{"id":4387,"date":"2020-05-25T22:00:00","date_gmt":"2020-05-25T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"responsabilidades-parentais-covid-19-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/responsabilidades-parentais-covid-19-portugal\/","title":{"rendered":"As responsabilidades parentais e a COVID-19"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O departamento de Fam&iacute;lia e Empresa Familiar de Belzuz Abogados, S.L. &#8211; Sucursal em Portugal debru&ccedil;a-se hoje sobre as repercuss&otilde;es das altera&ccedil;&otilde;es legislativas resultantes da pandemia COVID 19 nos acordos de regula&ccedil;&atilde;o das responsabilidades parentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modo como devem ser exercidas as responsabilidades parentais neste per&iacute;odo excecional &eacute; uma quest&atilde;o que vem sendo colocada a Belzuz Advogados desde o dia 18 de mar&ccedil;o de 2020, data em que foi decretado o estado de emerg&ecirc;ncia em Portugal, entretanto, renovado j&aacute; por duas vezes dando agora lugar ao estado de calamidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi determinado o confinamento obrigat&oacute;rio em estabelecimento de sa&uacute;de ou no respetivo domic&iacute;lio para os doentes com COVID-19 e os infetados com SARS-Cov2 e cidad&atilde;os sob vigil&acirc;ncia ativa, identificados grupos de risco que s&oacute; poder&atilde;o circular em espa&ccedil;os e vias p&uacute;blicas ou vias privadas equiparadas a vias p&uacute;blicas para assegurar tarefas essenciais e institu&iacute;do um dever geral de recolhimento domicili&aacute;rio para os cidad&atilde;os em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas medidas de isolamento social n&atilde;o p&otilde;em em causa as desloca&ccedil;&otilde;es a realizar por raz&otilde;es familiares imperativas, onde se insere o cumprimento de partilha de responsabilidades parentais, tal como determinado por acordo dos progenitores ou pelo tribunal competente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Significa isto que o estado de emerg&ecirc;ncia decretado a 18 de mar&ccedil;o e o subsequente estado de calamidade n&atilde;o afetaram o cumprimento dos acordos de responsabilidades parentais, de per si, desenvolvendo-se a rela&ccedil;&atilde;o com cada um dos progenitores nos precisos termos em vigor antes de tais declara&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem preju&iacute;zo do supra referido, os tempos &uacute;nicos que vivemos nas nossas vidas, de isolamento social, quarentena volunt&aacute;ria e dever geral de recolhimento domicili&aacute;rio, imp&otilde;em que se pondere adequadamente a manuten&ccedil;&atilde;o dos regimes previamente definidos pelo tribunal ou pelos progenitores em fun&ccedil;&atilde;o de cada caso espec&iacute;fico, ajustando-os ao m&aacute;ximo interesse dos menores, com vista a acautelar as necessidades especificas de preven&ccedil;&atilde;o de cont&aacute;gio da COVID 19 e, em simult&acirc;neo, o conv&iacute;vio com ambos os progenitores nesta fase em que as escolas se encontram fechadas e as rotinas de pais e filhos sofreram altera&ccedil;&otilde;es que saem dos padr&otilde;es normais de qualquer acordo ou decis&atilde;o judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que n&atilde;o haja uma resposta &uacute;nica e consensual sobre estas mat&eacute;rias, at&eacute; porque a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito recente e completamente nova, diz-nos o bom senso que sempre que haja situa&ccedil;&otilde;es de risco de cont&aacute;gio, haver&aacute; naturalmente que suspender, ainda que, temporariamente o regime de resid&ecirc;ncia alternada ou de visitas ao outro progenitor, sem que isso resulte necessariamente numa situa&ccedil;&atilde;o de incumprimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss&atilde;o coloca-se, pois, em saber que tipo de casos podem subsumir-se ao conceito de &ldquo;situa&ccedil;&otilde;es de risco de cont&aacute;gio&rdquo;. E, se relativamente aos progenitores infetados n&atilde;o