{"id":4732,"date":"2025-01-23T23:00:00","date_gmt":"2025-01-23T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-29T23:00:00","slug":"a-imutabilidade-das-convencoes-antenupciais-e-do-regime-de-bens-legalmente-fixados-em-portugal","status":"publish","type":"publicacion","link":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/publicacion\/a-imutabilidade-das-convencoes-antenupciais-e-do-regime-de-bens-legalmente-fixados-em-portugal\/","title":{"rendered":"A imutabilidade das conven\u00e7\u00f5es antenupciais e do regime de bens legalmente fixados em Portugal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Portugal, o princ&iacute;pio da imutabilidade das conven&ccedil;&otilde;es antenupciais e dos regimes de bens &eacute; uma das normas centrais do direito matrimonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Previsto no artigo 1714&ordm; do C&oacute;digo Civil, ele estabelece que, ap&oacute;s o casamento, as conven&ccedil;&otilde;es que regulam os bens dos c&ocirc;njuges n&atilde;o podem ser alteradas, salvo algumas excep&ccedil;&otilde;es legais especificas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute;, por isso, importante ter especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave; escolha do regime de bens e\/ou elabora&ccedil;&atilde;o de uma conven&ccedil;&atilde;o antenupcial em momento pr&eacute;vio ao casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que s&atilde;o conven&ccedil;&otilde;es antenupciais e regimes de bens?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do casamento, os noivos podem celebrar um acordo chamado conven&ccedil;&atilde;o antenupcial, onde escolhem como os bens ser&atilde;o geridos durante a uni&atilde;o. As op&ccedil;&otilde;es incluem:<\/p>\n<ul style=\"list-style-type: square; text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><strong>Comunh&atilde;o geral de bens:<\/strong> todos os bens, actuais e futuros, tornam-se comuns;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><strong>Comunh&atilde;o de adquiridos:<\/strong> apenas os bens adquiridos ap&oacute;s o casamento s&atilde;o comuns;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><strong>Separa&ccedil;&atilde;o de bens:<\/strong> cada c&ocirc;njuge mant&eacute;m a propriedade exclusiva dos seus bens.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os noivos n&atilde;o fizerem uma conven&ccedil;&atilde;o antenupcial, em Portugal aplica-se automaticamente o regime da comunh&atilde;o de adquiridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O princ&iacute;pio da imutabilidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez celebrado o casamento, a regra geral &eacute; que as decis&otilde;es tomadas na conven&ccedil;&atilde;o antenupcial (ou o regime supletivo escolhido pela lei) n&atilde;o podem ser modificadas. Esse princ&iacute;pio tem como objectivo proteger a estabilidade das rela&ccedil;&otilde;es matrimoniais, evitando altera&ccedil;&otilde;es que possam prejudicar uma das partes ou terceiros, como credores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Excep&ccedil;&otilde;es ao princ&iacute;pio da imutabilidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo 1715&ordm; do C&oacute;digo Civil prev&ecirc; algumas situa&ccedil;&otilde;es em que essa regra pode ser flexibilizada, designadamente, mas n&atilde;o s&oacute;, atrav&eacute;s da:<\/p>\n<ul style=\"list-style-type: square; text-align: justify;\">\n<li style=\"padding-left: 30px;\"><strong>Separa&ccedil;&atilde;o judicial de bens:<\/strong> pode ser decretada judicialmente se existir m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o dos bens comuns ou risco de perda patrimonial (por exemplo, um c&ocirc;njuge que contrai d&iacute;vidas excessivas ou age de forma irrespons&aacute;vel pode colocar o patrim&oacute;nio em perigo). Ap&oacute;s a senten&ccedil;a que decretar