{"id":4560,"date":"2022-10-24T22:00:00","date_gmt":"2022-10-24T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"reclassificacao-para-solo-urbano-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/reclassificacao-para-solo-urbano-portugal\/","title":{"rendered":"Reclassifica\u00e7\u00e3o para solo urbano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A aprova&ccedil;&atilde;o da lei de bases gerais da pol&iacute;tica p&uacute;blica de solos, de ordenamento do territ&oacute;rio e de urbanismo, atrav&eacute;s da Lei n.&ordm; 31\/2014, de 30 de maio e, na sua sequ&ecirc;ncia, a revis&atilde;o do regime jur&iacute;dico dos instrumentos de gest&atilde;o territorial (RJIGT), aprovada pelo Decreto-Lei n.&ordm; 80\/2015, de 14 de maio operou uma profunda reforma no modelo de classifica&ccedil;&atilde;o do solo, eliminando a categoria operativa de solo urbaniz&aacute;vel (sem preju&iacute;zo desta classifica&ccedil;&atilde;o permanecer em vigor at&eacute; dezembro de 2023, conforme explicado no nosso artigo &ldquo;<strong><\/strong>&rdquo;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ&ecirc;ncia da publica&ccedil;&atilde;o dos diplomas supra mencionados, o Decreto Regulamentar n.&ordm; 15\/2015, de 19 de agosto veio estabelecer os crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o e reclassifica&ccedil;&atilde;o do solo, bem como os crit&eacute;rios de qualifica&ccedil;&atilde;o das categorias do solo r&uacute;stico e do solo urbano em fun&ccedil;&atilde;o do uso dominante, aplic&aacute;veis a todo o territ&oacute;rio nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo quadro legislativo estabeleceu que o solo urbano corresponde ao que est&aacute; total ou parcialmente urbanizado ou edificado e, como tal, afeto em plano territorial &agrave; urbaniza&ccedil;&atilde;o ou edifica&ccedil;&atilde;o. Por sua vez, o solo r&uacute;stico corresponder&aacute; &agrave;quele que, pela sua reconhecida aptid&atilde;o, se destine, nomeadamente ao aproveitamento agr&iacute;cola, pecu&aacute;rio, florestal, &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o de recursos naturais, &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de recursos geol&oacute;gicos ou de recursos energ&eacute;ticos, assim como oque se destina a espa&ccedil;os naturais, culturais, de turismo e recreio, e aquele que n&atilde;o seja classificado como urbano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O facto do potencial urban&iacute;stico e o valor de mercado do solo urbano ser consideravelmente superior quando comparado com o solo r&uacute;stico faz com que exista um forte interesse por parte de diversos agentes em reclassificar o solo r&uacute;stico para solo urbano. No presente artigo procuraremos descrever de forma sum&aacute;ria alguns dos requisitos e os crit&eacute;rios previstos na lei no &acirc;mbito de tal procedimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que a classifica&ccedil;&atilde;o do solo como urbano visa a sustentabilidade e a valoriza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas urbanas, no respeito pelos imperativos de economia do solo e dos demais recursos territoriais e que a classifica&ccedil;&atilde;o do solo como urbano observa, cumulativamente, os seguintes crit&eacute;rios:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Inser&ccedil;&atilde;o no modelo de organiza&ccedil;&atilde;o do sistema urbano municipal ou intermunicipal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Exist&ecirc;ncia de aglomerados de edif&iacute;cios, popula&ccedil;&atilde;o e atividades geradoras de fluxos significativos de popula&ccedil;&atilde;o, bens e informa&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Exist&ecirc;ncia de infraestruturas urbanas e de presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os associados, compreendendo, no m&iacute;nimo, os sistemas de transportes p&uacute;blicos, de abastecimento de &aacute;gua e saneamento, de distribui&ccedil;&atilde;o de energia e de telecomunica&ccedil;&otilde;es, ou garantia da sua provis&atilde;o, no horizonte do plano territorial, mediante inscri&ccedil;&atilde;o no respetivo programa de execu&ccedil;&atilde;o e as consequentes inscri&ccedil;&otilde;es nos planos de atividades e nos or&ccedil;amentos municipais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Garantia de acesso da popula&ccedil;&atilde;o residente aos equipamentos de utiliza&ccedil;&atilde;o coletiva que satisfa&ccedil;am as suas necessidades coletivas fundamentais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Necessidade de garantir a coer&ecirc;ncia dos aglomerados urbanos existentes e a conten&ccedil;&atilde;o da fragmenta&ccedil;&atilde;o territorial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reclassifica&ccedil;&atilde;o do solo r&uacute;stico para solo urbano obedece ainda aos seguintes crit&eacute;rios complementares:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Fundamenta&ccedil;&atilde;o na avalia&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica urban&iacute;stica e da execu&ccedil;&atilde;o dos planos territoriais de &acirc;mbito intermunicipal e municipal em vigor, suportada em indicadores de monitoriza&ccedil;&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da urbaniza&ccedil;&atilde;o e da edifica&ccedil;&atilde;o, em indicadores da din&acirc;mica do mercado imobili&aacute;rio e na quantifica&ccedil;&atilde;o dos compromissos urban&iacute;sticos v&aacute;lidos e eficazes;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Avalia&ccedil;&atilde;o do grau de aproveitamento do solo urbano, nomeadamente quanto &agrave; disponibilidade de &aacute;reas suscet&iacute;veis de reabilita&ccedil;&atilde;o e regenera&ccedil;&atilde;o ou de &aacute;reas suscet&iacute;veis de maior densifica&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o urbana, suportada em indicadores demonstrativos da