{"id":4166,"date":"2017-03-07T23:00:00","date_gmt":"2017-03-07T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-direito-bancario","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-direito-bancario\/","title":{"rendered":"Breve an\u00e1lise da perda de benef\u00edcio do prazo em rela\u00e7\u00e3o aos fiadores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tO <strong><\/strong>\tda Belzuz Abogados S.L.P. &ndash; Sucursal em Portugal, depara-se, de forma regular, com situa&ccedil;&otilde;es onde foram concedidos empr&eacute;stimos garantidos por fian&ccedil;a, para garantia do bom e pontual pagamento por parte do devedor principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, afigura-se importante elucidar sobre o que incide a figura da fian&ccedil;a e as suas legais consequ&ecirc;ncias em caso de incumprimento por parte do devedor principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme disp&otilde;e o artigo 627.&ordm; n.&ordm; 1 do C.C, ao constituir fian&ccedil;a, o fiador assegura, com o seu patrim&oacute;nio, o cumprimento de obriga&ccedil;&atilde;o alheia, ficando pessoalmente obrigado perante o credor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A responsabilidade do fiador molda-se pela responsabilidade assumida pelo devedor principal, tendo o mesmo conte&uacute;do que esta e cobrindo igualmente as consequ&ecirc;ncias contratuais da mora ou da culpa do devedor principal(art. 634.&ordm; C.C).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, pode-se indicar duas caracter&iacute;sticas fundamentais da fian&ccedil;a, sendo elas a acessoriedade e a subsidiariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A acessoriedade da fian&ccedil;a est&aacute; expressamente prevista no art. 627. n.&ordm; 2 do C.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A subsidiariedade concretiza-se no benef&iacute;cio da excuss&atilde;o pr&eacute;via traduzindo-se esta, no direito do fiador de recusar o cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o enquanto n&atilde;o estiverem excutidos todos os bens do devedor principal<br \/>\n\t(art. 639.&ordm; n.&ordm;1 C.C).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que concerne ao benef&iacute;cio do prazo, o mesmo tem-se por estabelecido a favor do devedor, conforme disp&otilde;e o art. 779.&ordm; do C.C., sendo apenas no fim do prazo estabelecido que o credor poder&aacute; exigir a obriga&ccedil;&atilde;o ao<br \/>\n\tdevedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucede que, a lei, no art 780.&ordm; a 782.&ordm; do C.C., permite que, em determinadas situa&ccedil;&otilde;es e mediante certas circunst&acirc;ncias, ocorra uma perda do benef&iacute;cio do prazo, podendo o credor exigir antecipadamente, ao devedor,<br \/>\n\to cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas d&iacute;vidas liquid&aacute;veis em presta&ccedil;&otilde;es, a falta de pagamento de uma delas importa o vencimento das restantes (781&ordm;.CC).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, &ldquo;a perda do benef&iacute;cio do prazo n&atilde;o se estende aos co-obrigados do devedor, nem a terceiro que a favor do cr&eacute;dito tenha constitu&iacute;do qualquer garantia&rdquo; &ndash; cfr. art. 782.&ordm; C.C, constituindo este<br \/>\n\tpreceito um desvio &agrave; regra estabelecida no art. 634.&ordm; do C.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, segundo o normativo legal citado supra, a perda do benef&iacute;cio do prazo n&atilde;o &eacute; extens&iacute;vel aos fiadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirmam Pires de Lima e Antunes Varela, in C&oacute;digo Civil Anotado, Volume II, 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 1981, Coimbra Editora, &ldquo;A perda do benef&iacute;cio do prazo tamb&eacute;m n&atilde;o afecta terceiros que tenham garantido o cumprimento<br \/>\n\tda obriga&ccedil;&atilde;o. A lei n&atilde;o distingue entre garantias pessoais e reais. &Eacute; aplic&aacute;vel a disposi&ccedil;&atilde;o, portanto, n&atilde;o s&oacute; ao fiador como a terceiros que tenham constitu&iacute;do uma hipoteca, um penhor<br \/>\n\tou uma consigna&ccedil;&atilde;o de endimentos&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, h&aacute; que ter em aten&ccedil;&atilde;o que estamos perante uma norma com natureza supletiva. Assim, as partes, podem sempre agir ao abrigo da liberdade contratual, conforme permitido pelo art. 405.&ordm; do C.C., afastando a limita&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tprevista no artigo supra citado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, nada impede, e &eacute; bastante recorrente, que, aquando a celebra&ccedil;&atilde;o do contrato onde &eacute; constitu&iacute;da fian&ccedil;a, as partes estabele&ccedil;am que os fiadores renunciam ao benef&iacute;cio do prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando assim &eacute; estipulado, expressamente pelas partes, o fiador perde igualmente o benef&iacute;cio do prazo, n&atilde;o podendo assim lan&ccedil;ar m&atilde;o ao disposto no art. 782.&ordm; do C.C. pois foi por ele mesmo afastado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, nesse caso, e estando perante um d&iacute;vida liquid&aacute;vel em presta&ccedil;&otilde;es, aplicar-se-&aacute; o disposto no art. 781.&ordm; ao fiador, bastando que uma das presta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o seja liquidada para que o credor<br \/>\n\tpossa exigir o cumprimento junto do fiador da totalidade da d&iacute;vida, de igual forma que pode exigir junto do devedor principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Face a tudo o supra exposto, o fiador querendo beneficiar da excep&ccedil;&atilde;o plasmada no art. 782.&ordm; do C.C., n&atilde;o pode a ela renunciar expressamente no contrato onde se constitui fiador, ao abrigo da liberdade contratual que prevalece<br \/>\n\tsobre o normativo legal enunciado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4166","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4166","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4166"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4166"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4166"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4166"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}