{"id":4500,"date":"2021-11-01T23:00:00","date_gmt":"2021-11-01T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"diagnostico-pre-natal-responsabilidade-medica-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/diagnostico-pre-natal-responsabilidade-medica-portugal\/","title":{"rendered":"O diagn\u00f3stico pr\u00e9-natal e a responsabilidade m\u00e9dica (wrongful birth actions)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O <strong style=\"text-align: justify;\"><\/strong> de Belzuz Abogados S.L.P. &#8211; Sucursal em Portugal debru&ccedil;a-se neste artigo na an&aacute;lise da <strong>responsabilidade civil m&eacute;dica proveniente de erro no diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal<\/strong>, mat&eacute;ria cuja an&aacute;lise e tratamento tem sofrido uma franca evolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos pa&iacute;ses onde a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez (IVG) &eacute; permitida t&ecirc;m vindo a tornar-se cada vez mais comuns as chamadas a&ccedil;&otilde;es de &laquo;wrongful birth&raquo; (a&ccedil;&atilde;o por dano de nascimento indesejado ou indevido), que se traduzem em a&ccedil;&otilde;es propostas pelos progenitores crian&ccedil;a que nasce com uma malforma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o detetada ou n&atilde;o informada pelos m&eacute;dicos aquando da realiza&ccedil;&atilde;o dos exames pr&eacute;-natais, e que t&ecirc;m em vista o ressarcimento dos danos patrimoniais e n&atilde;o patrimoniais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, um erro m&eacute;dico na realiza&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o ou comunica&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal, que venha a originar uma situa&ccedil;&atilde;o de desconhecimento pelos progenitores de malforma&ccedil;&otilde;es cong&eacute;nitas ou doen&ccedil;as graves no feto, inviabiliza a possibilidade de recurso &agrave; IVG e leva ao nascimento de uma crian&ccedil;a que, por se encontrar onerada na sua sa&uacute;de pode ser indesejada, o que justifica que os progenitores se possam socorrer do instituto da responsabilidade civil com vista a obter uma indemniza&ccedil;&atilde;o por danos n&atilde;o patrimoniais e patrimoniais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realce-se que os exames pr&eacute;-natais permitem e t&ecirc;m por objetivo detetar e identificar eventuais malforma&ccedil;&otilde;es do feto e, em caso de que tal ocorra, possibilitar a op&ccedil;&atilde;o consciente pela interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez nas circunst&acirc;ncias estritamente previstas na Lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os progenitores e o m&eacute;dico que procede &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de tais exames &eacute; estabelecido um Contrato de Presta&ccedil;&atilde;o de Servi&ccedil;os, nos exatos termos do estatu&iacute;do no artigo 1154.&ordm; do C&oacute;digo Civil e, em termos gerais, tende a qualificar-se a obriga&ccedil;&atilde;o assumida pelo m&eacute;dico como obriga&ccedil;&atilde;o de meios e n&atilde;o de resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal significa que este cumpre a sua obriga&ccedil;&atilde;o quando presta os seus servi&ccedil;os de acordo com as regras e os m&eacute;todos da profiss&atilde;o, em estrito respeito pelas melhores t&eacute;cnicas da &laquo;legis artis&raquo;, afastando assim a presun&ccedil;&atilde;o de culpa vertida no n.&ordm; 1 do artigo 799.&ordm; do C&oacute;digo Civil. &Eacute; ao lesado que compete demonstrar que o lesante n&atilde;o atuou de acordo com as chamadas &laquo;legis artis&raquo; e que a les&atilde;o decorre de um comportamento negligente do m&eacute;dico, o que, em regra, constitui uma prova de extrema dificuldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o obstante, tem vindo a considerar-se que, no que respeita aos exames pr&eacute;-natais, que se traduzem na realiza&ccedil;&atilde;o de exames laboratoriais com o inerente diagn&oacute;stico, a obriga&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico consiste numa obriga&ccedil;&atilde;o de resultado e n&atilde;o de meios, o que significa que o m&eacute;dico se vincula &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de um resultado espec&iacute;fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A qualifica&ccedil;&atilde;o como obriga&ccedil;&atilde;o de resultado tem como consequ&ecirc;ncia caber ao m&eacute;dico provar, em caso de malforma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o detetada ou n&atilde;o informada aos progenitores, que tal resultado decorre de uma impossibilidade objetiva, atribu&iacute;vel a caso fortuito ou de for&ccedil;a maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao m&eacute;dico que realiza os exames laboratoriais &ndash; que atingiram um elevado grau de especializa&ccedil;&atilde;o &#8211; cabe proceder &agrave; sua adequada interpreta&ccedil;&atilde;o, de acordo com as regras cientificamente vigentes e comunicar na &iacute;ntegra os resultados aos pais, com todos os esclarecimentos necess&aacute;rios, para que estes possam tomar uma decis&atilde;o livre, consciente e informada quanto ao prosseguimento ou interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclui-se, pois, que nos casos em que ocorre o nascimento com alguma m&aacute; forma&ccedil;&atilde;o que pudesse ter sido detetada durante a gravidez, a tempo de a poder interromper dentro do prazo legalmente previsto, e se produziu um diagn&oacute;stico err&oacute;neo ou n&atilde;o houve informa&ccedil;&atilde;o aos progenitores, se aplica o regime da responsabilidade civil contratual, e consequentemente a presun&ccedil;&atilde;o de culpa que recair&aacute; sobre o m&eacute;dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proximamente abordaremos a mat&eacute;ria das a&ccedil;&otilde;es por dano de vida indesejada ou indevida &#8211; &laquo;wrongful life&raquo; &#8211; que s&atilde;o aquela que s&atilde;o interpostas pelo pr&oacute;prio com vista a reclamar danos, patrimoniais e morais, relacionados com o facto de ter nascido com tais condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4500","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4500"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4500"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4500"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4500"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}