{"id":4654,"date":"2024-02-22T23:00:00","date_gmt":"2024-02-22T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"o-conjuge-sobrevivo-e-sempre-herdeiro","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/o-conjuge-sobrevivo-e-sempre-herdeiro\/","title":{"rendered":"O C\u00f4njuge sobrevivo \u00e9 sempre herdeiro?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Efetivamente, antes de 1 de setembro de 2018, vigorava no regime sucess&oacute;rio portugu&ecirc;s a regra de que, independentemente do regime de bens aplic&aacute;vel ao casamento, os c&ocirc;njuges seriam sempre herdeiros legitim&aacute;rios um do outro. Ou seja, enquanto herdeiro legitim&aacute;rio, o c&ocirc;njuge sucedia imperativamente, n&atilde;o podendo esta sua condi&ccedil;&atilde;o ser afastada por vontade do autor da sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a partir da referida data, o C&oacute;digo Civil Portugu&ecirc;s passou a prever a possibilidade de ren&uacute;ncia &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de herdeiro legitim&aacute;rio na conven&ccedil;&atilde;o antenupcial, desde que o regime de bens em causa seja o da separa&ccedil;&atilde;o de bens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta nova figura da ren&uacute;ncia rec&iacute;proca, conjugada com o regime da separa&ccedil;&atilde;o de bens, permite que o patrim&oacute;nio se mantenha da posse da &ldquo;fam&iacute;lia de sangue&rdquo; e evita os chamados &ldquo;casamentos por conveni&ecirc;ncia ou por interesse&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ren&uacute;ncia pode ser condicionada &agrave; sobreviv&ecirc;ncia ou n&atilde;o de sucess&iacute;veis de qualquer classe (filhos, pais, irm&atilde;os, etc.), bem como de outras pessoas, n&atilde;o sendo necess&aacute;rio que a condi&ccedil;&atilde;o seja rec&iacute;proca. Por exemplo, podem sujeitar a ren&uacute;ncia &agrave; condi&ccedil;&atilde;o da sobreviv&ecirc;ncia de descendentes de um deles. No entanto, atento o requisito geral da reciprocidade da ren&uacute;ncia, qualquer condi&ccedil;&atilde;o aposta &agrave; ren&uacute;ncia de um dos c&ocirc;njuges afeta a ren&uacute;ncia de ambos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E apenas afeta a posi&ccedil;&atilde;o sucess&oacute;ria do c&ocirc;njuge, n&atilde;o prejudicando designadamente o direito a alimentos do c&ocirc;njuge sobrevivo, nem as presta&ccedil;&otilde;es sociais por morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acresce que, sendo a casa de morada de fam&iacute;lia propriedade do falecido e apesar da ren&uacute;ncia, o c&ocirc;njuge sobrevivo pode nela permanecer, pelo prazo de cinco anos, como titular de um direito real de habita&ccedil;&atilde;o e de um direito de uso do recheio, desde que:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\">a) n&atilde;o deixe de habitar a casa por mais de um ano, salvo se a raz&atilde;o dessa aus&ecirc;ncia lhe n&atilde;o for imput&aacute;vel;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\">b) n&atilde;o possua casa pr&oacute;pria no concelho da casa de morada de fam&iacute;lia, ou neste ou nos concelhos lim&iacute;trofes se esta se situar nos concelhos de Lisboa ou do Porto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Excecionalmente este prazo pode ser prorrogado pelo tribunal, a pedido do c&ocirc;njuge sobrevivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esgotado que esteja o prazo concedido, o c&ocirc;njuge sobrevivo tem o direito, ainda assim, de permanecer no im&oacute;vel na qualidade de arrendat&aacute;rio, nas condi&ccedil;&otilde;es gerais do mercado, e tem direito a permanecer no local at&eacute; &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do respetivo contrato, salvo se os propriet&aacute;rios satisfizerem os requisitos legalmente estabelecidos para a den&uacute;ncia do contrato de arrendamento para habita&ccedil;&atilde;o, pelos senhorios, com as devidas adapta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c&ocirc;njuge sobrevivo tem, igualmente, direito de prefer&ecirc;ncia em caso de aliena&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel, durante o tempo em que o habitar a qualquer t&iacute;tulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso o c&ocirc;njuge sobrevivo tenha completado 65 anos de idade &agrave; data da abertura da sucess&atilde;o, o direito de habita&ccedil;&atilde;o acima referido &eacute; vital&iacute;cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da possibilidade de ren&uacute;ncia rec&iacute;proca &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de herdeiro legitim&aacute;rio, qualquer dos c&ocirc;njuges, na pend&ecirc;ncia do matrim&oacute;nio, poder&aacute; fazer liberalidades (toda a disposi&ccedil;&atilde;o a t&iacute;tulo gratuito pela qual algu&eacute;m confere bens, vantagens ou direitos a outrem) a favor do outro e essas liberalidades n&atilde;o ser&atilde;o feridas de qualquer inoficiosidade, isto &eacute;, n&atilde;o ofender&atilde;o a leg&iacute;tima dos herdeiros legitim&aacute;rios, independentemente dessa ren&uacute;ncia, at&eacute; &agrave; parte da heran&ccedil;a correspondente &agrave; leg&iacute;tima do c&ocirc;njuge caso a ren&uacute;ncia n&atilde;o existisse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, apesar de no momento da celebra&ccedil;&atilde;o do casamento os futuros c&ocirc;njuges optarem pelo regime da ren&uacute;ncia rec&iacute;proca, n&atilde;o significa, por&eacute;m, que, se pelas circunst&acirc;ncias da vida algum deles carecer de ajuda econ&oacute;mica, o outro n&atilde;o lhe possa atribuir o uso e frui&ccedil;&atilde;o do seu patrim&oacute;nio ou n&atilde;o lhe possa simplesmente fazer uma doa&ccedil;&atilde;o de bens, por exemplo. No entanto, as liberalidades em causa nunca poder&atilde;o ser de valor superior &agrave;quela parte da heran&ccedil;a que o c&ocirc;njuge teria direito a receber se fosse efetivamente herdeiro (a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dada a relev&acirc;ncia do tema e as implica&ccedil;&otilde;es patrimoniais, financeiras e at&eacute; fiscais que pode assumir na esfera dos c&ocirc;njuges, &eacute; essencial contar com uma assessoria jur&iacute;dica experiente no  para assegurar uma tramita&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e eficiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: -90px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4654","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4654"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4654"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4654"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4654"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}