{"id":4266,"date":"2018-09-17T22:00:00","date_gmt":"2018-09-17T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-mais-valias-imobiliarias-lisboa-porto-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-mais-valias-imobiliarias-lisboa-porto-portugal\/","title":{"rendered":"Tratamento discriminat\u00f3rio de n\u00e3o residentes na tributa\u00e7\u00e3o de mais-valias imobili\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tRegra geral, quando um cidad&atilde;o residente para efeitos fiscais em Portugal vende um im&oacute;vel e realiza uma mais-valia, apenas pagar&aacute;<br \/>\n\tIRS sobre 50% da mesma <strong>(1)<\/strong>. De referir que, estas mais-valias s&atilde;o sujeitas a englobamento obrigat&oacute;rio, pelo que lhes ser&atilde;o aplic&aacute;veis as taxas gerais de IRS que correspondam aos rendimentos dos seus titulares.<br \/>\n\tAssim, e a t&iacute;tulo de exemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; Um residente em Portugal tem um sal&aacute;rio anual de &euro;35.000, num determinado ano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; Nesse ano, vende um im&oacute;vel e realiza uma mais-valia de &euro;100.000<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; Vai ser tributado sobre 50% da mais-valia (&euro;50.000)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; A mais-valia engloba-se com os restantes rendimentos, pelo que o rendimento anual (&euro;85.000) vai ser tributado &agrave; taxa m&aacute;xima, atualmente de 48%<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; O IRS a pagar ser&aacute; de &euro;40.800 <strong>(2)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, se um n&atilde;o residente para efeitos fiscais realizar uma mais-valia imobili&aacute;ria de &euro;100.000, a mesma ser&aacute; tributada pela totalidade, &agrave; taxa aut&oacute;noma de 28%. Neste caso:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; &Agrave; mais-valia de &euro;100.000 ser&aacute; aplic&aacute;vel a taxa aut&oacute;noma de 28%<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; O imposto a pagar ser&aacute; de &euro;28.000<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O facto de ser aplic&aacute;vel uma taxa de tributa&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma de 28%, ainda que sobre a totalidade da mais-valia, permite, ainda assim, que os n&atilde;o residentes sejam tributados de forma mais favor&aacute;vel do que os residentes,<br \/>\n\tj&aacute; que, como n&atilde;o t&ecirc;m outros rendimentos englob&aacute;veis em Portugal, a taxa de IRS aplic&aacute;vel ser&aacute; mais baixa do que aquela que se aplica aos residentes (na medida em que, para estes, o englobamento dos v&aacute;rios<br \/>\n\trendimentos &eacute; obrigat&oacute;rio, o que se traduz num aumento da taxa aplic&aacute;vel). No entanto, o que est&aacute; em causa &eacute; a tributa&ccedil;&atilde;o da totalidade da mais-valia, e n&atilde;o de metade do seu valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos &uacute;ltimos anos, foram v&aacute;rios os cidad&atilde;os n&atilde;o residentes a questionar a legalidade das liquida&ccedil;&otilde;es de IRS que determinavam a tributa&ccedil;&atilde;o da totalidade das mais-valias imobili&aacute;rias por si realizadas,<br \/>\n\tlevando aos tribunais aquilo que consideravam ser uma discrimina&ccedil;&atilde;o. Com efeito, consideram os cidad&atilde;os n&atilde;o residentes que devem ser tributados exatamente da mesma forma que os residentes, ou seja, devem ser tributados sobre<br \/>\n\t50% da mais-valia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a pronunciou-se sobre o tema no Ac&oacute;rd&atilde;o de 22 de Mar&ccedil;o de 2011, processo n.&ordm; 1031\/10, existindo diversos ac&oacute;rd&atilde;os do CAAD sobre o tema &ndash; o mais recente &eacute; aquele que<br \/>\n\tacima se identificou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem entendido a jurisprud&ecirc;ncia que a reda&ccedil;&atilde;o do artigo 43.&ordm;, n.