{"id":4441,"date":"2021-02-17T23:00:00","date_gmt":"2021-02-17T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"o-juiz-pode-sem-o-acordo-dos-pais-determinar-a-residencia-alternada-do-menor","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/o-juiz-pode-sem-o-acordo-dos-pais-determinar-a-residencia-alternada-do-menor\/","title":{"rendered":"O juiz pode, sem o acordo dos pais, determinar a resid\u00eancia alternada do menor?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><\/strong> trata no presente artigo o tema da resid&ecirc;ncia alternada do filho no caso de div&oacute;rcio, separa&ccedil;&atilde;o judicial de pessoas e bens, declara&ccedil;&atilde;o de nulidade ou anula&ccedil;&atilde;o do casamento dos progenitores, pela relev&acirc;ncia que assume no quotidiano das fam&iacute;lias e porque recentemente foi objeto de uma pertinente altera&ccedil;&atilde;o legislativa, que entrou em vigor no passado dia 1 de dezembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente os progenitores n&atilde;o precisam de estar de acordo para que o Tribunal decrete o regime de resid&ecirc;ncia alternada dos filhos, nem a ado&ccedil;&atilde;o do referido regime prejudica a fixa&ccedil;&atilde;o da pens&atilde;o de alimentos, estando na m&atilde;o dos ju&iacute;zes a decis&atilde;o &uacute;ltima sobre a solu&ccedil;&atilde;o mais adequada ao exerc&iacute;cio das responsabilidades parentais no caso em concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a determina&ccedil;&atilde;o da resid&ecirc;ncia alternada entre progenitores tem de se revelar uma &ldquo;medida que providencie pelo melhor desenvolvimento e educa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, que deve crescer com uma ideia clara do que &eacute; um lar fixo e est&aacute;vel, que tem direito a construir um c&iacute;rculo espec&iacute;fico de amigos e um ambiente est&aacute;vel.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz tem sempre de ponderar e decidir segundo o superior &ldquo;interesse do menor, incluindo o de manter uma rela&ccedil;&atilde;o de grande proximidade com os dois progenitores&rdquo; e deve promover &ldquo;os acordos ou tomando decis&otilde;es que favore&ccedil;am amplas oportunidades de contacto com ambos e de partilha de responsabilidades entre eles&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se a intercomunicabilidade entre os progenitores &eacute; deficit&aacute;ria ou inexistente, se conflitualidade entre os progenitores se estende &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es com os filhos e fam&iacute;lias, se n&atilde;o h&aacute; m&uacute;tua confian&ccedil;a parental no que respeita &agrave; capacidade de cuidar dos filhos ou de os acompanhar no estudo, se as rotinas e hor&aacute;rios do menor sofrem diferen&ccedil;as acentuadas, se algum dos progenitores n&atilde;o reside numa &aacute;rea geogr&aacute;fica pr&oacute;xima, imp&otilde;e-se a ado&ccedil;&atilde;o de medidas distintas e mais limitativas, como seja, a resid&ecirc;ncia &uacute;nica mitigada com o direito de visita do outro progenitor, mais amplo ou restrito, consoante a valora&ccedil;&atilde;o que for feita pelo juiz das circunst&acirc;ncias que podem colocar em perigo a continuidade da educa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a altera&ccedil;&atilde;o legislativa aprovada n&atilde;o tenha consagrado a resid&ecirc;ncia alternada como regime preferencial em mat&eacute;ria de regula&ccedil;&atilde;o das responsabilidades parentais, como resultava da proposta da lei, deu um passo decisivo na altera&ccedil;&atilde;o do paradigma e ideologia vigentes, sendo, &eacute; certo, t&iacute;mida, mas reconhecendo j&aacute; o rumo que se pretende tomar em prol da equipara&ccedil;&atilde;o dos progenitores e materializa&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da igualdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a realidade jurisprudencial j&aacute; vinha trilhando um caminho baseado na salvaguarda do interesse do menor para aplicar a guarda compartilhada &eacute; um facto que n&atilde;o se desconhece, mas que muita tinta fez correr nos nosso Tribunais a problem&aacute;tica associada ao acordo dos pais para sua implementa&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m