{"id":4187,"date":"2017-05-28T22:00:00","date_gmt":"2017-05-28T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-processo-especial-revitalizacao","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-processo-especial-revitalizacao\/","title":{"rendered":"Breve an\u00e1lise do prazo para o t\u00e9rmino das negocia\u00e7\u00f5es no Processo Especial de Revitaliza\u00e7\u00e3o \u2013 artigo 17.\u00ba &#8211; D, n.\u00ba 5 CIRE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tEste m&ecirc;s o <strong><\/strong>\tda Belzuz Abogados debru&ccedil;a-se sobre a responsabilidade dos Liquidat&aacute;rios na dissolu&ccedil;&atilde;o da liquida&ccedil;&atilde;o da Sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma sociedade entra em processo de dissolu&ccedil;&atilde;o quando o seu ativo e o seu passivo forem iguais a zero. Por&eacute;m, por vezes os gerentes\/administradores das sociedades prolongam esta situa&ccedil;&atilde;o, contraindo um aumento do passivo,<br \/>\n\tcom a consequente diminui&ccedil;&atilde;o do seu ativo. Nas situa&ccedil;&otilde;es em que o aumento do passivo da empresa seja culposo e o patrim&oacute;nio social se demonstre insuficiente para a satisfa&ccedil;&atilde;o dos cr&eacute;ditos devidos,<br \/>\n\ts&atilde;o os gerentes e\/ou administradores respons&aacute;veis para com os credores da sociedade. Ou seja, somente o patrim&oacute;nio da sociedade responde perante os credores sociais, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de quando este seja insuficiente<br \/>\n\tou inexista, situa&ccedil;&atilde;o que dever&atilde;o os s&oacute;cios a responder pelas d&iacute;vidas da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disp&otilde;e o artigo 151.&ordm;, n.&ordm; 1 do C&oacute;digo das Sociedades Comerciais (doravante designado por CSC) que os membros da administra&ccedil;&atilde;o da sociedade passam a ser liquidat&aacute;rios desta a partir do momento em que ela se<br \/>\n\tconsidere dissolvida, salvo cl&aacute;usula do contrato de sociedade ou delibera&ccedil;&atilde;o em contr&aacute;rio. Quando se inicia o processo de liquida&ccedil;&atilde;o da sociedade, compete aos liquidat&aacute;rios todas opera&ccedil;&otilde;es<br \/>\n\tde liquida&ccedil;&atilde;o at&eacute; a extin&ccedil;&atilde;o desta, que t&ecirc;m como objetivo a partilha do ativo remanescente ap&oacute;s liquida&ccedil;&atilde;o do passivo. Os liquidat&aacute;rios t&ecirc;m tamb&eacute;m o poder de antecipar<br \/>\n\to pagamento aos credores. O objetivo &eacute;, naturalmente, aligeirar a fase de liquida&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o artigo 152.&ordm;, n.&ordm; 1 do CSC, os liquidat&aacute;rios s&atilde;o respons&aacute;veis nos mesmos termos que os gerentes e administradores da sociedade o s&atilde;o para com a sociedade e os s&oacute;cios (artigos 72.&ordm; a 79.&ordm;)<br \/>\n\tbem como ainda perante os credores sociais quando, com culpa, os liquidat&aacute;rios prestem falsas informa&ccedil;&otilde;es referente aos direitos de todos os credores da sociedade se encontrarem j&aacute; satisfeitos ou acautelados e a partilha j&aacute;<br \/>\n\tse ter realizado. A responsabilidade do liquidat&aacute;rio &eacute; solid&aacute;ria, como tal, se os credores forem satisfeitos, nos termos no n.&ordm; 2 do artigo 158.&ordm;, o liquidat&aacute;rio tem direito de regresso contra os antigos s&oacute;cios,<br \/>\n\tn&atilde;o podendo ir para al&eacute;m dos valores que estes receberam na partilha. Contudo, se a atua&ccedil;&atilde;o do liquidat&aacute;rio for dolosa, este perde o direito de regresso dos valores pagos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O liquidat&aacute;rio pode ainda ser responsabilizado nos termos do artigo 483.&ordm; do C&oacute;digo Civil &ndash; Responsabilidade Extracontratual &#8211; por viola&ccedil;&atilde;o do artigo 157.&ordm;, n.