{"id":4688,"date":"2024-07-15T22:00:00","date_gmt":"2024-07-15T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"o-que-fazer-quando-se-pretende-exercer-direito-ou-cumprir-uma-obrigacao-e-as-partes-nao-estipularam-prazo-para-o-efeito","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/o-que-fazer-quando-se-pretende-exercer-direito-ou-cumprir-uma-obrigacao-e-as-partes-nao-estipularam-prazo-para-o-efeito\/","title":{"rendered":"O que fazer quando se pretende exercer direito ou cumprir uma obriga\u00e7\u00e3o e as partes n\u00e3o estipularam prazo para o efeito?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Por vezes acontece que, tendo um direito que se pretende exigir de outro, nomeadamente por for&ccedil;a de um contrato celebrado, n&atilde;o o podemos fazer porque, por algum motivo, as partes envolvidas n&atilde;o fixaram um prazo certo para o fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses casos, caber&aacute; ao tribunal, depois de ouvidas as partes, fixar o prazo para o cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o de Fixa&ccedil;&atilde;o Judicial do prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a&ccedil;&atilde;o de fixa&ccedil;&atilde;o judicial do prazo &eacute; um processo especial de jurisdi&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria regulado nos artigos 1026.&ordm; e 1027.&ordm; do C&oacute;digo de Processo Civil e visa dar resposta, no plano adjetivo, a um conjunto de casos em que n&atilde;o foi fixado prazo para o exerc&iacute;cio de um direito ou para o cumprimento de um dever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A t&iacute;tulo de exemplo, podemos referir a promessa unilateral (artigo 411.&ordm; do C&oacute;digo Civil), em que o contrato promessa vinculando apenas uma das partes n&atilde;o fixa prazo para a efic&aacute;cia do v&iacute;nculo, ou quando em virtude das circunst&acirc;ncias, as partes n&atilde;o acordaram um prazo para o cumprimento da presta&ccedil;&atilde;o (artigo 777.&ordm; do C&oacute;digo Civil).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes casos, bem como noutros, caber&aacute; ao Tribunal a pedido das partes, atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o de Fixa&ccedil;&atilde;o Judicial do Prazo, estipular um prazo razo&aacute;vel para o cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo inicia-se com a apresenta&ccedil;&atilde;o de um requerimento escrito, no qual se justifica a necessidade de fixa&ccedil;&atilde;o de um prazo e se indica aquele que se considera adequado tendo em conta o prop&oacute;sito a que se destina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida a parte contr&aacute;ria &eacute; citada para responder. Sendo que, por regra, os fundamentos da resposta, quando esta exista, assentam na necessidade de fixa&ccedil;&atilde;o de prazo mais longo do que o indicado pelo requerente. Como abaixo se explicar&aacute; este processo n&atilde;o visa discutir\/apurar a validade da rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica para a qual se pretende fixar um prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na falta de resposta, &eacute; fixado o prazo proposto pelo requerente ou aquele que o juiz considere razo&aacute;vel, havendo resposta, o juiz decide, depois de efetuadas as dilig&ecirc;ncias probat&oacute;rias necess&aacute;rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como j&aacute; se referiu o processo de fixa&ccedil;&atilde;o judicial de prazo n&atilde;o tem como finalidade discutir quest&otilde;es extr&iacute;nsecas ao prazo em si ou quest&otilde;es relacionadas com a validade da rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, n&atilde;o &eacute; esse o prop&oacute;sito deste processo, pelo que se as partes n&atilde;o aceitam por algum motivo a validade ou algum elemento do neg&oacute;cio que celebraram n&atilde;o &eacute; esta a a&ccedil;&atilde;o que o vai resolver. Como tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; o meio pr&oacute;prio para resolver a quest&atilde;o de uma das partes considerar que o prazo fixado para o cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o &eacute; longo de mais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja-se a esse t&iacute;tulo ac&oacute;rd&atilde;o da Rela&ccedil;&atilde;o de Lisboa de 28.09.2023, proc. 2003\/22.5T8SNT.L1-6, in <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 8pt;\">&ldquo;1&ndash; A ac&ccedil;&atilde;o para fixa&ccedil;&atilde;o judicial de prazo tem como escopo a fixa&ccedil;&atilde;o de um prazo adequado e razo&aacute;vel que seja necess&aacute;rio ao cumprimento da presta&ccedil;&atilde;o e, tem lugar quando as partes n&atilde;o fixaram nem est&atilde;o de acordo quanto estabelecimento desse prazo.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 8pt;\">2&ndash; Assim, n&atilde;o cabe no &acirc;mbito deste processo especial, a indaga&ccedil;&atilde;o sobre quest&otilde;es de natureza contenciosa e de fundo, como por exemplo a exist&ecirc;ncia, validade, efic&aacute;cia, incumprimento ou a extin&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica invocada. Por isso e por se tratar de processo especial, de tramita&ccedil;&atilde;o simplificada, n&atilde;o h&aacute; lugar &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncia pr&eacute;via.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 8pt;\">3&ndash; Quer dizer, no processo de fixa&ccedil;&atilde;o judicial de prazo apenas, rectius, somente se julga a adequa&ccedil;&atilde;o do prazo ao direito ou dever, supondo a exist&ecirc;ncia deste. O lit&iacute;gio entre as partes apenas pode dizer respeito ao prazo para cumprimento da presta&ccedil;&atilde;o, pressupondo que essa presta&ccedil;&atilde;o exista.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 8pt;\">4&ndash; Se uma das partes p&otilde;e em causa a exist&ecirc;ncia da obriga&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o, o lit&iacute;gio n&atilde;o diz, apenas, respeito &agrave; diverg&ecirc;ncia sobre o prazo, mas &agrave; pr&oacute;pria obriga&ccedil;&atilde;o e, assim, n&atilde;o pode ter lugar a fixa&ccedil;&atilde;o judicial de prazo, devendo as partes discutir o diferendo entre elas em ac&ccedil;&atilde;o comum.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 8pt;\">5&ndash; Dito de outro modo, perante a diverg&ecirc;ncia entre as partes sobre a exist&ecirc;ncia da obriga&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o pode ter lugar a fixa&ccedil;&atilde;o judicial de prazo e, por isso, a ac&ccedil;&atilde;o especial para esse efeito n&atilde;o pode proceder&rdquo;.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, quando interp&otilde;e a a&ccedil;&atilde;o de Fixa&ccedil;&atilde;o Judicial do Prazo, o requerente n&atilde;o tem de fazer prova da situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica invocada, nem dos seus fundamentos, por&eacute;m, ter&aacute; de justificar, face &agrave; rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de onde emerge a situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica invocada, a necessidade da fixa&ccedil;&atilde;o do prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem-se entendido que o prazo a fixar deve ser razo&aacute;vel, de forma a permitir, sem limita&ccedil;&otilde;es ou onerosidade excessiva, o exerc&iacute;cio da situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica a que respeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipa do  encontra-se ao dispor para prestar qualquer informa&ccedil;&atilde;o adicional sobre esta tem&aacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"class_list":["post-4688","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4688"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4688"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4688"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}