{"id":4674,"date":"2024-05-19T22:00:00","date_gmt":"2024-05-19T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"divorcio-sem-partilha-o-que-acontece-aos-bens-e-dividas-comuns-do-casal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/divorcio-sem-partilha-o-que-acontece-aos-bens-e-dividas-comuns-do-casal\/","title":{"rendered":"Div\u00f3rcio sem partilha: o que acontece aos bens e d\u00edvidas comuns do casal?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O patrim&oacute;nio comum dos c&ocirc;njuges constitui uma massa patrimonial a que, em vista da sua especial afecta&ccedil;&atilde;o, a lei concede certo grau de autonomia, mas que pertence aos dois c&ocirc;njuges, em bloco, sendo ambos titulares de um &uacute;nico direito sobre ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os bens comuns dos c&ocirc;njuges constituem objecto n&atilde;o duma rela&ccedil;&atilde;o de compropriedade &#8211; mas duma propriedade colectiva ou de m&atilde;o comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um dos c&ocirc;njuges tem uma posi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica em face do patrim&oacute;nio comum, que a lei designa como direito &agrave; mea&ccedil;&atilde;o, posi&ccedil;&atilde;o que a lei tutela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O div&oacute;rcio implica a cessa&ccedil;&atilde;o da generalidade das rela&ccedil;&otilde;es patrimoniais entre os c&ocirc;njuges, a extin&ccedil;&atilde;o da comunh&atilde;o entre eles e a sua substitui&ccedil;&atilde;o por uma situa&ccedil;&atilde;o de indivis&atilde;o a que se p&otilde;e fim com a liquida&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio conjugal comum e com a sua partilha, na qual, em princ&iacute;pio, cada um dos c&ocirc;njuges recebe os seus bens pr&oacute;prios e a sua mea&ccedil;&atilde;o nos bens comuns, se os houver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, muitas das vezes, o dissolvido casal opta por n&atilde;o fazer logo a liquida&ccedil;&atilde;o e partilha desses bens, seja porque pretende manter a situa&ccedil;&atilde;o de indivis&atilde;o, seja por desacordo quanto aos termos em que a partilha deve ser realizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; especialmente nestas situa&ccedil;&otilde;es (em que a liquida&ccedil;&atilde;o e partilha n&atilde;o &eacute; feita imediatamente a seguir ao div&oacute;rcio) que a quest&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o dos bens que comp&otilde;em a comunh&atilde;o do dissolvido casal assume especial relev&acirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo a lei omissa na regula&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o dos bens que integram o patrim&oacute;nio comum durante esse estado de indivis&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel retirar da mesma um princ&iacute;pio geral aplic&aacute;vel &agrave; administra&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio comum do casal durante esse per&iacute;odo interm&eacute;dio entre a cessa&ccedil;&atilde;o dos efeitos patrimoniais do casamento e a partilha do patrim&oacute;nio comum.<br \/>Assim, durante esse per&iacute;odo, cada um dos c&ocirc;njuges ter&aacute; legitimidade para a pr&aacute;tica de atos de administra&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria relativamente aos bens comuns do casal. Os restantes atos de administra&ccedil;&atilde;o s&oacute; poder&atilde;o ser praticados com o consentimento de ambos os c&ocirc;njuges.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo, ainda, poss&iacute;vel aplicar, durante esse mesmo per&iacute;odo, com as necess&aacute;rias adapta&ccedil;&otilde;es, as regras de administra&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio indiviso pr&oacute;prias quer das situa&ccedil;&otilde;es de indivis&atilde;o (compropriedade) quer do direito das sucess&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constitui, no entanto, uma viola&ccedil;&atilde;o desses deveres patrimoniais a m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o de bens pr&oacute;prios do c&ocirc;njuge n&atilde;o administrador ou de bens do casal, ou a inobserv&acirc;ncia da regra da administra&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria conjunta dos bens comuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c&ocirc;njuge administrador dos bens comuns ou de bens pr&oacute;prios de um dos c&ocirc;njuges responde pelos actos praticados com dolo em preju&iacute;zo do casal ou do outro c&ocirc;njuge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, depois de dissolvido o casamento, ter&aacute; de prestar contas da administra&ccedil;&atilde;o que realize dos bens comuns ou pr&oacute;prios do outro c&ocirc;njuge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentindo-se prejudicado pela gest&atilde;o intencionalmente danosa do c&ocirc;njuge administrador, o n&atilde;o administrador, atrav&eacute;s de uma ac&ccedil;&atilde;o de responsabilidade civil por facto il&iacute;cito doloso, nos termos do Art.