restam d&uacute;vidas de que a conviv&ecirc;ncia com os filhos &eacute;, nesse per&iacute;odo, claramente uma circunst&acirc;ncia potencializadora do perigo de propaga&ccedil;&atilde;o, a verdade &eacute; que em outras situa&ccedil;&otilde;es tal resposta n&atilde;o &eacute; t&atilde;o evidente, suscitando opini&otilde;es divergentes, cuja validade, na falta de entendimento, ter&aacute; de ser reconhecida pelo Tribunal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute;, por isso, de primordial import&acirc;ncia que os progenitores se empenhem na gest&atilde;o por m&uacute;tuo acordo desta pan&oacute;plia de quest&otilde;es que se suscitam na atualidade em prol do superior interesse dos filhos, fazendo atuar o bom senso e flexibilizando a regula&ccedil;&atilde;o das responsabilidades parentais vigentes, cientes de que uma rela&ccedil;&atilde;o de grande proximidade com ambos os progenitores &eacute; fundamental para um equil&iacute;brio e s&atilde;o desenvolvimento da crian&ccedil;a, que j&aacute; v&ecirc; completamente alterada a sua rotina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os casos em que um dos progenitores exerce uma profiss&atilde;o que represente um risco acrescido de cont&aacute;gio, como sejam os profissionais de sa&uacute;de, bombeiros, for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, funcion&aacute;rios de lares, entre outros, s&atilde;o um exemplo de situa&ccedil;&otilde;es em que devem e podem ser ponderadas medidas de suspens&atilde;o tempor&aacute;ria do cumprimento do regime de regula&ccedil;&atilde;o das responsabilidades parentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que ser&aacute; defens&aacute;vel a ado&ccedil;&atilde;o de id&ecirc;nticas medidas mesmo nos casos em que um dos progenitores n&atilde;o represente um risco de sa&uacute;de acrescido para o filho mas em que o cumprimento do regime vigente implica viagens em transportes p&uacute;blicos, ou o contacto da crian&ccedil;a com adultos especialmente vulner&aacute;veis, como o caso dos av&oacute;s, outros familiares idosos, doentes cr&oacute;nicos, contactos que potenciem o risco de cont&aacute;gio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste per&iacute;odo, mais do que nunca, justifica-se ajustar os acordos existentes &agrave; realidade concreta e &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do perigo potencial de cont&aacute;gio da fam&iacute;lia, equacionando, quando as circunst&acirc;ncias o imp&otilde;em, formas alternativas de conv&iacute;vio com o progenitor que se v&ecirc; temporariamente impedido de conviver fisicamente com o menor, permitindo, proporcionando e fomentando os contactos &agrave; dist&acirc;ncia, seja por meio de sistemas &aacute;udio ou sistemas &aacute;udio e v&iacute;deo atualmente amplamente divulgados e acess&iacute;veis &agrave; maioria das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A redu&ccedil;&atilde;o de rendimentos resultante de procedimentos de lay off simplificado ou do encerramento preventivo das escolas e ATL e a aus&ecirc;ncia, total ou parcial, de rendimentos que assombra os empres&aacute;rios e trabalhadores independentes face &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o de confinamento domicili&aacute;rio faz antever que tamb&eacute;m a obriga&ccedil;&atilde;o de sustento do filho possa vir, em alguns casos, a ficar comprometida, verificando-se o n&atilde;o pagamento do valor das pens&otilde;es de alimentos fixadas anteriormente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se assim &eacute;, os progenitores devem ter presente que estas situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o conduzem automaticamente &agrave; exonera&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o da presta&ccedil;&atilde;o de alimentos aos filhos, pois mesmo em situa&ccedil;&otilde;es de desemprego v&ecirc;m exigindo os Tribunais a &ldquo;total impossibilidade f&iacute;sica do progenitor providenciar pelo sustento dos filhos&rdquo; e o seu caracter superveniente, querendo com isto dizer que para