{"id":4540,"date":"2022-06-26T22:00:00","date_gmt":"2022-06-26T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"negligencia-medica-nas-unidades-de-saude-privada-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/negligencia-medica-nas-unidades-de-saude-privada-portugal\/","title":{"rendered":"Como veem os nossos Tribunais a neglig\u00eancia m\u00e9dica nas unidades de sa\u00fade privada?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\tO recurso &agrave;s unidades privadas de sa&uacute;de ocupa hoje em Portugal um lugar de destaque na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados m&eacute;dicos,<br \/>\n\tcom especial incid&ecirc;ncia nas &aacute;reas urbanas. Da&iacute; que muito frequentemente se vejam confrontadas em Tribunal, juntamente com os profissionais de sa&uacute;de que para si prestam servi&ccedil;os, com pedidos indemnizat&oacute;rios fundados<br \/>\n\tem m&aacute; pratica e neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A n&iacute;vel jur&iacute;dico a responsabilidade civil m&eacute;dica da unidade privada de sa&uacute;de e do cl&iacute;nico que pratica o ato m&eacute;dico t&ecirc;m naturezas distintas, como a equipa de Belzuz Abogados j&aacute; fez notar noutros artigos,<br \/>\n\tmas a verdade &eacute; que, em &ldquo;<em>regra a jurisprud&ecirc;ncia aplica o princ&iacute;pio da consun&ccedil;&atilde;o, segundo o qual o regime da responsabilidade contratual consome o da responsabilidade extracontratual<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, &eacute; sobre a responsabilidade contratual e, em concreto, sobre a execu&ccedil;&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es resultantes do contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os &ndash; cuidados de sa&uacute;de &ndash; celebrado<br \/>\n\tentre a unidade privada de sa&uacute;de e o paciente, que deve avaliar-se a exist&ecirc;ncia de neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica. Mais, vem entendendo tamb&eacute;m uma parte da nossa jurisprud&ecirc;ncia, ainda que seja um tema muito discutido na atualidade,<br \/>\n\tque &eacute; aquela quem responde exclusivamente, perante o paciente credor, aferindo-se a sua responsabilidade &ldquo;<em>em fun&ccedil;&atilde;o dos ditames que o m&eacute;dico &ldquo;auxiliar&rdquo; do cumprimento deva observar na execu&ccedil;&atilde;o da presta&ccedil;&atilde;o ao servi&ccedil;o daquela institui&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem preju&iacute;zo, obviamente, de outras obriga&ccedil;&otilde;es que impendem sobre a unidade privada de sa&uacute;de relacionadas com a pr&aacute;tica do ato m&eacute;dico contratado, mas totalmente aut&oacute;nomas da sua execu&ccedil;&atilde;o propriamente<br \/>\n\tdita, como sejam, a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de enfermagem, higieniza&ccedil;&atilde;o, desinfe&ccedil;&atilde;o e esteriliza&ccedil;&atilde;o de pessoas, instala&ccedil;&otilde;es, equipamentos, instrumentos e materiais postos &agrave;<br \/>\n\tdisposi&ccedil;&atilde;o das equipas m&eacute;dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui chegados imp&otilde;e-se, ent&atilde;o, clarificar o crit&eacute;rio utilizado pela jurisprud&ecirc;ncia para determinar a ilicitude da atua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica quando o resultado pretendido com a pr&aacute;tica do ato n&atilde;o &eacute;<br \/>\n\talcan&ccedil;ado. Isto &eacute;, &ldquo;<em>a desconformidade da concreta actua&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico, no confronto com aquele padr&atilde;o de conduta profissional que um m&eacute;dico medianamente competente, prudente, diligente, sensato, cuidadoso, com os mesmos conhecimentos, graus acad&eacute;micos e profissionais, teria tido em circunst&acirc;ncias semelhantes na altura<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; em outros artigos a equipa de Belzuz Abogados vem dando conta da discuss&atilde;o jurisprudencial e doutrinal relativa &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o assumida pelo m&eacute;dico aquando da pr&aacute;tica de interven&ccedil;&otilde;es<br \/>\n\tcir&uacute;rgicas e outros atos m&eacute;dicos pela influ&ecirc;ncia que tal mat&eacute;ria ganha na efetiva&ccedil;&atilde;o da responsabilidade civil contratual, designadamente, para aferir do cumprimento defeituoso ou incumprimento do contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; certo que o entendimento generalizado &eacute; o de que &ldquo;<em>a obriga&ccedil;&atilde;o de presta&ccedil;&atilde;o do ato m&eacute;dico configura-se como uma obriga&ccedil;&atilde;o de meios, por parte do m&eacute;dico, na obten&ccedil;&atilde;o do tratamento adequado&rdquo;. Donde decorre que o m&eacute;dico n&atilde;o se compromete &agrave; cura da patologia que estiver em causa, mas ao tratamento adequado dessa patologia segundo as regras da ci&ecirc;ncia e da legis artis<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tamb&eacute;m &eacute; certo que em determinadas especialidades m&eacute;dicas, como a cirurgia est&eacute;tica, os exames laboratoriais ou a coloca&ccedil;&atilde;o de pr&oacute;teses, a jurisprud&ecirc;ncia e a doutrina tendencialmente consideram<br \/>\n\tque a obriga&ccedil;&atilde;o &eacute; de resultado ou de quase resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A novidade &eacute; que vem agora defendendo a doutrina e a jurisprud&ecirc;ncia que para efeitos de qualifica&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o, &ldquo;<em>n&atilde;o se mostra curial adotar crit&eacute;rios aprior&iacute;sticos em fun&ccedil;&atilde;o da mera categoriza&ccedil;&atilde;o do tipo de atividade m&eacute;dica, mas sim de forma casu&iacute;stica centrada no contexto e contornos de cada situa&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;.<br \/>\n\tAdmitindo que esta quest&atilde;o deve ser vista de forma transversal a toda a atividade m&eacute;dica, ponderando o fim do ato m&eacute;dico, o conte&uacute;do do ato m&eacute;dico, a probabilidade de o fim pretendido pelas partes ser, ou n&atilde;o<br \/>\n\tser, realizado e a vontade das partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E este racioc&iacute;nio j&aacute; foi adotado pelo Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a que considerou haver &ldquo;<em>interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas curativas que, em virtude das circunst&acirc;ncias concretas do caso, devem ser tratadas como obriga&ccedil;&otilde;es de resultado, e interven&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias e est&eacute;ticas (n&atilde;o curativas) que devem ser consideradas obriga&ccedil;&otilde;es de meios<\/em>&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por norma, havendo uma &ldquo;<em>margem de risco &iacute;nfima, a obriga&ccedil;&atilde;o pode assumir a natureza de obriga&ccedil;&atilde;o de resultado<\/em>&rdquo;, ganhando nestes casos a aus&ecirc;ncia do resultado pretendido ou um resultado inteiramente<br \/>\n\tdesajustado uma relev&acirc;ncia consider&aacute;vel na demonstra&ccedil;&atilde;o do cumprimento defeituoso da presta&ccedil;&atilde;o dos cuidados de sa&uacute;de.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipa de Belzuz Abogados SLP &ndash; Sucursal em Portugal acompanha de perto a evolu&ccedil;&atilde;o da jurisprud&ecirc;ncia e doutrina relativa &agrave; responsabilidade civil m&eacute;dica para melhor definir ou adaptar a estrat&eacute;gia a seguir<br \/>\n\tnos processos judiciais que tem a seu cargo e nos que se lhe apresentam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4540","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4540"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4540"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4540"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4540"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}