&ordm; 2 do C&oacute;digo do IRS viola o Direito da Uni&atilde;o Europeia, em particular, a liberdade de circula&ccedil;&atilde;o de capitais (artigo 63.&ordm; e seguintes<br \/>\n\tdo Tratado Sobre o Funcionamento da Uni&atilde;o Europeia (TFUE)), o que constitui uma discrimina&ccedil;&atilde;o injustificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, os tribunais (quer os nacionais, quer o Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o Europeia, bem como o CAAD) t&ecirc;m entendido que a regra de tributa&ccedil;&atilde;o dos n&atilde;o residentes &eacute;, nesta mat&eacute;ria, discriminat&oacute;ria<br \/>\n\te contr&aacute;ria &agrave; liberdade de circula&ccedil;&atilde;o de capitais, estabelecida no artigo 63.&ordm; do TFUE, pelo que padece do v&iacute;cio de viola&ccedil;&atilde;o de lei. As notas de liquida&ccedil;&atilde;o de IRS t&ecirc;m, assim, vindo<br \/>\n\ta ser anuladas, assegurando que os n&atilde;o residentes s&atilde;o tributados apenas por 50% da mais-valia, sendo aplic&aacute;vel a taxa de 28%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solu&ccedil;&atilde;o mais justa seria porventura determinar que, tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o aos residentes fiscais em Portugal, se aplicava uma tributa&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma, em lugar de considerar estas mais-valias como um rendimento<br \/>\n\tde englobamento obrigat&oacute;rio. Tal solu&ccedil;&atilde;o reduziria, no entanto, a receita fiscal, pelo que dificilmente ser&aacute; contemplada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, e enquanto se mantiver a atual situa&ccedil;&atilde;o legislativa e jurisprudencial, os n&atilde;o residentes ser&atilde;o tributados de forma menos gravosa, sobre 50% da mais-valia imobili&aacute;ria realizada. No entanto, tal n&atilde;o sucede<br \/>\n\tde forma autom&aacute;tica &ndash; uma vez que a Autoridade Tribut&aacute;ria ainda n&atilde;o adequou as normas legais e os procedimentos inerentes a esta interpreta&ccedil;&atilde;o da lei, ser&aacute; sempre necess&aacute;rio (i) apresentar a declara&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde IRS, (ii) receber a nota de liquida&ccedil;&atilde;o de IRS, que tributar&aacute; a totalidade da mais-valia e (ii) reagir contra a referida nota de liquida&ccedil;&atilde;o, solicitando ao Tribunal, ou ao CAAD, que se pronunciem sobre este tema.<br \/>\n\tS&oacute; uma decis&atilde;o favor&aacute;vel, em cada caso concreto, levar&aacute; a que a Autoridade Tribut&aacute;ria decida pela tributa&ccedil;&atilde;o de 50% da mais-valia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Belzuz Abogados, S.L.P. &eacute; uma sociedade de Advogados com mais de 50 anos e escrit&oacute;rios em Madrid, Lisboa e Porto. Dada a sua localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, o seu cariz internacional e o facto de nela existir um departamento<br \/>\n\tdedicado ao Direito Fiscal, estamos dispon&iacute;veis para o assessorar em mat&eacute;rias como a que acabamos de descrever &ndash; em particular se tiver realizado uma mais-valia imobili&aacute;ria e a mesma estiver a ser tributada na totalidade.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify; font-size: 85%;\">(1) O valor dos rendimentos tributados como mais-valia &eacute; o correspondente ao saldo entre as mais e as menos-valias do ano. Para simplificar, consideramos que apenas ocorreu a venda de um im&oacute;vel, que gerou uma mais-valia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; font-size: 85%;\">(2) Ao qual acresce a taxa adicional de solidariedade, de 2,5%, na parte do rendimento colet&aacute;vel que excede os &euro;80.000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4266","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4266"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4266"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4266"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4266"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}