{"id":4429,"date":"2021-01-10T23:00:00","date_gmt":"2021-01-10T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"o-acesso-ao-processo-clinico-pelo-paciente-lisboa-porto-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/o-acesso-ao-processo-clinico-pelo-paciente-lisboa-porto-portugal\/","title":{"rendered":"O acesso ao processo cl\u00ednico pelo paciente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Caso um utente de estabelecimentos de sa&uacute;de tenha alguma d&uacute;vida acerca do seu acompanhamento m&eacute;dico, poder&aacute; solicitar c&oacute;pia do registo cl&iacute;nico do mesmo, por forma a poder analis&aacute;-lo pessoalmente ou pedir uma segunda opini&atilde;o. Com efeito, qualquer paciente que seja acompanhado em servi&ccedil;os p&uacute;blicos ou privados de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, tem direito a aceder ao seu processo cl&iacute;nico, n&atilde;o podendo ser-lhe negado esse direito, ainda que essa recusa tenha como fundamento o facto de o mesmo ser reservado ou confidencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta foi uma mat&eacute;ria muito discutida, em tempos, uma vez que o acesso a estes registos poderia criar alguns efeitos negativos no tratamento dos utentes, designadamente na dif&iacute;cil interpreta&ccedil;&atilde;o da terminologia m&eacute;dica, o que, em certas situa&ccedil;&otilde;es, se poderia traduzir numa maior ansiedade em certos utentes. No entanto, o dever de informa&ccedil;&atilde;o e a exig&ecirc;ncia de transpar&ecirc;ncia no tratamento de dados pessoais exigiu que, desde 2014, se tenha determinado a regra de acesso aos mesmos por parte daqueles que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, s&atilde;o os titulares dessas informa&ccedil;&otilde;es, ou seja, os utentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, nos termos do disposto no n.&ordm; 1 artigo 5.&ordm; da Lei 15\/2014, de 21 de maio, todo o &ldquo;<em>utente dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de &eacute; titular dos direitos &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de dados pessoais e &agrave; reserva da vida privada&rdquo;. Por esse facto, ainda que a lei determine um dever de sigilo em rela&ccedil;&atilde;o a estes dados pessoais, n&atilde;o &eacute; menos verdade que o regime jur&iacute;dico considera que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, o utente dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de &eacute; o titular desses dados pessoais e, por isso, pode aceder aos mesmos a qualquer momento, n&atilde;o podendo as entidades prestadoras desses cuidados recusar o seu acesso. Este direito &eacute; novamente definido no n&uacute;mero 3 do referido artigo, quando se menciona que o utente dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, que &eacute; o titular do direito de acesso aos dados pessoais recolhidos, pode, por isso, &ldquo;exigir a retifica&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es inexatas e a inclus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es total ou parcialmente omissas<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pedido de acesso aos direitos de sa&uacute;de poder&aacute;, por vezes, ter de ser realizado por meio indireto, isto &eacute;, naqueles casos em que o acesso ao processo cl&iacute;nico &eacute; concedido, mas apenas mediante um m&eacute;dico nomeado pelo paciente. Com efeito, em certos casos, ser&aacute; necess&aacute;rio solicitar, por exemplo, ao m&eacute;dico especialista a quem ser&aacute; solicitada uma segunda opini&atilde;o cl&iacute;nica que proceda ao pedido do envio da totalidade do registo cl&iacute;nico, devendo o estabelecimento de sa&uacute;de remeter diretamente para o mesmo os elementos solicitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naturalmente que este acesso assume ainda maior acuidade nos casos em que se poder&aacute; suspeitar a exist&ecirc;ncia de erro m&eacute;dico e\/ou, pelo menos, de um insuficiente cumprimento dos deveres de informa&ccedil;&atilde;o e obten&ccedil;&atilde;o de consentimento informado. At&eacute; porque, como se encontra determinado no artigo 9.&ordm; da Lei 15\/2014, o &ldquo;<em>utente dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de tem direito a reclamar e apresentar queixa nos estabelecimentos de sa&uacute;de, nos termos da lei, bem como a receber indemniza&ccedil;&atilde;o por preju&iacute;zos sofridos<\/em>&rdquo;. Neste &acirc;mbito, a Belzuz Advogados apresenta uma equipa de advogados especializados nesta &aacute;rea de atividade, que poder&aacute; assistir o utente (e\/ou os seus familiares) na obten&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, assim como na avalia&ccedil;&atilde;o de viabilidade legal de um eventual processo judicial.Em suma no que a este ponto diz respeito, n&atilde;o obstante se encontrarem abrangidos por um dever de sigilo, os dados pessoais recolhidos pelos utentes de estabelecimentos de sa&uacute;de t&ecirc;m direito a aceder aos mesmos, por serem os titulares dos mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, sem preju&iacute;zo da obriga&ccedil;&atilde;o de acesso aos registos cl&iacute;nicos, existe, contudo, um dever de sigilo por parte dos prestadores de cuidados de sa&uacute;de, que devem garantir que os dados de sa&uacute;de recolhidos n&atilde;o s&atilde;o acess&iacute;veis por ningu&eacute;m que n&atilde;o esteja autorizado para realizar o tratamento dos mesmos. Assim, a Lei 15\/2014, no seu artigo 6&ordm; n.&ordm; 2 estabelece que os &ldquo;profissionais de sa&uacute;de est&atilde;o obrigados ao dever de sigilo relativamente aos factos de que tenham conhecimento no exerc&iacute;cio das suas fun&ccedil;&otilde;es, salvo lei que disponha em contr&aacute;rio ou decis&atilde;o judicial que imponha a sua revela&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo, ainda que recaindo sobre os profissionais de sa&uacute;de que tratam os dados de sa&uacute;de recolhidos aos pacientes um dever de sigilo sobre os mesmos, os utentes ter&atilde;o sempre direito de acesso aos mesmos, podendo requerer, diretamente ou atrav&eacute;s de outro profissional de sa&uacute;de, o envio dos dados pessoais para an&aacute;lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4429","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4429"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4429"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4429"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4429"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}