um facto que n&atilde;o se pode ignorar, at&eacute; porque suscitou interpreta&ccedil;&otilde;es, e muitas, em sentidos opostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A altera&ccedil;&atilde;o legislativa introduzida tem, pois, a nosso ver, uma mais valia ineg&aacute;vel de promover a certeza e seguran&ccedil;a jur&iacute;dicas e refor&ccedil;ar a legitimidade das decis&otilde;es dos nossos Tribunais, sejam elas provis&oacute;rias ou definitivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O direito de um dos progenitores requerer a fixa&ccedil;&atilde;o de pens&atilde;o de alimentos no regime da resid&ecirc;ncia alternada, ainda que j&aacute; decorresse do regime legal vigente, ganha com a ressalva efetuada pela recente lei, um novo folego, posto que, a jurisprud&ecirc;ncia dominante vem, no geral, afastando a sua aplica&ccedil;&atilde;o, por entender n&atilde;o haver qualquer justifica&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel para a fixar quando o menor fica a residir com ambos os progenitores e cada um deles suporta as despesas do menor na semana em que o tenha na sua companhia e ainda metade das despesas essenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve, no entanto, interpretar-se com prud&ecirc;ncia a salvaguarda feita pelo legislador &agrave; pens&atilde;o de alimentos, n&atilde;o se pretendendo, ao que julgamos, uma prolifera&ccedil;&atilde;o desmedida da sua fixa&ccedil;&atilde;o, mas apenas e t&atilde;o s&oacute; que n&atilde;o sejam quest&otilde;es econ&oacute;micas a privar a conviv&ecirc;ncia regular e partilhada dos progenitores com os filhos. Visando, deste modo, a determina&ccedil;&atilde;o da pens&atilde;o de alimentos corrigir situa&ccedil;&otilde;es de desequil&iacute;brio de rendimentos e\/ou despesas entre os pais em benef&iacute;cio do interesse do menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus&atilde;o, a resid&ecirc;ncia alternada do menor com cada um dos progenitores, em caso de div&oacute;rcio, separa&ccedil;&atilde;o judicial de pessoas e bens, declara&ccedil;&atilde;o de nulidade ou anula&ccedil;&atilde;o do casamento &eacute; um regime cuja aplica&ccedil;&atilde;o pode ser decidida pelo juiz, sem o acordo dos progenitores, e que ganha cada vez mais territ&oacute;rio nas decis&otilde;es jurisprudenciais do presente. &Eacute; ainda, sem margem para d&uacute;vidas, o regime privilegiado do futuro, por ser o que mais se assemelha &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em que o menor se encontrava antes da separa&ccedil;&atilde;o dos pais, apesar de o legislador n&atilde;o ter querido reconhec&ecirc;-lo no imediato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Belzuz Abogados SLP &ndash; Sucursal em Portugal acompanha atentamente a atua&ccedil;&atilde;o dos Tribunais nesta mat&eacute;ria, em particular, no que respeita &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o do interesse do menor e circunst&acirc;ncias que inviabilizam a aplica&ccedil;&atilde;o do regime da resid&ecirc;ncia alternada por serem essenciais &agrave; defesa dos interesses dos seus clientes e agilizarem a negocia&ccedil;&atilde;o e formaliza&ccedil;&atilde;o de acordos de regula&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio das responsabilidades parentais, evitando-se, quando poss&iacute;vel, o recurso aos Tribunais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; a fixa&ccedil;&atilde;o de uma pens&atilde;o de alimentos no regime de resid&ecirc;ncia alternada, &eacute; uma medida que encaramos com alguma apreens&atilde;o, ainda que esta possibilidade j&aacute; estivesse prevista na lei, aguardando o entendimento e aplica&ccedil;&atilde;o que os Tribunais dela far&atilde;o, cientes de que este direito poder&aacute; potenciar o lit&iacute;gio entre os progenitores mais do que beneficiar a aplica&ccedil;&atilde;o do regime que pretende salvaguardar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4441","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4441"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4441"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4441"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4441"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}