{"id":4314,"date":"2019-06-04T22:00:00","date_gmt":"2019-06-04T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"cessacao-do-contrato-e-indemnizacao-de-clientela","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/cessacao-do-contrato-e-indemnizacao-de-clientela\/","title":{"rendered":"Cessa\u00e7\u00e3o do Contrato e Indemniza\u00e7\u00e3o de Clientela"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tA multiplicidade de contratos comerciais cujo regime de cessa&ccedil;&atilde;o determina a aplica&ccedil;&atilde;o da indemniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde clientela, a sua relev&acirc;ncia na vida empresarial e o crescente n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es judiciais que o <strong><\/strong>\tde Belzuz Abogados, SLP &ndash; Sucursal em Portugal tem vindo a acompanhar, justifica que sobre o assunto nos debrucemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A indemniza&ccedil;&atilde;o de clientela destina-se a compensar o agente pelos benef&iacute;cios ou vantagens que, uma vez extinto o contrato, o principal vai continuar a obter com a clientela angariada ou desenvolvida pelo agente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de prote&ccedil;&atilde;o do agente comercial aquando da extin&ccedil;&atilde;o do contrato e o facto de a outra parte continuar a usufruir do trabalho desenvolvido mesmo ap&oacute;s tal extin&ccedil;&atilde;o, justificam tal obriga&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tde compensa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atendendo a que, em regra, os benef&iacute;cios de uma rela&ccedil;&atilde;o contratual extinta n&atilde;o originam uma obriga&ccedil;&atilde;o de compensa&ccedil;&atilde;o, estamos claramente perante uma situa&ccedil;&atilde;o excecional que assume particular<br \/>\n\trelev&acirc;ncia na Ordem Jur&iacute;dica atenta a multiplicidade de contratos sujeitos a esta obriga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, tem-se entendido que esta indemniza&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m de aplic&aacute;vel ao contrato de ag&ecirc;ncia por legisla&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, &eacute; igualmente devida noutros contratos at&iacute;picos, sempre que a analogia<br \/>\n\tdas situa&ccedil;&otilde;es o justifique.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; assim que, independentemente dos riscos que a aplica&ccedil;&atilde;o anal&oacute;gica pode trazer, o regime de indemniza&ccedil;&atilde;o de clientela expressamente regulado para o contrato de ag&ecirc;ncia, tem vindo a ser igualmente aplicado,<br \/>\n\tcom as necess&aacute;rias adapta&ccedil;&otilde;es, aos contratos at&iacute;picos de concess&atilde;o comercial, distribui&ccedil;&atilde;o, media&ccedil;&atilde;o e franquia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contrato de ag&ecirc;ncia &eacute; regulado pelo Decreto-Lei n.&ordm; 178\/86, de 3 de julho, alterado, pelo Decreto-Lei n.&ordm; 118\/93, de 13 de abril de 2004, que transp&ocirc;s para a ordem jur&iacute;dica interna a Diretiva Comunit&aacute;ria n.&ordm;<br \/>\n\t86\/653\/CEE de 18 de dezembro, com o intuito harmonizar as legisla&ccedil;&otilde;es europeias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um contrato bilateral e oneroso de que resultam obriga&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas para ambas as partes, decorrendo do seu termo e como principal consequ&ecirc;ncia a indemniza&ccedil;&atilde;o de clientela, caracterizada consensualmente<br \/>\n\tpela doutrina e jurisprud&ecirc;ncia como uma compensa&ccedil;&atilde;o a favor do agente, ap&oacute;s a cessa&ccedil;&atilde;o do contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; devida seja qual for a forma por que se p&otilde;e termo ao contrato ou a sua dura&ccedil;&atilde;o, independentemente do mesmo ter sido celebrado por tempo determinado ou indeterminado e acresce a qualquer outra indemniza&ccedil;&atilde;o a<br \/>\n\tque haja lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas se o contrato tiver cessado por raz&otilde;es imput&aacute;veis ao agente &eacute; que a indemniza&ccedil;&atilde;o de clientela n&atilde;o &eacute; devida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, e em bom rigor, n&atilde;o se trata de uma verdadeira indemniza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o dependendo da prova, pelo agente, de quaisquer danos sofridos, n&atilde;o se pretendendo ressarci-lo mas antes compens&aacute;-lo pelos benef&iacute;cios<br \/>\n\tque a outra parte continue a auferir e que se devam, no essencial, &agrave; atividade por si desenvolvida at&eacute; &agrave; cessa&ccedil;&atilde;o do contrato. Entende-se, ali&aacute;s, que n&atilde;o &eacute; inclusivamente necess&aacute;rio que tais<br \/>\n\tbenef&iacute;cios j&aacute; tenham ocorrido, bastando que seja prov&aacute;vel que eles se venham a verificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta compensa&ccedil;&atilde;o, vem expressamente prevista no artigo 33&ordm; do DL 178\/86, na reda&ccedil;&atilde;o dada pelo DL n&ordm; 118\/93, de 13.04., sendo entendimento un&acirc;nime, considerando o fim visado pelo referido preceito, que tal norma<br \/>\n\treveste natureza imperativa, ou seja, n&atilde;o pode ser afastada pela vontade das partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua atribui&ccedil;&atilde;o est&aacute;, apenas, sujeita ao preenchimento cumulativo dos requisitos previstos naquela disposi&ccedil;&atilde;o e que s&atilde;o: (i) ter o agente angariado novos clientes para a outra parte ou aumentado substancialmente<br \/>\n\to volume de neg&oacute;cios com a clientela j&aacute; existente; (ii) beneficiar a outra parte consideravelmente, ap&oacute;s a cessa&ccedil;&atilde;o do contrato, da atividade desenvolvida pelo agente; (iii) ter o agente deixado de receber qualquer<br \/>\n\tretribui&ccedil;&atilde;o por contratos negociados ou conclu&iacute;dos, ap&oacute;s a cessa&ccedil;&atilde;o do contrato, com os clientes referidos em (i).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verifica-se, assim, que n&atilde;o &eacute; qualquer acr&eacute;scimo de clientela ou qualquer benef&iacute;cio que da&iacute; resulte para o principal que justificar&aacute; a atribui&ccedil;&atilde;o ao agente da indemniza&ccedil;&atilde;o de clientela,<br \/>\n\ttendo de tratar-se de um acr&eacute;scimo e correlativo benef&iacute;cio com alguma relev&acirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c&aacute;lculo desta compensa&ccedil;&atilde;o vem previsto no artigo 34&ordm; do supramencionado DL, donde resulta a remiss&atilde;o para a equidade e a determina&ccedil;&atilde;o de um limite m&aacute;ximo de indemniza&ccedil;&atilde;o, remetendo-se,<br \/>\n\tcomo ponto de partida, para a m&eacute;dia anual das remunera&ccedil;&otilde;es auferidas nos &uacute;ltimos cinco anos, balizada pela equidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quer isto dizer que a determina&ccedil;&atilde;o da indemniza&ccedil;&atilde;o de clientela n&atilde;o depende do apuramento concreto do volume de neg&oacute;cios, estando sujeita a um ju&iacute;zo equitativo que tem de se conter nos limites definidos<br \/>\n\tpelo artigo 34.&ordm; do DL n.&ordm; 178\/86, na reda&ccedil;&atilde;o dada pelo DL n&ordm; 118\/93.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por &uacute;ltimo, saliente-se que o agente, sob pena de extin&ccedil;&atilde;o do respetivo direito, deve comunicar ao principal, no prazo de um ano ap&oacute;s a cessa&ccedil;&atilde;o do contrato, a inten&ccedil;&atilde;o de receber a dita indemniza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n\te, se for o caso, reclam&aacute;-la judicialmente no ano subsequente &agrave; referida comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4314","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4314"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4314"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4314"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4314"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}