situa&ccedil;&atilde;o, devendo o aproveitamento das mesmas prevalecer sobre o acr&eacute;scimo do solo urbano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Aferi&ccedil;&atilde;o da indispensabilidade de estrutura&ccedil;&atilde;o do aglomerado urbano, resultante de fatores de mudan&ccedil;a da organiza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio ou da necessidade de integra&ccedil;&atilde;o de solo a afetar &agrave; estrutura ecol&oacute;gica municipal necess&aacute;ria ao equil&iacute;brio do aglomerado urbano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Compatibiliza&ccedil;&atilde;o com os programas territoriais, designadamente com os regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais e prote&ccedil;&atilde;o de riscos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De seguida, importa salientar que a lei determina que a reclassifica&ccedil;&atilde;o do solo r&uacute;stico para urbano tem car&aacute;ter excecional, sendo limitada aos casos de inexist&ecirc;ncia de &aacute;reas urbanas dispon&iacute;veis para os usos e fun&ccedil;&otilde;es pretendidas face &agrave; din&acirc;mica demogr&aacute;fica e indispensabilidade de qualifica&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica e desde que comprovadamente necess&aacute;rias ao desenvolvimento econ&oacute;mico e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a reclassifica&ccedil;&atilde;o concretiza-se mediante a elabora&ccedil;&atilde;o, altera&ccedil;&atilde;o ou revis&atilde;o de plano de pormenor com efeitos registais acompanhado de contrato de urbaniza&ccedil;&atilde;o, os quais dever&atilde;o demonstrar a viabilidade econ&oacute;mico-financeira da solu&ccedil;&atilde;o contemplada no plano de pormenor, que dever&aacute; integrar os seguintes elementos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Demonstra&ccedil;&atilde;o da indisponibilidade de solo urbano, na &aacute;rea urbana existente, para a finalidade em concreto, atrav&eacute;s, designadamente, dos n&iacute;veis de oferta e procura de solo urbano, com diferencia&ccedil;&atilde;o tipol&oacute;gica quanto ao uso, e dos fluxos demogr&aacute;ficos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Demonstra&ccedil;&atilde;o do impacto da carga urban&iacute;stica proposta, no sistema de infraestruturas existente, e a previs&atilde;o dos encargos necess&aacute;rios ao seu refor&ccedil;o, &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de novas infraestruturas e &agrave; respetiva manuten&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Demonstra&ccedil;&atilde;o da viabilidade econ&oacute;mico-financeira da proposta, incluindo a identifica&ccedil;&atilde;o dos sujeitos respons&aacute;veis pelo financiamento, a demonstra&ccedil;&atilde;o das fontes de financiamento contratualizadas e de investimento p&uacute;blico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Estimativa do impacto da solu&ccedil;&atilde;o apresentada no plano de pormenor sobre o sistema de infraestruturas urbanas e territoriais existente, acompanhada da previs&atilde;o dos encargos necess&aacute;rios ao seu refor&ccedil;o ou execu&ccedil;&atilde;o, bem como dos encargos com a respetiva manuten&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Estimativa de todos os custos associados &agrave; execu&ccedil;&atilde;o das infraestruturas, equipamentos, espa&ccedil;os verdes e outros espa&ccedil;os exteriores de utiliza&ccedil;&atilde;o coletiva, previstos no plano de pormenor, respetivos prazos de execu&ccedil;&atilde;o e sua distribui&ccedil;&atilde;o pelos sujeitos respons&aacute;veis pelo financiamento da sua execu&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&bull; Estimativa da capacidade de investimento p&uacute;blico relativa &agrave;s propostas do plano de pormenor, a m&eacute;dio e alongo prazo, tendo em conta os custos da sua execu&ccedil;&atilde;o referidos nas al&iacute;neas anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa ainda salientar que o plano dever&aacute; delimitar a &aacute;rea objeto de reclassifica&ccedil;&atilde;o e definir o prazo para execu&ccedil;&atilde;o das obras de urbaniza&ccedil;&atilde;o e das obras de edifica&ccedil;&atilde;o, o qual deve constar expressamente da certid&atilde;o do plano a emitir para efeitos de inscri&ccedil;&atilde;o no registo predial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, relembramos que o Decreto-Lei n.&ordm; 80\/2015, de 14 de maio, o Regime Jur&iacute;dico dos Instrumentos de Gest&atilde;o Territorial (RJIGT) foi publicado h&aacute; mais de 7 anos, mas a revis&atilde;o dos planos municipais e intermunicipais exigida pelo diploma tem sido sucessivamente adiada. Consequentemente, salvo nova prorroga&ccedil;&atilde;o do prazo, os propriet&aacute;rios de terrenos localizados em &aacute;reas classificadas como solo urbaniz&aacute;vel ter&atilde;o at&eacute; 31 de dezembro de 2023 para fazer aprovar as opera&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas que planeiem realizar, uma vez que ap&oacute;s essa data os terrenos que n&atilde;o tenham projetos aprovados ser&atilde;o requalificados como estando localizados em solo r&uacute;stico, algo que acarreta uma significativa desvaloriza&ccedil;&atilde;o desses ativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong style=\"text-align: justify;\"><\/strong><span style=\"text-align: justify;\">&nbsp;da Belzuz Abogados S.L.P.<\/span> encontra-se inteiramente dispon&iacute;vel para a presta&ccedil;&atilde;o de esclarecimento ou assessoria no &acirc;mbito desta mat&eacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4560","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4560"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4560"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4560"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4560"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}