{"id":4366,"date":"2020-03-19T23:00:00","date_gmt":"2020-03-19T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"sector-imobiliario-covid-19-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/sector-imobiliario-covid-19-portugal\/","title":{"rendered":"O sector imobili\u00e1rio e o COVID-19"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Setor imobili&aacute;rio &ndash; A situa&ccedil;&atilde;o atual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O setor imobili&aacute;rio prepara-se para enfrentar uma estagna&ccedil;&atilde;o quase completa em virtude da praticamente inexistente oferta e procura que resultou do surgimento do coronav&iacute;rus SARS-COV-2 (COVID-19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 11 de mar&ccedil;o, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) declarou a Covid-19 como pandemia, alegando &#8220;n&iacute;veis alarmantes de propaga&ccedil;&atilde;o e ina&ccedil;&atilde;o&#8221;. Em virtude da quarentena ter sido apontada pelos especialistas como a forma mais eficaz de conter a propaga&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus, nos &uacute;ltimos dias tem-se assistido a um isolamento volunt&aacute;rio por parte da maior parte da popula&ccedil;&atilde;o por forma a evitar a transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a a terceiros, o que levou ao cancelamento generalizado das visitas a im&oacute;veis e ao adiamento da celebra&ccedil;&atilde;o de contratos de promessa compra e venda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; previs&iacute;vel que a curto prazo a descida de pre&ccedil;os a que se tem vindo a assistir desde o final do ano 2019 seja acentuada como consequ&ecirc;ncia da perda de interesse por parte de alguns clientes e de uma quebra acentuada do turismo e da afeta&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis ao arrendamento de curta dura&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Presta&ccedil;&otilde;es do cr&eacute;dito habita&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&otilde;es de despejo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo as not&iacute;cias mais recentes, o pagamento das presta&ccedil;&otilde;es do cr&eacute;dito habita&ccedil;&atilde;o ir&aacute; ser suspenso em It&aacute;lia, medida que visa combater os efeitos econ&oacute;micos resultantes do surto do COVID-19 que abala fortemente aquele pa&iacute;s. A ABI (Associazione Bancaria Italiana), a associa&ccedil;&atilde;o de bancos italiana, veio a p&uacute;blico declarar que as institui&ccedil;&otilde;es financeiras representativas de 90% do total de ativos banc&aacute;rios iriam oferecer morat&oacute;rias de cr&eacute;dito (o atraso ou suspens&atilde;o do pagamento de presta&ccedil;&otilde;es) a pequenas empresas e fam&iacute;lias que fossem afetadas pelas consequ&ecirc;ncias econ&oacute;micas do coronav&iacute;rus em It&aacute;lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Portugal, na sequ&ecirc;ncia da anunciada flexibiliza&ccedil;&atilde;o das regras para as institui&ccedil;&otilde;es financeiras europeias, h&aacute; not&iacute;cias que d&atilde;o conta que j&aacute; se encontra a ser desenvolvido um trabalho entre o Banco de Portugal e o sistema banc&aacute;rio, sobretudo ao n&iacute;vel da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Bancos (APB), para a suspens&atilde;o do pagamento das presta&ccedil;&otilde;es, de juros ou do capital dos empr&eacute;stimos assumidos pelas empresas junto da banca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a Assembleia da Rep&uacute;blica aprovou a proposta de lei do Governo que determina medidas excecionais e tempor&aacute;rias no dom&iacute;nio do mercado de arrendamento, tais como a suspens&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de despejo, dos procedimentos especiais de despejo e dos processos para entrega de coisa im&oacute;vel arrendada, nos casos em que o arrendat&aacute;rio, por for&ccedil;a da decis&atilde;o judicial final a proferir, possa ser colocado em situa&ccedil;&atilde;o de fragilidade por falta de habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria. Importa igualmente referir que no caso das penhoras o prazo para reclamar ser&aacute; alargado at&eacute; que termine o per&iacute;odo de conting&ecirc;ncia pelo que, na pr&aacute;tica, o processo ficar&aacute; suspenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contratos de arrendamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais quest&otilde;es que se coloca no contexto atual diz respeito &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es contratuais resultantes dos contratos de arrendamento &#8211; contratos no qual uma das partes se obriga a proporcionar &agrave; outra o gozo tempor&aacute;rio de um im&oacute;vel mediante retribui&ccedil;&atilde;o &#8211; atualmente vigentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As d&uacute;vidas que se colocam encontram-se, na sua maioria, relacionadas com a incapacidade de pagar a renda por parte do arrendat&aacute;rio em virtude da pandemia COVID-19 e com a perda de interesse na manuten&ccedil;&atilde;o do arrendamento, esta &uacute;ltima com particular incid&ecirc;ncia no &acirc;mbito do arrendamento de cariz n&atilde;o habitacional, tamb&eacute;m denominados