{"id":4554,"date":"2022-09-22T22:00:00","date_gmt":"2022-09-22T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"hospital-privado-vs-hospital-publico-em-caso-de-negligencia-medica-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/hospital-privado-vs-hospital-publico-em-caso-de-negligencia-medica-portugal\/","title":{"rendered":"A responsabilidade de Hospital privado vs. Hospital p\u00fablico em caso de neglig\u00eancia m\u00e9dica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Como j&aacute; mencion&aacute;mos anteriormente neste espa&ccedil;o, em Portugal, a realiza&ccedil;&atilde;o de atos m&eacute;dicos em hospitais p&uacute;blicos e privados tem consequ&ecirc;ncias distintas, no que diz respeito &agrave; prova a ser realizada quando estamos a analisar um tema de potencial neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto porque, quando o ato m&eacute;dico &eacute; realizado num hospital privado, o mesmo &eacute; realizado com base num contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os que inexiste quando estamos perante uma situa&ccedil;&atilde;o an&aacute;loga num hospital p&uacute;blico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, tamb&eacute;m no que diz respeito &agrave; prova a ser realizada quando estamos perante uma situa&ccedil;&atilde;o de neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica &eacute; distinta, porquanto no caso dos hospitais p&uacute;blicos devem aplicar-se os requisitos da responsabilidade aquiliana, enquanto que, num caso ocorrido num hospital privado a prova deve ter em conta a responsabilidade contratual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, o ac&oacute;rd&atilde;o do Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a de 31\/03\/2022, dispon&iacute;vel in <strong><\/strong> &eacute; claro quando estabelece que &ldquo;<em>Na responsabilidade civil por acto m&eacute;dico, podem conviver a responsabilidade do Hospital privado com quem a doente celebrou um contrato para opera&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica de colecistectomia por laparoscopia, que &eacute; de natureza contratual, com a responsabilidade extracontratual do m&eacute;dico quando no decurso da interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica provoca uma les&atilde;o na sa&uacute;de da doente, n&atilde;o exigida pelo cumprimento do contrato, o que &eacute; suficiente para revelar a pr&aacute;tica de um acto il&iacute;cito, e se provam os demais pressupostos da responsabilidade civi<\/em>l&rdquo;. O referido ac&oacute;rd&atilde;o vai mais longe, determinando que &ldquo;<em>Para se ter como culposa a conduta do m&eacute;dico n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio que o acto lesivo da sa&uacute;de da doente &ndash; a lacera&ccedil;&atilde;o da veia porta, causadora de hemorragia intensa que esteve na origem de fal&ecirc;ncia hep&aacute;tica e necessidade de um transplante de f&iacute;gado &ndash; tenha sido intencional<\/em>&rdquo;;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, no caso concreto da an&aacute;lise da responsabilidade por neglig&ecirc;ncia m&eacute;dica em situa&ccedil;&atilde;o ocorrida em hospital privado, existem dois planos que ter&atilde;o necessariamente de ser analisados de forma distinta: por um lado, a responsabilidade do m&eacute;dico e por outro a responsabilidade (contratual) do pr&oacute;prio hospital. No caso do m&eacute;dico, dever&aacute; o autor do processo judicial provar os requisitos da responsabilidade extracontratual para que este venha a ser responsabilizado pela conduta err&oacute;nea. Por outro lado, no que diz respeito &agrave; responsabilidade do hospital, os requisitos aplic&aacute;veis ser&atilde;o os previstos na lei para a responsabilidade contratual, o que, em regra, se traduzir&aacute; num n&iacute;vel de prova mais reduzido a realizar pelo autor da a&ccedil;&atilde;o judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, na responsabilidade extracontratual &eacute; ao lesado, na falta de presun&ccedil;&atilde;o especial de culpa, que incumbe fazer a prova da culpa do lesante. Ao inv&eacute;s, na responsabilidade contratual consagra-se o princ&iacute;pio da presun&ccedil;&atilde;o de culpa, decorrendo do artigo 799&ordm; do CC que, no caso de incumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o &eacute; ao devedor que incumbe provar que a falta de cumprimento ou incumprimento defeituoso n&atilde;o procede de culpa sua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal nota que se deve ter em causa em ambos estes casos &eacute; que competir&aacute; ao autor provar a exist&ecirc;ncia de causalidade adequada (cfr. Art. 563.&ordm; do C&oacute;digo Civil), tal como afirmado no referido aresto. De facto, como mencionado na decis&atilde;o jurisprudencial, para a &ldquo;<em>teoria da causalidade adequada, na vertente negativa, que &eacute; a seguida no nosso direito (&hellip;), o facto que actuou como condi&ccedil;&atilde;o do dano deixa de ser considerado como causa adequada, quando para a sua produ&ccedil;&atilde;o tiverem concorrido decisivamente circunst&acirc;ncias anormais, excepcionais, que intercederam no caso concreto<\/em>&rdquo;. O referido aresto indica, ainda, que esta &ldquo;vertente negativa da causalidade adequada n&atilde;o pressup&otilde;e a exclusividade do facto condicionante do dano, nem exige que a causalidade tenha de ser directa e imediata, pelo que admite n&atilde;o s&oacute; a concorr&ecirc;ncia de outros factos condicionantes, contempor&acirc;neos ou n&atilde;o, como ainda a causalidade indirecta, bastando que o facto condicionante desencadeie outro que directamente suscite o dano&rdquo;. Em suma, para que haja responsabilidade neste tipo de casos, &eacute; necess&aacute;rio provar que a conduta levada a cabo &eacute; causa adequada do resultado nefasto, n&atilde;o obstante poder n&atilde;o ser causa exclusiva da produ&ccedil;&atilde;o do dano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Belzuz Advogados disp&otilde;e de uma equipa de <strong>advogados com ampla experi&ecirc;ncia em mat&eacute;rias de direito da sa&uacute;de<\/strong> e contencioso que poder&atilde;o assessorar em reclama&ccedil;&otilde;es por poss&iacute;veis negligencias m&eacute;dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4554","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4554"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4554"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4554"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4554"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}