{"id":4401,"date":"2020-07-30T22:00:00","date_gmt":"2020-07-30T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"o-direito-indemnizatorio-a-luz-da-medicina-estetica","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/o-direito-indemnizatorio-a-luz-da-medicina-estetica\/","title":{"rendered":"O direito indemnizat\u00f3rio \u00e0 luz da medicina est\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Assistimos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas a uma preocupa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento crescentes do culto da beleza que justifica o aumento vis&iacute;vel do recurso &agrave;s cirurgias est&eacute;ticas realizadas diariamente em Portugal, na expectativa de obter uma imagem perfeita. E se a percentagem de sucessos &eacute; consider&aacute;vel, a verdade &eacute; que tamb&eacute;m se tem sentido um incremento das situa&ccedil;&otilde;es que terminam em Tribunal, porque por algum motivo n&atilde;o tiveram o desfecho esperado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Belzuz Abogados, SLP &ndash; Sucursal em Portugal, por diversas vezes confrontada com casos em que se discute a <strong>responsabilidade civil pela pr&aacute;tica de atos m&eacute;dicos<\/strong>, dedica este m&ecirc;s a sua aten&ccedil;&atilde;o a esta problem&aacute;tica, centrando a sua an&aacute;lise nos tratamentos est&eacute;ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando algu&eacute;m se dirige a um consult&oacute;rio ou cl&iacute;nica m&eacute;dica privada para corrigir um defeito f&iacute;sico ou melhorar a sua apar&ecirc;ncia e realiza os tratamentos que lhe foram aconselhados, entende a jurisprud&ecirc;ncia que, em regra, celebra um contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, definido como &ldquo;aquele em que uma das partes se obriga a proporcionar &agrave; outra certo resultado do seu trabalho intelectual ou manual, com ou sem retribui&ccedil;&atilde;o&ldquo;, ainda que n&atilde;o seja de rejeitar em determinadas situa&ccedil;&otilde;es a concorr&ecirc;ncia ou mesmo a aplica&ccedil;&atilde;o exclusiva do instituto da responsabilidade civil extracontratual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, por isso, a responsabilidade civil m&eacute;dica geradora da obriga&ccedil;&atilde;o de indemnizar convoca necessariamente o preenchimento de quatro pressupostos: (i) o incumprimento do contrato ou o seu cumprimento defeituoso, (ii) a culpa, (iii) a exist&ecirc;ncia de dano e (iv) o nexo de causalidade, ou seja, que os danos derivem da viola&ccedil;&atilde;o do contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos conceptuais a responsabilidade civil pela pr&aacute;tica de ato m&eacute;dico reveste de simplicidade, ainda que a experi&ecirc;ncia nos demonstre que a aplica&ccedil;&atilde;o ao caso concreto se revela, as mais das vezes, complexa e delicada, dado a especificidade da mat&eacute;ria em causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suscitam-se, desde logo, incertezas relativamente &agrave; natureza da obriga&ccedil;&atilde;o contratual assumida pelo m&eacute;dico, discutindo-se se se trata de uma obriga&ccedil;&atilde;o de meios ou uma obriga&ccedil;&atilde;o de resultado, e ainda que se entenda que a an&aacute;lise desta quest&atilde;o deve ser feita de forma casu&iacute;stica e em fun&ccedil;&atilde;o das circunst&acirc;ncias espec&iacute;ficas do caso concreto, a verdade &eacute; que, de alguma forma, a jurisprud&ecirc;ncia v&ecirc;m estabelecendo alguns crit&eacute;rios orientadores nesta mat&eacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No &acirc;mbito da medicina destinada a restituir sa&uacute;de, o resultado a que faz refer&ecirc;ncia a norma legal que supra se transcreve n&atilde;o &eacute; a cura da patologia do doente mas a obriga&ccedil;&atilde;o de prestar todos os cuidados de sa&uacute;de adequados &agrave; sua obten&ccedil;&atilde;o, com a observ&acirc;ncia diligente e cuidadosa das regras da ci&ecirc;ncia e da legis artis, configurando-se, por conseguinte, como uma obriga&ccedil;&atilde;o de meios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; no campo da medicina est&eacute;tica, e ainda que, de modo geral, a jurisprud&ecirc;ncia venha entendendo que a obriga&ccedil;&atilde;o assumida pelo m&eacute;dico n&atilde;o deixa de ser uma obriga&ccedil;&atilde;o de meios, dado que o m&eacute;dico n&atilde;o pode comprometer-se a alcan&ccedil;ar uma melhoria est&eacute;tica, porquanto, n&atilde;o domina todos os fatores que contribuem para esse fim, a verdade &eacute; que o resultado ganha um relevo muito significativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, no campo da est&eacute;tica onde &ldquo;s&oacute; o resultado vale a pena&rdquo; vem-se desenvolvendo uma obriga&ccedil;&atilde;o de meios mais exigente apelidada de obriga&ccedil;&atilde;o de quase resultado, &ldquo;donde, qualquer m&eacute;dico, cumpridor dos seus deveres legais e deontol&oacute;gicos, e ciente das vicissitudes de qualquer cirurgia, apenas se deve empenhar com a utiliza&ccedil;&atilde;o dos meios que, em concreto, se adequarem &agrave; respetiva situa&ccedil;&atilde;o, satisfazendo a sua obriga&ccedil;&atilde;o quando, depois de esclarecer o doente dos riscos associados &agrave; interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica, e usando de toda a dilig&ecirc;ncia, emprega os conhecimentos e as t&eacute;cnicas ditadas pelas leges artis da especialidade&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, se o resultado pretendido n&atilde;o foi alcan&ccedil;ado ou se do tratamento resultaram efeitos desvantajosos ou n&atilde;o desejados, mas o m&eacute;dico cumpriu com as regras da legis artis da especialidade, empregando todo o seu saber e dilig&ecirc;ncia na escolha e administra&ccedil;&atilde;o do tratamento e praticando todos os atos destinados &agrave; finalidade alcan&ccedil;ada, e, se para al&eacute;m disso, o m&eacute;dico assegurou tamb&eacute;m o dever de informa&ccedil;&atilde;o do paciente relativamente aos riscos e danos eventualmente decorrentes da realiza&ccedil;&atilde;o do ato m&eacute;dico, n&atilde;o h&aacute; erro m&eacute;dico e logicamente n&atilde;o h&aacute; obriga&ccedil;&atilde;o de restitui&ccedil;&atilde;o do valor pago pelo tratamento ou de indemniza&ccedil;&atilde;o dos danos que dele decorreram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus&atilde;o, a responsabilidade por ato m&eacute;dico, na perspetiva contratual, exige a verifica&ccedil;&atilde;o de uma situa&ccedil;&atilde;o de incumprimento do contrato ou de cumprimento defeituoso geradora de danos, estando o lesado dispensando da prova da culpa porque a mesma se presume nos termos legais, cabendo ao m&eacute;dico elidir a dita presun&ccedil;&atilde;o para se libertar da obriga&ccedil;&atilde;o de indemnizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Belzuz Abogados SLP &ndash; Sucursal em Portugal conta j&aacute; com mais de uma d&eacute;cada de experi&ecirc;ncia na assessoria jur&iacute;dica de quest&otilde;es desta natureza, assegurando o patroc&iacute;nio de pacientes e m&eacute;dico em ju&iacute;zo, sempre que a solu&ccedil;&atilde;o amistosa n&atilde;o seja j&aacute; uma alternativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4401","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4401"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4401"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4401"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4401"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}