{"id":4015,"date":"2014-09-30T22:00:00","date_gmt":"2014-09-30T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"responsabilidade-gerentes-administradores-multas-sociedade-inconstitucionalidade","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/responsabilidade-gerentes-administradores-multas-sociedade-inconstitucionalidade\/","title":{"rendered":"Responsabilidade de Gerentes e Administradores pelas multas da Sociedade \u2013 Inconstitucionalidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a veio no passado dia 1 de Julho, na sequ&ecirc;ncia do Ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal Constitucional n&ordm; 171\/2014, de 13 de mar&ccedil;o, reformar a jurisprud&ecirc;ncia fixada, no sentido de declarar a inconstitucionalidade de norma do art.&ordm; 8 n&ordm;7 do Regime Geral das Infra&ccedil;&otilde;es Tribut&aacute;rias, relativa &agrave; responsabilidade solid&aacute;ria dos gerentes e administradores de sociedades pelo pagamento de multas, aplicadas pela pr&aacute;tica de infra&ccedil;&otilde;es em que tenham colaborado de forma dolosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A responsabilidade dos titulares dos &oacute;rg&atilde;os da ger&ecirc;ncia e administra&ccedil;&atilde;o das sociedades, no exerc&iacute;cio das suas fun&ccedil;&otilde;es, &eacute; uma quest&atilde;o da ordem do dia. Pela sua relev&acirc;ncia e implica&ccedil;&otilde;es de ordem pessoal para gerentes e administradores, o <strong><\/strong>, segue de perto esta tem&aacute;tica, cabendo este m&ecirc;s destacar o recente Ac&oacute;rd&atilde;o do Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) n&ordm;11\/2014 de 1 de Julho, sobre a responsabilidade solid&aacute;ria destes titulares pelo pagamento de multas aplicadas &agrave; sociedade e que reforma o pr&oacute;prio entendimento do STJ nesta mat&eacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est&aacute; em causa neste ac&oacute;rd&atilde;o a norma do art.&ordm;8 n&ordm;7 do RGIT que estatui que &laquo;Quem colaborar dolosamente na pr&aacute;tica de infra&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria &eacute; solidariamente respons&aacute;vel pelas multas e coimas aplicadas pela pr&aacute;tica da infra&ccedil;&atilde;o, independentemente da sua responsabilidade pela infra&ccedil;&atilde;o, quando for o caso&raquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr&aacute;tica, prev&ecirc;-se nesta norma que quem colaborar dolosamente na pr&aacute;tica de uma infrac&ccedil;&atilde;o que venha a ser imputada a uma pessoa colectiva, para al&eacute;m de cumprir a pena ou san&ccedil;&atilde;o administrativa a que for condenado como coautor da infrac&ccedil;&atilde;o, pode ainda ser responsabilizado solidariamente pelo pagamento da multa ou coima aplicada &agrave; sociedade pela mesma infrac&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O STJ tinha fixado jurisprud&ecirc;ncia por Ac&oacute;rd&atilde;o de 08.01.2014, considerando que sendo condenados, em coautoria material de infra&ccedil;&atilde;o dolosa, uma pessoa coletiva, ou sociedade, ainda que irregularmente constitu&iacute;da, ou outra entidade fiscalmente equiparada, e os seus administradores, gerentes, ou outras pessoas que exercessem de facto fun&ccedil;&otilde;es de administra&ccedil;&atilde;o, estes eram civil e solidariamente respons&aacute;veis pelo pagamento das multas ou coimas em que a pessoa coletiva, sociedade ou entidade fiscalmente equiparada fosse condenada, independentemente da responsabilidade pessoal que lhes coubesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados dois meses, o Tribunal Constitucional no Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 171\/2014 de mar&ccedil;o de 2014, declarou inconstitucional, com for&ccedil;a obrigat&oacute;ria geral, a norma do artigo 8&ordm;, n&ordm; 7, do Regime Geral das Infra&ccedil;&otilde;es Tribut&aacute;rias, na parte em que se refere &agrave; responsabilidade solid&aacute;ria dos gerentes e administradores de uma sociedade que hajam colaborado dolosamente na pr&aacute;tica de infra&ccedil;&atilde;o pelas multas aplicadas &agrave; sociedade, por se entender que esta norma estende aos gerentes e administradores a responsabilidade penal da pessoa colectiva, violando o princ&iacute;pio da intransmissibilidade das penas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ&ecirc;ncia desta decis&atilde;o do Tribunal Constitucional, e de forma a conformar o seu entendimento distinto com aquele Tribunal, o Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a reformou a sua jurisprud&ecirc;ncia e proferiu o Ac&oacute;rd&atilde;o 11\/2014 no seguinte sentido:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&laquo;<em><span style=\"text-decoration: underline;\">&Eacute; inconstitucional,<\/span> por viola&ccedil;&atilde;o do art.&ordm; 30&ordm;, n&ordm; 3, da Constitui&ccedil;&atilde;o, a norma do art.&ordm; 8&ordm;, n&ordm; 7, do Regime Geral das Infra&ccedil;&otilde;es Tribut&aacute;rias, na parte em que se refere &agrave; <span style=\"text-decoration: underline;\">responsabilidade solid&aacute;ria dos gerentes e administradores de uma sociedade que hajam colaborado dolosamente na pr&aacute;tica de infra&ccedil;&atilde;o pelas multas aplicadas &agrave; sociedade<\/span><\/em>&raquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o obstante a actual jurisprud&ecirc;ncia, &eacute; de notar que o referido art.&ordm; 8 do Regime Geral das Infra&ccedil;&otilde;es Tribut&aacute;rias prev&ecirc; outras situa&ccedil;&otilde;es de responsabilidade civil de administradores, gerentes e outras pessoas que exer&ccedil;am fun&ccedil;&otilde;es de administra&ccedil;&atilde;o em pessoas colectivas, sociedades comerciais e outras pessoas fiscalmente equiparadas.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"class_list":["post-4015","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4015"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4015"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4015"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}