{"id":4582,"date":"2023-02-06T23:00:00","date_gmt":"2023-02-06T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"em-caso-de-divorcio-pode-ser-estipulada-alguma-pensao-ou-compensacao-entre-ex-conjuges-parte-i","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/em-caso-de-divorcio-pode-ser-estipulada-alguma-pensao-ou-compensacao-entre-ex-conjuges-parte-i\/","title":{"rendered":"Em caso de div\u00f3rcio pode ser estipulada alguma pens\u00e3o ou compensa\u00e7\u00e3o entre ex-c\u00f4njuges? (Parte I)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>I &ndash; Direito a alimentos<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vig&ecirc;ncia do casamento, a obriga&ccedil;&atilde;o de alimentos decorre do dever de assist&ecirc;ncia a que ambos os c&ocirc;njuges est&atilde;o obrigados. Este dever de assist&ecirc;ncia traduz-se, no fundo, num dever de coopera&ccedil;&atilde;o, aux&iacute;lio e de contribui&ccedil;&atilde;o para os encargos da vida familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o div&oacute;rcio nasce a obriga&ccedil;&atilde;o legal de alimentos, mas desaparecem os restantes deveres de coopera&ccedil;&atilde;o e aux&iacute;lio m&uacute;tuo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim e em teoria, qualquer dos c&ocirc;njuges, independentemente do tipo de div&oacute;rcio (com ou sem consentimento do outro), tem efetivamente direito a pedir alimentos ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o direito a alimentos entre ex-c&ocirc;njuges tem, em regra, natureza tempor&aacute;ria e subsidi&aacute;ria e constitui-se, modifica-se e extingue-se em fun&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o concreta em causa e de crit&eacute;rios de razoabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O direito a alimentos n&atilde;o se funda na continua&ccedil;&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es conjugais, de natureza econ&oacute;mica. O casamento n&atilde;o cria uma expectativa jur&iacute;dica de garantia da autossufici&ecirc;ncia durante e ap&oacute;s a dissolu&ccedil;&atilde;o do matrim&oacute;nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obriga&ccedil;&atilde;o de alimentos entre divorciados assume, por isso, um car&aacute;ter limitado no tempo (da&iacute; dizer-se que &eacute; tempor&aacute;ria), a fim de que o ex-c&ocirc;njuge que deles care&ccedil;a reorganize a sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, &eacute; subsidi&aacute;ria, tendo em conta que cada um dos c&ocirc;njuges dever&aacute; em princ&iacute;pio prover &agrave; sua subsist&ecirc;ncia e apenas se tal n&atilde;o for poss&iacute;vel a algum deles, ter&aacute; este &uacute;ltimo o direito a receber alimentos do outro c&ocirc;njuge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a atribui&ccedil;&atilde;o da pens&atilde;o de alimentos, depende, apenas, da verifica&ccedil;&atilde;o dos pressupostos gerais da necessidade de um, que n&atilde;o &eacute; aferida pelo estilo e\/ou padr&atilde;o de vida dos c&ocirc;njuges durante a rela&ccedil;&atilde;o matrimonial, e da possibilidade do outro, devendo o seu montante mensal cingir-se ao indispens&aacute;vel para o sustento, habita&ccedil;&atilde;o e vestu&aacute;rio, podendo mesmo ser negado se raz&otilde;es manifestas de equidade o determinem (isto &eacute;, o direito a alimentos n&atilde;o pode obrigar o alimentante a colocar-se numa situa&ccedil;&atilde;o de perigo para a sua pr&oacute;pria subsist&ecirc;ncia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, o c&ocirc;njuge credor n&atilde;o tem o direito de exigir a manuten&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de vida de que beneficiou na const&acirc;ncia do matrim&oacute;nio e o c&ocirc;njuge devedor encontra-se apenas obrigado a prestar aux&iacute;lio ao ex-c&ocirc;njuge num contexto de acentuada necessidade resultante de manifesta car&ecirc;ncias de meios de subsist&ecirc;ncia e de s&eacute;ria dificuldade de obten&ccedil;&atilde;o de rendimento suficiente &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma vida minimamente condigna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso n&atilde;o seja vi&aacute;vel acordo entre os c&ocirc;njuges, os alimentos definitivos podem ser pedidos na a&ccedil;&atilde;o de div&oacute;rcio ou em a&ccedil;&atilde;o declarativa sob a forma de processo comum. Neste contexto, deve o tribunal tomar em conta a dura&ccedil;&atilde;o do casamento, a colabora&ccedil;&atilde;o prestada &agrave; economia do casal, a idade e estado de sa&uacute;de dos c&ocirc;njuges, as suas qualifica&ccedil;&otilde;es profissionais e possibilidade de emprego, rendimentos e proventos, um novo casamento ou uni&atilde;o de facto (do ex-c&ocirc;njuge devedor) e, de modo geral, todas as circunst&acirc;ncias que influam sobre as necessidades do c&ocirc;njuge que recebe os alimentos e as possibilidades do que os presta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; ainda importante salientar que o tribunal d&aacute; preval&ecirc;ncia a qualquer obriga&ccedil;&atilde;o de alimentos relativamente a um filho do c&ocirc;njuge devedor sobre a obriga&ccedil;&atilde;o emergente do div&oacute;rcio em favor do ex-c&ocirc;njuge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O direito a alimentos cessa:<\/p>\n<ol style=\"list-style-type: lower-alpha;\">\n<li>se o alimentado contrair novo casamento ou iniciar uni&atilde;o de facto;<\/li>\n<li>por indignidade do alimentado;<\/li>\n<li>pela morte do obrigado ou alimentado;<\/li>\n<li>por impossibilidade econ&oacute;mica do devedor;<\/li>\n<li>sufici&ecirc;ncia econ&oacute;mica do alimentado;<\/li>\n<li>viola&ccedil;&atilde;o grave dos deveres do alimentado para com o obrigado.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proximamente debru&ccedil;ar-nos-emos sobre a possibilidade de compensa&ccedil;&atilde;o entre os ex-c&ocirc;njuges e se estes direitos s&atilde;o ou n&atilde;o compat&iacute;veis entre si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: -90px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"class_list":["post-4582","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4582"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4582"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4582"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}