{"id":4071,"date":"2015-08-09T22:00:00","date_gmt":"2015-08-09T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-acidentes-auto-estrada","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-acidentes-auto-estrada\/","title":{"rendered":"Da Responsabilidade dos Acidentes em Auto-Estrada"},"content":{"rendered":"<p>O tema eleito este m&ecirc;s pelo <strong><\/strong>, apesar de ter sido j&aacute; amplamente discutido na jurisprud&ecirc;ncia e doutrina portuguesas, merece ainda uma particular aten&ccedil;&atilde;o atenta a sua atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto a <strong>sinistralidade rodovi&aacute;ria nas auto-estradas<\/strong> &eacute; uma realidade indesment&iacute;vel e em determinadas situa&ccedil;&otilde;es a responsabilidade pela produ&ccedil;&atilde;o do acidente pode mesmo ser assacada ao concession&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A qualifica&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da responsabilidade do concession&aacute;rio da auto-estrada &eacute; ainda hoje uma mat&eacute;ria sobre a qual n&atilde;o foi poss&iacute;vel obter uma posi&ccedil;&atilde;o consensual da comunidade jur&iacute;dica, para uns trata-se de responsabilidade contratual, para outros de responsabilidade extracontratual e ainda h&aacute; quem nesta &uacute;ltima hip&oacute;tese defenda a exist&ecirc;ncia de uma presun&ccedil;&atilde;o de culpa sob a guarda e vigil&acirc;ncia do concession&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que em termos pr&aacute;ticos se revela na maior ou menor onerosidade da prova a produzir pelo lesado para ver satisfeito o seu direito indemnizat&oacute;rio. Reconhecendo-se que a situa&ccedil;&atilde;o enquadra a responsabilidade contratual, compete ao concession&aacute;rio demonstrar que n&atilde;o teve culpa no incumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia e seguran&ccedil;a que sobre si impendem, porquanto, esta se presume. Subsumindo-se na responsabilidade extracontratual, &eacute; o lesado que tem de comprovar o incumprimento dos deveres legais do concession&aacute;rio que o tutelam e a respetiva culpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade, por&eacute;m, &eacute; que esta discuss&atilde;o, que em tempos teve repercuss&otilde;es diretas na decis&atilde;o de casos concretos levados aos nossos Tribunais, uma vez que as regras processuais aplic&aacute;veis s&atilde;o distintas, foi arredada para segundo plano desde a entrada em vigor das altera&ccedil;&otilde;es introduzidas pela Lei n&ordm; 24\/07, de 18 de Julho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; que, apesar do referido diploma legal n&atilde;o tomar qualquer partido relativamente &agrave; natureza jur&iacute;dica da responsabilidade do concession&aacute;rio, ao definir os direitos dos utentes de auto-estradas, itiner&aacute;rios principais ou itiner&aacute;rios complementares introduz uma presun&ccedil;&atilde;o de incumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a do concession&aacute;rio por danos resultantes de acidentes com ve&iacute;culos autom&oacute;veis causados por objetos ou l&iacute;quidos existentes nas faixas de rodagem ou ao atravessamento de animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exigindo-se, por&eacute;m, para que recaia sobre o concession&aacute;rio o &oacute;nus da prova do cumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a nos casos a&iacute; determinados que a confirma&ccedil;&atilde;o das causas do acidente seja obrigatoriamente verificada no local por autoridade policial competente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coberto desta norma legal ficam, entre outros, os despistes resultantes da exist&ecirc;ncia na faixa de rodagem de pedras, pneus, peda&ccedil;os de borracha, len&ccedil;&oacute;is de &aacute;gua, mancha de gas&oacute;leo, areia e do aparecimento de animais das mais diversas esp&eacute;cies.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, o concession&aacute;rio para afastar a sua responsabilidade ter&aacute; de provar que foram cumpridas todas as obriga&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia e seguran&ccedil;a, mas n&atilde;o s&oacute;, ter&aacute; tamb&eacute;m que demonstrar que o incidente ocorreu por raz&otilde;es que n&atilde;o lhe podem ser imputadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isto se quer dizer que n&atilde;o basta provar que a auto-estrada &eacute; patrulhada por brigadas m&oacute;veis regulares e constantes, que funcionam 24 horas por dia e que as veda&ccedil;&otilde;es no local do acidente e nas suas imedia&ccedil;&otilde;es estavam em bom estado de conserva&ccedil;&atilde;o para que o concession&aacute;rio consiga ilidir a presun&ccedil;&atilde;o de culpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Haver&aacute; ainda que demonstrar que o acidente se deveu &agrave; atua&ccedil;&atilde;o de terceiro ou que os mecanismos vigentes na ocasi&atilde;o em que ocorreu o acidente, designadamente, meios alocados, hor&aacute;rio ou frequ&ecirc;ncia de passagem na zona, incidentes registados, estado e altura das veda&ccedil;&otilde;es, juntamente com os dados estat&iacute;sticos relacionados com ocorr&ecirc;ncias semelhantes na auto-estrada concessionada eram os exig&iacute;veis ao concession&aacute;rio para cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De real&ccedil;ar, no entanto, que se a Lei n&ordm; 24\/07, de 18 de Julho, resolveu uma das mais significativas diverg&ecirc;ncias entre o regime da responsabilidade contratual e extracontratual, a distribui&ccedil;&atilde;o do &oacute;nus da prova, ao n&atilde;o se pronunciar sobre a natureza da responsabilidade do concession&aacute;rio deixou ainda em aberto a discuss&atilde;o de um outro tema, n&atilde;o menos relevante, como &eacute; o prazo de prescri&ccedil;&atilde;o do direito indemnizat&oacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se para a responsabilidade extracontratual o prazo &eacute; de tr&ecirc;s anos para a responsabilidade contratual &eacute; de vinte, e, portanto, para n&atilde;o perder a possibilidade de exigir coercivamente o direito &agrave; indemniza&ccedil;&atilde;o o melhor &eacute;, sendo o caso, instaurar a a&ccedil;&atilde;o judicial dentro dos tr&ecirc;s anos seguintes ao acidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4071","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4071"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4071"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4071"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4071"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}