como arrendamentos comerciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, atendendo a que nos encontramos perante uma rela&ccedil;&atilde;o contratual, dever-se-&aacute; atender em primeiro lugar &agrave; vontade das partes e ao que foi acordado entre elas, buscando solu&ccedil;&otilde;es que estejam previstas no &acirc;mbito do contrato celebrado, nomeadamente o disposto em eventuais cl&aacute;usulas de for&ccedil;a maior, cl&aacute;usulas de altera&ccedil;&otilde;es de circunst&acirc;ncias, cl&aacute;usulas de suspens&atilde;o ou prorroga&ccedil;&atilde;o de prazos perante eventos n&atilde;o imput&aacute;veis a nenhumas das partes, etc., algo que obrigar&aacute; a uma avalia&ccedil;&atilde;o casu&iacute;stica de cada contrato. Importa ainda verificar a validade das solu&ccedil;&otilde;es contratualmente previstas perante a lei aplic&aacute;vel ao contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a pr&aacute;tica demonstra que, salvo raras exce&ccedil;&otilde;es &ndash; normalmente no &acirc;mbito de arrendamentos de cariz n&atilde;o habitacionais de longa dura&ccedil;&atilde;o &ndash; n&atilde;o &eacute; comum as partes preverem que a altera&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria das circunst&acirc;ncias afete a execu&ccedil;&atilde;o do contrato de arrendamento, pelo que haver&aacute; que procurar repostas na lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da lei portuguesa haver&aacute; que averiguar os v&aacute;rios institutos que se encontram previstos, nomeadamente na interpreta&ccedil;&atilde;o das declara&ccedil;&otilde;es negociais das partes, integra&ccedil;&atilde;o de lacunas, resolu&ccedil;&atilde;o ou modifica&ccedil;&atilde;o do contrato por altera&ccedil;&atilde;o das circunst&acirc;ncias, etc&hellip;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resolu&ccedil;&atilde;o ou modifica&ccedil;&atilde;o do contrato por altera&ccedil;&atilde;o das circunst&acirc;ncias, por exemplo, determina que caso as circunst&acirc;ncias em que as partes fundaram a decis&atilde;o de contratar tiverem sofrido uma altera&ccedil;&atilde;o anormal, a parte lesada ter&aacute; o direito &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o do contrato ou &agrave; modifica&ccedil;&atilde;o do mesmo, desde que a exig&ecirc;ncia das obriga&ccedil;&otilde;es por ela assumidas afete gravemente os princ&iacute;pios da boa f&eacute; e n&atilde;o esteja coberta pelos riscos pr&oacute;prios do contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa sublinhar que a aplica&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica e transversal desta figura aos contratos de arrendamento em vigor dever&aacute; ser liminarmente afastada, at&eacute; porque esta solu&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e por si uma an&aacute;lise casu&iacute;stica e um ju&iacute;zo de adequa&ccedil;&atilde;o a cada caso. Assim, a aplica&ccedil;&atilde;o deste instituto depender&aacute; sempre de uma liga&ccedil;&atilde;o causal entre a pandemia COVID-19 e a impossibilidade de cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o acordada, sendo igualmente necess&aacute;rio atender aos riscos pr&oacute;prios do contrato em causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ex: <em>Regra geral, uma situa&ccedil;&atilde;o de desemprego ou, no caso de um trabalhador independente, uma diminui&ccedil;&atilde;o de rendimentos acentuada, n&atilde;o constitui causa para a resolu&ccedil;&atilde;o ou modifica&ccedil;&atilde;o de um contrato de arrendamento para fins habitacionais, na medida em que, entre outras raz&otilde;es, este v&iacute;nculo contratual &eacute; alheio &agrave; situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica das partes e n&atilde;o haver&aacute; uma diminui&ccedil;&atilde;o de usufruto do im&oacute;vel por parte do arrendat&aacute;rio.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Face &agrave; atual conjuntura, acreditamos que, na maioria dos casos, quando se perspetive o incumprimento contratual por parte do arrendat&aacute;rio (ex: n&atilde;o pagamento da renda), um acordo alcan&ccedil;ado pela vontade conjunta das partes (senhorio e arrendat&aacute;rio) configurar&aacute; a solu&ccedil;&atilde;o mais adequada para cada caso e que, atendendo &agrave; j&aacute; descrita estagna&ccedil;&atilde;o do mercado imobili&aacute;rio e dos arrendamentos habitacionais e n&atilde;o habitacionais, melhor poder&aacute; salvaguardar os interesses econ&oacute;micos das partes e a continuidade dos contratos atualmente existentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ex: S<em>er&aacute; poss&iacute;vel acordar o deferimento do pagamento de partes das rendas correspondentes aos meses de abril e maio para os restantes meses da dura&ccedil;&atilde;o do contrato em vigor. O aux&iacute;lio de um advogado ser&aacute; essencial para garantir a efic&aacute;cia e seguran&ccedil;a de tais acordos.<\/em><\/p>\n<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4366","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4366"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4366"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4366"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4366"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}