&ordm; 1681&ordm;, n.&ordm;1, parte final do C&oacute;digo Civil, poder&aacute; obter a fixa&ccedil;&atilde;o do seu direito &agrave; indemniza&ccedil;&atilde;o cujo pagamento ser&aacute; considerado em sede de partilhas nos termos do Art.&ordm; 1689 do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independentemente de quem fica a administrar esses bens comuns ou pr&oacute;prios do outro c&ocirc;njuge, na fase da liquida&ccedil;&atilde;o da comunh&atilde;o, que precede a partilha, cada um dos c&ocirc;njuges dever&aacute; apurar se existem ou n&atilde;o compensa&ccedil;&otilde;es a afectuar &agrave; comunh&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez apurada a exist&ecirc;ncia de compensa&ccedil;&atilde;o a efectuar &agrave; comunh&atilde;o, procede-se ao seu pagamento atrav&eacute;s da imputa&ccedil;&atilde;o do seu valor actualizado na mea&ccedil;&atilde;o do c&ocirc;njuge devedor, que assim receber&aacute; menos nos bens comuns, ou, na falta destes, mediante bens pr&oacute;prios do c&ocirc;njuge devedor de forma a completar a massa comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso contr&aacute;rio verificar-se-ia um enriquecimento injusto da comunh&atilde;o &agrave; custa do patrim&oacute;nio de um dos c&ocirc;njuges ou de um dos c&ocirc;njuges &agrave; custa do patrim&oacute;nio comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, se um c&ocirc;njuge utilizou bens ou valores comuns dever&aacute;, no momento da partilha, compensar o patrim&oacute;nio comum pelo valor actualizado correspondente. A compensa&ccedil;&atilde;o devida ser&aacute; calculada no pressuposto de que o objecto do dep&oacute;sito deveria ser dividido por metade, pelo que a prova de uma diferente conforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internas ficar&aacute; a cargo do c&ocirc;njuge que a invocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, se um ex-c&ocirc;njuge pagou d&iacute;vidas comuns (ou outras despesas comuns) com dinheiro pr&oacute;prio seu, dever&aacute;, no momento da partilha, ser igualmente compensado atrav&eacute;s do patrim&oacute;nio comum, ou, na falta deste, mediante bens pr&oacute;prios do c&ocirc;njuge devedor de forma a completar a massa comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, ainda, quando um dos c&ocirc;njuges, por neg&oacute;cio gratuito, aliena ou onera, sem consentimento do outro, bens m&oacute;veis comuns de que &eacute; administrador, o valor dos bens alienados ou a iminui&ccedil;&atilde;o do valor dos onerados ser&aacute; levado em conta na sua mea&ccedil;&atilde;o, i.e., d&aacute; lugar a uma compensa&ccedil;&atilde;o ao patrim&oacute;nio comum. &Eacute; o que ocorre tamb&eacute;m no caso de satisfa&ccedil;&atilde;o de divida da responsabilidade de um dos c&ocirc;njuges com bens comuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se um dos c&ocirc;njuges tem raz&otilde;es para desconfiar do outro e receia o extravio ou dissipa&ccedil;&atilde;o de bens, preliminarmente ao processo de div&oacute;rcio, pode requerer o arrolamento de bens comuns, ou de bens pr&oacute;prios que estejam sob administra&ccedil;&atilde;o do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o arrolamento pretende assegurar-se a manuten&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o desses bens de modo a garantir a efetividade do direito (ou interesse) a que o c&ocirc;njuge requerente se arroga e que lhe venha a ser reconhecido na a&ccedil;&atilde;o da qual o arrolamento &eacute; depend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo que o objetivo do arrolamento n&atilde;o se reconduz &ndash; ou n&atilde;o se reconduz apenas &ndash; &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o dos bens sobre os quais incide o direito do c&ocirc;njuge requerente (no caso, os bens futuramente a partilhar), visando essencialmente assegurar a perman&ecirc;ncia e conserva&ccedil;&atilde;o desses bens at&eacute; &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o da partilha e prevenir o risco de extravio, oculta&ccedil;&atilde;o ou dissipa&ccedil;&atilde;o com vista a assegurar que a Requerente do arrolamento possa tomar posse efetiva dos bens que lhe venham a caber nessa partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dada a relev&acirc;ncia do tema e as implica&ccedil;&otilde;es patrimoniais, financeiras e at&eacute; fiscais que pode assumir na esfera dos c&ocirc;njuges, &eacute; essencial contar com uma assessoria jur&iacute;dica experiente nesta &aacute;rea, como a  &ndash; Sucursal em Portugal, para assegurar uma tramita&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e eficiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: -90px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4674","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4674"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4674"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4674"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4674"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}