{"id":4451,"date":"2021-03-25T23:00:00","date_gmt":"2021-03-25T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"responsabilidade-contratual-cirurgias-esteticas-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/responsabilidade-contratual-cirurgias-esteticas-portugal\/","title":{"rendered":"A responsabilidade contratual em cirurgias puramente est\u00e9ticas \u2013 a presun\u00e7\u00e3o de culpa e a relev\u00e2ncia do consentimento m\u00e9dico informado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No seguimento da an&aacute;lise da responsabilidade decorrente da realiza&ccedil;&atilde;o de tratamentos de natureza est&eacute;tica, procederemos &agrave; an&aacute;lise do recente Ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa de 25\/02\/2021, dispon&iacute;vel in <strong><\/strong>, decis&atilde;o que, uma vez mais, veio admitir a exist&ecirc;ncia de uma obriga&ccedil;&atilde;o de resultados neste tipo de interven&ccedil;&otilde;es. Nesta decis&atilde;o, e ainda que desconhe&ccedil;amos se a mesma &eacute; ainda pass&iacute;vel de recurso, &eacute; admitido que, ap&oacute;s uma interven&ccedil;&atilde;o de aumento peniano, mas ainda durante o per&iacute;odo de controlo (p&oacute;s cirurgia) a que o m&eacute;dico est&aacute; adstrito, se o paciente desenvolver complica&ccedil;&otilde;es que v&ecirc;m a ter como consequ&ecirc;ncia a disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til, estamos perante uma situa&ccedil;&atilde;o de incumprimento contratual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclui, ainda, a referida decis&atilde;o que &ldquo;<em>A cirurgia de aumento peniano contratada por quem n&atilde;o sofre de nenhuma doen&ccedil;a ou afecta&ccedil;&atilde;o do foro sexual, simplesmente pois com pura finalidade est&eacute;tica, a um profissional desse tipo de cirurgia, envolve para este uma obriga&ccedil;&atilde;o de resultado e n&atilde;o uma obriga&ccedil;&atilde;o de meios<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A referida decis&atilde;o assume, ainda, relev&acirc;ncia uma vez que conclui que a ilicitude deste comportamento n&atilde;o &eacute; afastada pelo facto de existir um documento de consentimento informado no qual, em suma, &ldquo;<em>se aceitam como bons os resultados que forem produzidos pela interven&ccedil;&atilde;o e em que se declara que se tomou conhecimento dos riscos inerentes a este tipo de interven&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;. Com efeito, o tribunal superior vem esclarecer que, para o documento de consentimento informado produzir os efeitos que, neste caso, pretendia a Cl&iacute;nica, (desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o da mesma atento o cumprimento do dever de informa&ccedil;&atilde;o do paciente) deveria conter os mencionados riscos e ser assinado pelo paciente. Ou seja, os riscos da interven&ccedil;&atilde;o teriam de ser descritos no consentimento ou teria de ter sido provado que tinham sido devidamente informados, o que no caso n&atilde;o ocorreu. Neste sentido, o ac&oacute;rd&atilde;o, na motiva&ccedil;&atilde;o de Direito, esclarece que &ldquo;falhando a prova dos riscos informados e interpretando a declara&ccedil;&atilde;o de consentimento na perspectiva dum declarat&aacute;rio normal, n&atilde;o se chega ao consentimento nem &agrave; transfer&ecirc;ncia de risco que impediria a ilicitude da conduta do [r&eacute;u]&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an&aacute;lise do teor e extens&atilde;o do consentimento informado &eacute; um dos pontos fulcrais na avalia&ccedil;&atilde;o de qualquer situa&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;vel exist&ecirc;ncia de neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica. Neste sentido, o <strong><\/strong> de Belzuz Advogados SLP &ndash; Sucursal em Portugal disp&otilde;e de uma equipa de advogados com ampla experi&ecirc;ncia em situa&ccedil;&otilde;es desta natureza que poder&aacute; prestar assessoria jur&iacute;dica na an&aacute;lise desse tipo de documentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas um dos principais pontos que &eacute; analisado pela decis&atilde;o que agora se publicou prende-se com a an&aacute;lise do pressuposto da culpa, atenta a exist&ecirc;ncia de responsabilidade contratual na situa&ccedil;&atilde;o em concreto. &Eacute; consabido que, nos termos do disposto no artigo 799.&ordm; do C&oacute;digo Civil, a culpa se presume na responsabilidade contratual, cabendo &agrave; entidade que produz o dano ilidir essa presun&ccedil;&atilde;o, demonstrando que a falta de cumprimento (ou cumprimento defeituoso) n&atilde;o procede de culpa sua, designadamente porque os procedimentos que adotou se mostraram conformes &agrave;s melhores pr&aacute;ticas e conhecimentos (ou ainda, por exist&ecirc;ncia de culpa do lesado). No caso em apre&ccedil;o, para ilidir a presun&ccedil;&atilde;o, as entidades lesantes alegaram a teoria do &ldquo;reasonable doctor&rdquo;, como padr&atilde;o de aferi&ccedil;&atilde;o da culpa, teoria que defende que a sua exig&ecirc;ncia se deve aferir atrav&eacute;s do cumprimento das Ieges artis com a dilig&ecirc;ncia normal de um m&eacute;dico m&eacute;dio (reasonable doctor). No entanto, o tribunal superior considera que, in casu, n&atilde;o ser&aacute; aplic&aacute;vel tal teoria, uma vez que estamos perante uma cirurgia pl&aacute;stica exclusivamente est&eacute;tica, &ldquo;o que implica um conhecimento muito mais profundo da pr&oacute;pria t&eacute;cnica e dos seus riscos, em abstrato e em previs&atilde;o concreta sobre um cliente que tem de examinar previamente, porque &eacute; isso que &ldquo;vende&rdquo; a clientes com o poder\/liberdade de n&atilde;o aceitarem&rdquo;. Concluindo, o tribunal, sobre essa mat&eacute;ria, que, por esse facto, o &ldquo;reasonable doctor&rdquo; n&atilde;o &eacute; o que pode falhar, n&atilde;o &eacute; um profissional mal pago em banco de urg&ecirc;ncia h&aacute; muitas horas seguidas que se engana, este m&eacute;dico m&eacute;dio em cirurgia pl&aacute;stica est&eacute;tica tem a sua fasquia colocada mais acima&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus&atilde;o, neste ac&oacute;rd&atilde;o, o Tribunal da Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa assume a exist&ecirc;ncia de uma obriga&ccedil;&atilde;o de resultado no caso de uma cirurgia puramente est&eacute;tica. Para al&eacute;m desse facto, esse aresto sublinha que o consentimento informado prestado pelo paciente deve ser o mais minucioso poss&iacute;vel, alertando, de forma expressa, o paciente para os riscos associados &agrave; interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica e dos poss&iacute;veis resultados nefastos que a mesma pode provocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4451","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4451"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4451"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4451"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4451"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}