{"id":4588,"date":"2023-02-21T23:00:00","date_gmt":"2023-02-21T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"testamento-um-ao-outro","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/testamento-um-ao-outro\/","title":{"rendered":"Testamento um ao outro (em Espanha)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No nosso C&oacute;digo Civil, existe a obriga&ccedil;&atilde;o de respeitar a quota leg&iacute;tima de herdeiros for&ccedil;ados, tais como crian&ccedil;as (artigos 808 e seguintes do C&oacute;digo Civil). Por conseguinte, &eacute; necess&aacute;rio que o testador, mesmo nos testamentos de um para o outro, respeite em qualquer caso a parte reservada dos herdeiros for&ccedil;ados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&Eacute; poss&iacute;vel deixar a totalidade da heran&ccedil;a ao c&ocirc;njuge, apesar da parte reservada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; comum nos testamentos ter uma disposi&ccedil;&atilde;o testament&aacute;ria em virtude da qual o testador deixa ao c&ocirc;njuge vi&uacute;vo o usufruto universal e vital&iacute;cio de toda a heran&ccedil;a, com al&iacute;vio da obriga&ccedil;&atilde;o de fazer um invent&aacute;rio e fornecer seguran&ccedil;a, impondo aos herdeiros for&ccedil;ados que n&atilde;o a aceitam a limita&ccedil;&atilde;o de receber apenas o que por estrita legitimidade lhes corresponde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto &eacute; geralmente conhecido como <em><strong>&#8220;cautela socini&#8221;<\/strong><\/em> e tem certos objectivos, entre os quais o de maximizar o usufruto do c&ocirc;njuge vi&uacute;vo. Deve tamb&eacute;m ter-se em conta que o usufruto do c&ocirc;njuge vi&uacute;vo ou parte da vinha, quando partilha a heran&ccedil;a com filhos ou outros descendentes, compreende apenas o usufruto de um ter&ccedil;o da heran&ccedil;a (o estrito usufruto do c&ocirc;njuge vi&uacute;vo), especificamente, <strong>do ter&ccedil;o destinado ao melhoramento<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, atrav&eacute;s da <em>cl&aacute;usula ou cautela socini<\/em>, o falecido legou ao c&ocirc;njuge o usufruto universal e vital&iacute;cio de toda a sua heran&ccedil;a, com al&iacute;vio de fazer um invent&aacute;rio e fornecer seguran&ccedil;a. Isto destina-se a permitir ao <strong>c&ocirc;njuge sobrevivente<\/strong> usufruir at&eacute; &agrave; morte do uso e usufruto de todos os bens da heran&ccedil;a, n&atilde;o s&oacute; do ter&ccedil;o que lhe corresponderia por rigorosa legitima&ccedil;&atilde;o, mas da totalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, <strong>estabelece-se uma esp&eacute;cie de &#8220;condi&ccedil;&atilde;o&#8221; para os descendentes<\/strong>, que consiste no facto de terem de respeitar esta disposi&ccedil;&atilde;o testament&aacute;ria, permitindo ao c&ocirc;njuge vi&uacute;vo o uso e gozo de toda a heran&ccedil;a at&eacute; &agrave; sua morte, e penalizando o descendente ou descendentes que n&atilde;o a aceitem, deixando-lhes apenas a parte estritamente reservada, que &eacute; um ter&ccedil;o da heran&ccedil;a, em vez dos dois ter&ccedil;os da longa parte leg&iacute;tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\">1. <strong>se todos eles respeitarem o usufruto para toda a vida<\/strong>, ter&atilde;o plena propriedade da propriedade que herdaram (mais do que o que lhes corresponderia por estrita legitimidade) enquanto o c&ocirc;njuge vi&uacute;vo ainda estiver vivo, e, aquando da sua morte, adquirir&atilde;o plena propriedade, sendo a plena propriedade a soma do usufruto e da propriedade nua, porque enquanto o vi&uacute;vo ainda estiver vivo, ele det&eacute;m o usufruto, e portanto n&atilde;o ter&atilde;o plena propriedade da propriedade.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\">2. <strong>se algum deles n&atilde;o aceitar o usufruto vital&iacute;cio do c&ocirc;njuge sobrevivente<\/strong>, a cl&aacute;usula socini prev&ecirc; que a sua heran&ccedil;a ser&aacute; reduzida ao que lhes corresponderia por rigorosa legitima&ccedil;&atilde;o. Assim, se houver v&aacute;rios herdeiros, a parte da heran&ccedil;a que ele ou ela j&aacute; n&atilde;o receber&aacute; quando reduzida &agrave; parte estritamente reservada, ser&aacute; acrescentada &agrave; dos outros herdeiros.