{"id":4165,"date":"2017-03-02T23:00:00","date_gmt":"2017-03-02T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-especialistas-direito-imobiliario-alojamento-turistas","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-especialistas-direito-imobiliario-alojamento-turistas\/","title":{"rendered":"Alojamento Local para Turistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tEste m&ecirc;s o <strong><\/strong>\tda Belzuz Abogados S.L.P. &ndash; Sucursal em Portugal debru&ccedil;a-se sobre o recente Ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto, de 15 de setembro de 2016, que se pronunciou sobre o <strong>alojamento local de turistas<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O referido Ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto entendeu que, se no t&iacute;tulo constitutivo da propriedade horizontal apenas se estabelece que determinada frac&ccedil;&atilde;o se destina &agrave; habita&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n\tn&atilde;o existe, em princ&iacute;pio, impedimento a que o seu propriet&aacute;rio a afecte a alojamento local para turistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de alojamento est&aacute; contido no conceito de habita&ccedil;&atilde;o. O facto de determinada utiliza&ccedil;&atilde;o ser feita mediante contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os n&atilde;o &eacute; bastante para caracterizar<br \/>\n\ta finalidade dessa utiliza&ccedil;&atilde;o, tudo dependendo da forma como essa presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os &eacute; efectuada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Regulamento de Condom&iacute;nio n&atilde;o pode, a pretexto de regular a utiliza&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel, impor restri&ccedil;&otilde;es materiais ao conte&uacute;do do direito de propriedade de cada cond&oacute;mino sobre a sua frac&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tque n&atilde;o resultem do t&iacute;tulo de constitui&ccedil;&atilde;o da propriedade horizontal ou a que o cond&oacute;mino tenha dado o seu consentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto entendeu que o propriet&aacute;rio n&atilde;o devia estar limitado pela vontade do condom&iacute;nio &ndash; que moveu a provid&ecirc;ncia cautelar &ndash; de fechar a unidade de alojamento local e pagar uma<br \/>\n\tcoima de 150 euros por cada dia de incumprimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inst&acirc;ncia deu raz&atilde;o ao dono do apartamento, determinando que &#8220;n&atilde;o existe, em princ&iacute;pio, impedimento a que o seu propriet&aacute;rio a afecte [a frac&ccedil;&atilde;o] a alojamento a turistas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cerne da decis&atilde;o est&aacute; o conceito de habita&ccedil;&atilde;o, uso que &eacute; contestado pelo condom&iacute;nio no caso de alojamento local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de alojamento est&aacute; contido no conceito de habita&ccedil;&atilde;o. A utiliza&ccedil;&atilde;o para alojamento de turistas n&atilde;o diverge da utiliza&ccedil;&atilde;o para habita&ccedil;&atilde;o. A pessoa alojada n&atilde;o pratica<br \/>\n\tno local de alojamento algo que nela n&atilde;o pratique quem nele habita: dorme, descansa, pernoita, tem as suas coisas&#8221;, pode ler-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto considerou que a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os prestados pelo alojamento local &#8220;n&atilde;o &eacute; suficiente&#8221; para caracterizar a utiliza&ccedil;&atilde;o do apartamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto &agrave;s queixas de estranhos no pr&eacute;dio, barulho e desgaste nas zonas comuns, o Tribunal acredita que o impacto dos turistas pode ficar &#8220;mesmo aqu&eacute;m do que seria feito pelos membros desse agregado&#8221; que ocuparia a casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Tribunais da Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa e do Porto discordaram assim sobre o poder dos condom&iacute;nios de proibir a exist&ecirc;ncia de unidades de alojamento local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sentido contr&aacute;rio, pronunciou-se tamb&eacute;m recentemente o Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa, no seu ac&oacute;rd&atilde;o de Outubro de 2016. No caso em apre&ccedil;o, o condom&iacute;nio votou que seria proibida a exist&ecirc;ncia<br \/>\n\tde unidades de alojamento local no pr&eacute;dio. A propriet&aacute;ria recorreu, por isso, &agrave; Justi&ccedil;a para determinar se a decis&atilde;o era v&aacute;lida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira inst&acirc;ncia deu-lhe raz&atilde;o, o condom&iacute;nio recorreu e a Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa acabou por decidir que a delibera&ccedil;&atilde;o do condom&iacute;nio &ndash; que se queixa de perda de privacidade nas zonas comuns, mau<br \/>\n\tuso da piscina e ru&iacute;do &ndash; era &#8220;v&aacute;lida e eficaz&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m de referir a validade legal da medida levada a cabo pelo condom&iacute;nio, a Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa foi mais longe. &#8220;Destinando-se a frac&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma, segundo o t&iacute;tulo constitutivo, a habita&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n\tn&atilde;o lhe pode ser dado outro destino (alojamento mobilado para turistas) &#8220;, pode ler-se no referido ac&oacute;rd&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa defendeu que &#8220;prevalece o direito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, superior ao direito ao com&eacute;rcio e ao lucro&#8221; e sugere &agrave; cond&oacute;mina que arrende a casa no mercado habitacional em vez de<br \/>\n\texplorar a actividade de alojamento local. O Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa considerou ainda &#8220;irrelevante&#8221; que o espa&ccedil;o estivesse devidamente licenciado pela C&acirc;mara Municipal de Lisboa e pelo Turismo de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sentido totalmente diverso havia se pronunciado o Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto, no seu Ac&oacute;rd&atilde;o de 15 de Setembro de 2016, entendendo que o alojamento tempor&aacute;rio de turistas n&atilde;o diferir&aacute; em regra de uma<br \/>\n\tutiliza&ccedil;&atilde;o similar &agrave; que seria feita pelo propriet&aacute;rio ou por um arrendat&aacute;rio para habita&ccedil;&atilde;o do respectivo agregado familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O barulho que os turistas far&atilde;o pode ficar mesmo aqu&eacute;m do que seria feito pelos membros desse agregado, designadamente se o mesmo integrar crian&ccedil;as ou jovens, estudantes universit&aacute;rios ou pessoas com uma vida social dom&eacute;stica<br \/>\n\tintensa. Nessa medida, n&atilde;o vislumbrou qualquer incompatibilidade para recusar &agrave; partida a possibilidade de a frac&ccedil;&atilde;o destinada &agrave; habita&ccedil;&atilde;o ser usada para alojamento tempor&aacute;rio de turistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus&atilde;o, embora admitindo d&uacute;vidas e aceitando que novos argumentos possam surgir, o Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto concluiu que, resultando da constitui&ccedil;&atilde;o da propriedade horizontal que a frac&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tse destina &agrave; habita&ccedil;&atilde;o mas n&atilde;o resultando que isso exclua o alojamento tempor&aacute;rio de turistas, a circunst&acirc;ncia de esse alojamento ser prestado em regime de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os n&atilde;o<br \/>\n\t&eacute; bastante para afirmar que a utiliza&ccedil;&atilde;o para alojamento &eacute; diversa e incompat&iacute;vel com a utiliza&ccedil;&atilde;o para aquele destino autorizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resta-nos agora saber como &eacute; que o Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a se ir&aacute; pronunciar sobre esta quest&atilde;o, que at&eacute; agora gerou entendimentos e posi&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias entre os Tribunais da Rela&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tdo Porto e de Lisboa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4165","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4165"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4165"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4165"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4165"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}