{"id":4352,"date":"2020-03-04T23:00:00","date_gmt":"2020-03-04T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"advogados-contrato-de-arrendamento-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/advogados-contrato-de-arrendamento-portugal\/","title":{"rendered":"Oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 renova\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do contrato de arrendamento pelo senhorio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><\/strong> da Belzuz Abogados S.L.P. &ndash; Sucursal em Portugal foca este m&ecirc;s algumas das medidas introduzidas pela Lei n.&ordm; 13\/2019, de 12 de Fevereiro, destinadas a corrigir situa&ccedil;&otilde;es de desequil&iacute;brio entre arrendat&aacute;rios e senhorios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o escopo de corrigir situa&ccedil;&otilde;es de desequil&iacute;brio entre arrendat&aacute;rios e senhorios, a verdade &eacute; que estas &uacute;ltimas medidas adotadas t&ecirc;m funcionado contra os interesses dos senhorios e inquilinos desprevenidos e, contrariamente ao esperado, n&atilde;o se verifica que at&eacute; &agrave; presente data tenham alcan&ccedil;ado o desiderato assumido de travar a subida das rendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das altera&ccedil;&otilde;es que cumpre real&ccedil;ar &eacute; a relativa ao prazo m&iacute;nimo de dura&ccedil;&atilde;o dos contratos de arrendamento, que a lei fixa agora em um ano mas que &eacute; de imediato questionada pela reda&ccedil;&atilde;o atual do artigo 1097&deg;, n.&ordm; 3 do C&oacute;digo Civil que estipula que a primeira oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; renova&ccedil;&atilde;o do contrato, por parte do senhorio, apenas produz efeitos depois de decorridos tr&ecirc;s anos a contar da celebra&ccedil;&atilde;o do contrato. Significa isto que, na pr&aacute;tica, se as partes n&atilde;o convencionarem expressamente que o contrato celebrado n&atilde;o &eacute; renov&aacute;vel no seu termo e o contrato for celebrado pelo prazo de um ano, o senhorio n&atilde;o poder&aacute; fazer cessar o contrato no seu termo mediante comunica&ccedil;&atilde;o escrita ao arrendat&aacute;rio da n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o do contrato, com a anteced&ecirc;ncia de 120 dias, uma vez que a oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; renova&ccedil;&atilde;o deduzida pelo senhorio n&atilde;o produz efeitos antes de decorridos tr&ecirc;s anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acresce ainda que, independentemente do termo inicial acordado, a renova&ccedil;&atilde;o destes contratos opera pelo per&iacute;odo de dura&ccedil;&atilde;o m&iacute;nimo de tr&ecirc;s anos, nos termos do artigo 1096 do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do que se deixa dito resulta que, em fun&ccedil;&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es introduzidas pelo citado diploma legal, o senhorio poder&aacute; ser confrontado com uma situa&ccedil;&atilde;o em que tendo celebrado um contrato pelo prazo de um ano, n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o pode deduzir oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; renova&ccedil;&atilde;o decorrido o referido per&iacute;odo de um ano, como v&ecirc; o contrato renovado por um per&iacute;odo adicional de tr&ecirc;s anos findo o termo inicial de um ano. Isto &eacute;, o senhorio que s&oacute; quis celebrar o contrato por um ano e emitiu declara&ccedil;&atilde;o negocial nesse sentido, aceite pelo inquilino, acaba por ver prorrogado o prazo do contrato por mais tr&ecirc;s anos, o que no total equivale a uma dura&ccedil;&atilde;o contratual de quatro anos na qual n&atilde;o consentiu mas que ocorre por mera determina&ccedil;&atilde;o legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para obstar &agrave; verifica&ccedil;&atilde;o desta situa&ccedil;&atilde;o apenas poder&aacute; o senhorio invocar a necessidade do im&oacute;vel para habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria ou dos seus descendentes em 1&ordm; grau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; mais gravosa no arrendamento para fins n&atilde;o habitacionais, onde a lei continua a permitir &agrave;s partes a livre estipula&ccedil;&atilde;o das regras relativas ao prazo e &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; renova&ccedil;&atilde;o do contrato. Contudo, quando tal n&atilde;o seja expressamente estipulado, veio o legislador estabelecer que o prazo m&iacute;nimo de renova&ccedil;&atilde;o contratual &eacute; de cinco anos (artigo 1110&ordm;, n.&deg; 3 do C&oacute;digo Civil) e que nos primeiros cinco anos de dura&ccedil;&atilde;o do contrato, independentemente do prazo acordado, o senhorio n&atilde;o pode opor-se &agrave; renova&ccedil;&atilde;o (artigo 1110&deg;, n.&deg; 4 do mesmo c&oacute;digo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reda&ccedil;&atilde;o adotada pelo legislador no caso do arrendamento n&atilde;o habitacional, leva a que, se n&atilde;o forem devidamente salvaguardados os interesses do senhorio no contrato, este ao celebrar, por exemplo, um contrato de arrendamento comercial por dois anos pode ficar vinculado por um per&iacute;odo de sete anos, que n&atilde;o equacionou no momento da celebra&ccedil;&atilde;o. Isto porque o senhorio n&atilde;o pode opor-se &agrave; renova&ccedil;&atilde;o do contrato nos primeiros cinco anos da sua vig&ecirc;ncia e o prazo m&iacute;nimo obrigat&oacute;rio de renova&ccedil;&atilde;o &eacute; de cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pese embora se compreenda o objetivo das altera&ccedil;&otilde;es legislativas introduzidas, que visam garantir um per&iacute;odo m&iacute;nimo de vig&ecirc;ncia do contrato consent&acirc;neo com a expectativa temporal m&eacute;dia de rentabilidade de um neg&oacute;cio, justificando-se, assim, a diferen&ccedil;a dos prazos previstos para o arrendamento para fins habitacionais e para o arrendamento para fins n&atilde;o habitacionais, est&aacute; ainda por testar a efici&ecirc;ncia destas medidas no mercado do arrendamento, sendo certo que, &agrave; presente data, claramente n&atilde;o favorecerem um maior dinamismo e oferta de arrendamentos ou a redu&ccedil;&atilde;o do valor das rendas praticadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen&ccedil;a de reda&ccedil;&atilde;o dos preceitos legais que tratam a &ldquo;restri&ccedil;&atilde;o&rdquo; do direito &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; renova&ccedil;&atilde;o do contrato no arrendamento para fins habitacionais e n&atilde;o habitacionais e instituem, ao que se julga, formas distintas de operar, no primeiro caso, a suspens&atilde;o dos efeitos da comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o da renova&ccedil;&atilde;o, e, no segundo, a impossibilidade do exerc&iacute;cio do direito de oposi&ccedil;&atilde;o ao contrato, dar&aacute; azo, em nossa opini&atilde;o, a interpreta&ccedil;&otilde;es que seguramente ser&atilde;o ainda menos favor&aacute;veis ao senhorio, no que se refere ao prazo para o exerc&iacute;cio do direito &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o da renova&ccedil;&atilde;o do contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas estas novas matizes do atual regime do arrendamento recomendam que as partes adotem cada vez mais cautelas antes de celebrar contratos desta natureza, recorrendo &agrave; ajuda de profissionais, para salvaguarda dos seus leg&iacute;timos interesses e expectativas, assim, evitando surpresas e lit&iacute;gios futuros, situa&ccedil;&otilde;es com que a sociedade Belzuz Abogados se tem deparado na assessoria e acompanhamento que presta aos seus clientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4352","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4352"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4352"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4352"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4352"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}