{"id":4045,"date":"2015-03-31T22:00:00","date_gmt":"2015-03-31T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-assessores-contratos-seguros-lisboa-porto-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-assessores-contratos-seguros-lisboa-porto-portugal\/","title":{"rendered":"Uma li\u00e7\u00e3o da vida real sobre a import\u00e2ncia do interesse no contrato de seguro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tNo estudo continuado que vamos fazendo para o<br \/>\n\t para assegurar um conhecimento especializado e atualizado destes temas<br \/>\n\tpor vezes, como <strong>advogados de Seguros<\/strong> contactamos com certas mat&eacute;rias que s&atilde;o interessantes do ponto de vista te&oacute;rico-t&eacute;cnico mas que na pr&aacute;tica raras vezes s&atilde;o testadas ou aplicadas. Um desses<br \/>\n\ttemas toca ao interesse no contrato de seguro (conhecemos pelo menos uma tese de mestrado de 2011 dedicada ao tema, bem como as conhecidas anota&ccedil;&otilde;es ao DL 72\/2008), elemento legalmente erigido em ponto fundamental do contrato e cuja falta<br \/>\n\tgera a sua nulidade. &Eacute; esse o regime que a Lei do Contrato de Seguro fixou para todos os seguros no seu artigo 43&ordm;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interesse no <strong>contrato de seguro<\/strong> &eacute; pois um elemento essencial desse contrato sob pena de o mesmo n&atilde;o ser v&aacute;lido, regra legal ali&aacute;s de imperatividade absoluta e cominada com a severa san&ccedil;&atilde;o da<br \/>\n\tnulidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi essa pesada espada que caiu sobre um tomador incauto num caso que chegou aos nossos tribunais superiores e que foi decidido pelo tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa num ac&oacute;rd&atilde;o de 05-03-2015 que ditou que &ldquo;&Eacute; nulo,<br \/>\n\tpor falta de legitimidade negocial, o contrato de seguro de danos pr&oacute;prios, cobrindo o risco de furto, sobre viatura autom&oacute;vel, celebrado por conta pr&oacute;pria por um seu mero co-utilizador, detentor tolerado da viatura.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso o autor celebrou e iniciou com uma Companhia de Seguros um <strong>contrato de seguro<\/strong> de RC Auto, que teve por objeto a responsabilidade civil perante terceiros emergente da circula&ccedil;&atilde;o de um determinado autom&oacute;vel<br \/>\n\te, ainda, os danos pr&oacute;prios sofridos por essa viatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparentemente nada haveria de especial num banal seguro autom&oacute;vel, mas sucede por&eacute;m que o ve&iacute;culo estava registado em nome do c&ocirc;njuge do autor e azar dos azares, o ve&iacute;culo veio a ser furtado, e n&atilde;o mais apareceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor contactou a seguradora para ser ressarcido dos montantes estabelecidos contratualmente, e esta, para efetuar o ressarcimento do furto, pediu que aquela lhe apresentasse todas as chaves e demais documentos afetos &agrave; viatura, mais exigindo<br \/>\n\ta &#8220;Declara&ccedil;&atilde;o de Venda legalizada na parte do Vendedor&#8221;, modelo 6 (extin&ccedil;&atilde;o da reserva de propriedade que pendia sobre a viatura).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lit&iacute;gio dos autos respeitava a um seguro de danos pr&oacute;prios do ve&iacute;culo, sendo pedida uma indemniza&ccedil;&atilde;o por danos patrimoniais (&ldquo;danos emergentes&rdquo;) decorrente do contrato de seguro de danos pr&oacute;prios<br \/>\n\tque celebrara, danos que corresponderiam ao valor atribu&iacute;do, nos termos do seguro, ao ve&iacute;culo furtado e ao auto-r&aacute;dio nele instalado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A senten&ccedil;a em primeira inst&acirc;ncia ditou logo que &ldquo;estando em causa a cobertura de risco de furto ou roubo, a finalidade do contrato &eacute; o ressarcimento da perda patrimonial, ou seja, o preju&iacute;zo inerente &agrave; perda do<br \/>\n\tbem de que se &eacute; propriet&aacute;rio. (&hellip;) Ademais, visa a cobertura contratada indemnizar a perda patrimonial, pelo que o segurado n&atilde;o poder&aacute; deixar de ser quem sofre tal perda, ou seja, o propriet&aacute;rio.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da a&ccedil;&atilde;o, mero utilizador, ali&aacute;s n&atilde;o exclusivo, da viatura (com base em mera deten&ccedil;&atilde;o tolerada pela esposa), poderia eventualmente ter segurado o seu interesse na possibilidade de usar a viatura, cobrindo<br \/>\n\to risco de priva&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o da viatura emergente do furto. Podia mas n&atilde;o o fez pois o que foi segurado foi a posi&ccedil;&atilde;o inerente &agrave; titularidade da propriedade sobre o autom&oacute;vel, ou seja,<br \/>\n\ta priva&ccedil;&atilde;o desse direito decorrente de furto, tendo o tribunal lembrado que decorre da proposta de seguro que essa cobertura complementar, de priva&ccedil;&atilde;o de uso, foi exclu&iacute;da pelo pr&oacute;prio autor-tomador da cobertura<br \/>\n\tdo seguro por si contratado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa acabou por concluir que se o tomador &ndash; ou seja, o autor e recorrente &#8211; n&atilde;o tem um &ldquo;interesse&rdquo; no contrato de seguro concretamente celebrado, h&aacute; uma falta de legitimidade substancial do<br \/>\n\ttomador no seguro do ve&iacute;culo, com a inerente comina&ccedil;&atilde;o da nulidade, pois se a proced&ecirc;ncia da sua pretens&atilde;o ia conceder-lhe uma presta&ccedil;&atilde;o equivalente &agrave; do propriet&aacute;rio de um autom&oacute;vel<br \/>\n\tde que afinal era apenas co-utilizador tolerado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como no seguro de danos o interesse que a lei exige &eacute; a forma de rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre o &ldquo;tomador-segurado&rdquo; e o bem &ldquo;seguro&rdquo; (i.e., exposto ao risco coberto pelo seguro), a rela&ccedil;&atilde;o entre<br \/>\n\to sujeito e o objeto desse interesse, neste caso o infeliz tomador n&atilde;o tinha &ldquo;um interesse digno de protec&ccedil;&atilde;o legal relativamente ao risco coberto&rdquo; e tal ditou a nulidade do contrato, tudo em linha com o n&uacute;mero<br \/>\n\t1 do artigo 43&ordm; da Lei do <strong>Contrato de Seguro<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim se mostra que um &ldquo;mero&rdquo; conceito legal, pode ter enormes implica&ccedil;&otilde;es na vida real e nos neg&oacute;cios de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb&eacute;m se mostra o qu&atilde;o importante &eacute; escolher bem as coberturas e ter no&ccedil;&atilde;o do que se perde ao aceitar certas exclus&otilde;es para baixar o pr&eacute;mio: &eacute; que depois essas coberturas podem fazer falta quando<br \/>\n\tmenos se espera.<\/p>\n<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4045","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4045"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4045"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4045"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4045"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}