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\">3. <strong>se nenhum deles aceitar o usufruto vital&iacute;cio do c&ocirc;njuge sobrevivente<\/strong>, todos eles receber&atilde;o apenas a parte estritamente reservada, sendo legados, normalmente, nestes casos, ao c&ocirc;njuge vi&uacute;vo o ter&ccedil;o de livre disposi&ccedil;&atilde;o e o usufruto do ter&ccedil;o de melhoramento previsto no art. 834 do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>usufruto universal<\/strong><\/span> &eacute; o direito de usufruir de todos os bens, mas n&atilde;o a plena propriedade, pois neste caso a parte leg&iacute;tima dos descendentes seria afectada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o usufruto universal concede ao c&ocirc;njuge o direito de <strong>utilizar todos os bens da heran&ccedil;a, de os gozar e de receber os seus frutos<\/strong>; desde que os mantenha em boas condi&ccedil;&otilde;es, <strong>mas n&atilde;o os possa vender<\/strong>, porque os filhos t&ecirc;m a propriedade nua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, os descendentes da nua propriedade n&atilde;o podem gozar ou receber os rendimentos dos bens herdados enquanto o c&ocirc;njuge for um usufrutu&aacute;rio, condi&ccedil;&atilde;o que deixar&aacute; de existir em caso de morte (da&iacute; o termo &#8220;usufruto para toda a vida&#8221;) ou se renunciar ao &#8220;usufruto&#8221;. Deve tamb&eacute;m ser mencionado que o valor do usufruto tamb&eacute;m pode ser quantificado (capitaliza&ccedil;&atilde;o do usufruto) e pago ao usufrutu&aacute;rio em dinheiro ou com bens, mas esta &eacute; outra quest&atilde;o que pode ser tratada num cap&iacute;tulo separado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jurisprud&ecirc;ncia qualificou este usufruto universal concedido ao c&ocirc;njuge vi&uacute;vo como um <span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>legado<\/strong><\/span> espec&iacute;fico, o que significa que tem efic&aacute;cia directa a partir do momento da morte do falecido, de modo que o c&ocirc;njuge vi&uacute;vo receber&aacute; a partir desse mesmo momento todos os frutos e rendas da heran&ccedil;a, mesmo que surja algum conflito com os herdeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em resumo:<\/strong> como j&aacute; explic&aacute;mos, o que o c&ocirc;njuge recebe de acordo com a vontade que comentamos &eacute; o direito de usufruto, ou seja, o direito de uso e gozo, mas ele\/ela n&atilde;o tem propriedade plena, dado que n&atilde;o tem qualquer direito de propriedade sobre os bens herdados que correspondem ao testador (sem preju&iacute;zo, claro, dos 50% dos bens que s&atilde;o considerados como propriedade comunit&aacute;ria sobre os quais ele\/ela tem propriedade plena). O direito de propriedade ou propriedade nua &eacute; detido pelos descendentes, que o deter&atilde;o at&eacute; &agrave; morte do c&ocirc;njuge sobrevivente, e uma vez que este &uacute;ltimo morra, o usufruto ser&aacute; extinto, altura em que consolidar&atilde;o a plena propriedade dos bens, mas n&atilde;o enquanto o c&ocirc;njuge vi&uacute;vo estiver vivo. Isto significa que, na pr&aacute;tica, se algu&eacute;m desejar vender qualquer dos bens em que os direitos de propriedade s&atilde;o conferidos a um e o usufruto ao outro, todos devem dar o seu consentimento &agrave; venda, pois &eacute; dif&iacute;cil para qualquer terceiro concordar em comprar apenas o usufruto ou a propriedade nua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como advogados especializados em  da <\/strong>, estamos &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o para oferecer conselhos detalhados em cada caso particular, para evitar erros e resolver os problemas mais comuns em sucess&otilde;es e testamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4588","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4588"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4588"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4588"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4588"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}