esta an&aacute;lise s&atilde;o convocadas as rendas, as pens&otilde;es, os subs&iacute;dios, as comiss&otilde;es e todos valores de id&ecirc;ntica natureza que o progenitor aufira, bem como o pr&oacute;prio patrim&oacute;nio de que este disp&otilde;e e que lhe possa valer no cumprimento dos seus deveres perante os filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est&aacute; em causa o dever de presta&ccedil;&atilde;o de alimentos aos filhos menores, constitucionalmente consagrado e assente no direito e obriga&ccedil;&atilde;o da sua educa&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o, que reclama uma tutela efetiva, n&atilde;o s&oacute; na vertente civil como tamb&eacute;m criminal, e justifica as especificidades desta obriga&ccedil;&atilde;o de alimentos. E ainda que se assuma uma preval&ecirc;ncia das necessidades do filho menor em confronto com as possibilidades do progenitor alimentante, a verdade &eacute; que o princ&iacute;pio da dignidade da pessoa humana, tamb&eacute;m com guarida legal, exige a salvaguarda de um m&iacute;nimo indispens&aacute;vel &agrave; sobreviv&ecirc;ncia do progenitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; neste contexto que a jurisprud&ecirc;ncia tem entendido que apenas poder&aacute; ser dispensado do pagamento da pens&atilde;o o progenitor que tenha rendimentos equivalentes &agrave; totalidade da pens&atilde;o social do regime n&atilde;o contributivo, que se encontra atualmente fixada em 211,79 euros, por ser considerado o m&iacute;nimo exig&iacute;vel para se respeitar tal princ&iacute;pio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da&iacute; que a falta de pagamento dos valores acordados n&atilde;o deixe, &agrave; priori, de poder ser considerado incumprimento da regula&ccedil;&atilde;o das responsabilidades parentais, na vertente da pens&atilde;o de alimentos, sendo o seu cumprimento pass&iacute;vel de ser coerciva e judicialmente exigido. Aconselha-se, por isso, que perante a modifica&ccedil;&atilde;o das circunst&acirc;ncias que fundamentaram o quantum da pens&atilde;o de alimentos o percurso seja o da apresenta&ccedil;&atilde;o de uma a&ccedil;&atilde;o de altera&ccedil;&atilde;o do regime adaptando-o &agrave;s atuais circunst&acirc;ncias de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, este per&iacute;odo excecional em que foram adotadas medidas de limita&ccedil;&otilde;es &agrave;s desloca&ccedil;&otilde;es e ao conv&iacute;vio social, n&atilde;o pode ser usado pelos progenitores para, de forma injustificada, impedir o contacto entre filhos e pais ou o desrespeito da obriga&ccedil;&atilde;o de alimentos, dando azo a um conflito parental e ao incumprimento do regime de exerc&iacute;cio das responsabilidades parentais, que visa sempre garantir, em primeiro lugar, o melhor interesse dos menores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos assim de ajustar de forma ponderada os nossos comportamentos para que as rela&ccedil;&otilde;es parentais n&atilde;o fiquem prejudicadas mais do que o estritamente necess&aacute;rio &agrave;s necessidades de preven&ccedil;&atilde;o e combate da pandemia causada pela COVID-19, devendo os progenitores tomar decis&otilde;es respons&aacute;veis e cumprir os acordos estabelecidos sempre que n&atilde;o se ponha os menores em risco, mas sendo capazes de, face ao superior interesse dos seus filhos, alterar as regras estabelecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Departamento de Fam&iacute;lia e Empresa Familiar de Belzuz Abogados, S.L. de Belzuz Abogados, S.L. continuar&aacute; a dar nota das altera&ccedil;&otilde;es legislativas de relevo nestas mat&eacute;rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: -90px;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4387","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4387"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4387"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4387"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4387"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}