradit&oacute;rias sobre a mesma quest&atilde;o de direito, ao abrigo da mesma legisla&ccedil;&atilde;o, tendo as mesmas sido levadas ao Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a pela parte com interesse directo na decis&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pese embora os Ac&oacute;rd&atilde;os para fixa&ccedil;&atilde;o de jurisprud&ecirc;ncia n&atilde;o tenham em si for&ccedil;a de Lei &ndash; desde a reforma dos Recursos ocorrida em 2007 &#8211; visam persuadir os &oacute;rg&atilde;os jurisdicionais a que, no caso de determinada quest&atilde;o e\/ou direito a aplicar surja perante o Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a, este decidir&aacute; de certa maneira. Nestes termos, os tribunais de primeira e segunda inst&acirc;ncias devem por isso, e salvo circunst&acirc;ncias exepcionais, seguir a orienta&ccedil;&atilde;o jurisprudencial uniformizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem preju&iacute;zo dos votos vencidos &agrave; decis&atilde;o que foi Uniformizada Jurisprudencialmente, este Ac&oacute;rd&atilde;o alcan&ccedil;ou o principal objectivo da sua interposi&ccedil;&atilde;o, contribuindo para a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e consagrando uma orienta&ccedil;&atilde;o para os profissionais do direito, seguradoras e ainda os tomadores de seguros e seus familiares.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4014","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4014"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4014"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4014"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4014"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}