&ordm; 2 CSC, que imp&otilde;e ao liquidat&aacute;rio<br \/>\n\to dever de declarar expressamente no relat&oacute;rio que est&atilde;o satisfeitos ou acautelados todos os direitos dos credores. O que estar&aacute; em causa n&atilde;o &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o de indemnizar mas uma responsabiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tpelos atos culposos e dolosos que o liquidat&aacute;rio tenha praticado, entendimento do Professor Menezes Cordeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest&atilde;o mais controversa da responsabilidade dos liquidat&aacute;rios ser&aacute; na vertente penal. A grande d&uacute;vida &eacute; saber se as falsas declara&ccedil;&otilde;es prestadas pelo liquidat&aacute;rio na escritura, no sentido de que<br \/>\n\ttodos os direitos dos credores est&atilde;o devidamente satisfeitos ou acautelados, se contempla um crime de falsifica&ccedil;&atilde;o de documentos, disposto no artigo 256.&ordm; do C&oacute;digo Penal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doutrina minorit&aacute;ria, postulada no Ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o de Coimbra no &acirc;mbito do processo n.&ordm; 40.08.1\/TAPNH.C1, de 20 de Dezembro de 2011, entende que se trata de um crime de falsifica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde documentos, uma vez que na falsidade do documento integram-se os casos em que se presta uma declara&ccedil;&atilde;o de facto falso, juridicamente relevante, o qual produz uma altera&ccedil;&atilde;o no mundo do Direito, o que origina in fine uma<br \/>\n\taltera&ccedil;&atilde;o dos efeitos a produzir pelo documento, que no caso concreto gera uma obten&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cio por parte dos Liquidat&aacute;rios em detrimento dos credores sociais. Ou seja, a premissa da falsifica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde documentos consiste nas declara&ccedil;&otilde;es falsas juridicamente relevantes e que alteram os efeitos jur&iacute;dicos do pr&oacute;prio documento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doutrina contr&aacute;ria entende que o elemento alterado, ou seja a falsa declara&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem alcance suficiente para causar dano ou p&ocirc;r em perigo a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica probat&oacute;ria que o documento, pela<br \/>\n\tsua natureza e caracter&iacute;sticas, est&aacute; destinado a produzir. Assim, s&atilde;o do entendimento que encerrada a liquida&ccedil;&atilde;o e extinta a sociedade, os antigos s&oacute;cios continuam respons&aacute;veis perante terceiros pelo pagamento<br \/>\n\tdos d&eacute;bitos que n&atilde;o tenham sido saldados, como se n&atilde;o tivesse havido liquida&ccedil;&atilde;o &ndash; art.&ordm; 1020.&ordm; do C&oacute;digo Civil, 162.&ordm; e 163.&ordm; do C&oacute;digo das Sociedades Comerciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Face ao exposto, somos da opini&atilde;o que o liquidat&aacute;rio &eacute; o &oacute;rg&atilde;o indispens&aacute;vel do processo liquida&ccedil;&atilde;o e partilha e que as suas atua&ccedil;&otilde;es produzem efeitos nas esferas jur&iacute;dicas da<br \/>\n\tempresa, dos s&oacute;cios e dos credores. Como tal, a suas condutas quando realizadas de acordo com os ditames legais dever&atilde;o ser responsabilizadas, seja a n&iacute;vel do direito societ&aacute;rio, civil ou mesmo penal, pois &eacute; necess&aacute;rio<br \/>\n\tdemonstrar que todas as atua&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave; lei t&ecirc;m uma puni&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"class_list":["post-4187","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4187"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4187"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4187"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}