a separa&ccedil;&atilde;o judicial de bens se tornar definitiva, o regime matrimonial passa a ser o da separa&ccedil;&atilde;o, procedendo-se &agrave; partilha do patrim&oacute;nio comum como se o casamento tivesse sido dissolvido;<\/li>\n<li style=\"padding-left: 30px;\"><strong>Separa&ccedil;&atilde;o judicial de pessoas e bens:<\/strong> em casos excepcionais, os c&ocirc;njuges podem solicitar ao Tribunal ou, se requerida por ambos e de comum acordo, &agrave; Conservat&oacute;ria do Registo Civil, a altera&ccedil;&atilde;o do regime, desde que demonstrem que isso &eacute; do interesse da fam&iacute;lia e que terceiros (como credores) n&atilde;o ser&atilde;o prejudicados. A separa&ccedil;&atilde;o judicial de pessoas e bens permite que os c&ocirc;njuges mantenham o estado civil de casados, embora possam viver separados, suspendendo-se os efeitos associados &agrave; vida conjugal, como o dever de coabita&ccedil;&atilde;o e de assist&ecirc;ncia. A separa&ccedil;&atilde;o judicial de pessoas e bens termina pela reconcilia&ccedil;&atilde;o dos c&ocirc;njuges ou pela dissolu&ccedil;&atilde;o do casamento. Ap&oacute;s a senten&ccedil;a que decretar a separa&ccedil;&atilde;o judicial de bens se tornar definitiva, o regime matrimonial passa a ser o da separa&ccedil;&atilde;o, procedendo-se &agrave; partilha do patrim&oacute;nio comum como se o casamento tivesse sido dissolvido. Os efeitos patrimoniais retroagem &agrave; data em que a a&ccedil;&atilde;o foi instaurada, salvo disposi&ccedil;&atilde;o em contr&aacute;rio do Tribunal.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diferen&ccedil;as entre Separa&ccedil;&atilde;o e Div&oacute;rcio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a separa&ccedil;&atilde;o judicial de pessoas e bens e o div&oacute;rcio tenham semelhan&ccedil;as, as principais diferen&ccedil;as s&atilde;o:<\/p>\n<ul style=\"list-style-type: square; text-align: justify;\">\n<li style=\"padding-left: 30px;\"><strong>Manuten&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo matrimonial:<\/strong> Na separa&ccedil;&atilde;o, os c&ocirc;njuges continuam casados, enquanto no div&oacute;rcio o v&iacute;nculo &eacute; dissolvido;<\/li>\n<li style=\"padding-left: 30px;\"><strong>Possibilidade de reconcilia&ccedil;&atilde;o:<\/strong> A separa&ccedil;&atilde;o pode ser revertida por acordo dos c&ocirc;njuges, enquanto o div&oacute;rcio &eacute; definitivo.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">A separa&ccedil;&atilde;o judicial de pessoas e bens continua a ser uma ferramenta relevante no direito portugu&ecirc;s, oferecendo uma alternativa para casais que desejam cessar a conviv&ecirc;ncia sem dissolver o casamento. Embora menos utilizada do que o div&oacute;rcio, mant&eacute;m import&acirc;ncia em contextos onde os c&ocirc;njuges t&ecirc;m motivos religiosos, patrimoniais e sociais para preservar o v&iacute;nculo patrimonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da sua rigidez, o princ&iacute;pio da imutabilidade tem sido debatido na doutrina e jurisprud&ecirc;ncia, e alguns pa&iacute;ses europeus j&aacute; flexibilizaram suas regras, permitindo mudan&ccedil;as no regime de bens durante o casamento. Por exemplo, nos Direitos espanhol, italiano, belga, alem&atilde;o e su&iacute;&ccedil;o vigora o sistema da livre mutabilidade, ou seja, a altera&ccedil;&atilde;o do regime de bens na const&acirc;ncia do casamento n&atilde;o carece de um controlo judicial. No entanto, em Portugal, prevalece a vis&atilde;o conservadora, refor&ccedil;ando a estabilidade como prioridade. Ou seja, embora existam excep&ccedil;&otilde;es para situa&ccedil;&otilde;es especiais, a regra &eacute; clara: o que foi decidido antes do casamento deve prevalecer, salvo nos casos autorizados pela lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso &eacute; essencial contar com uma assessoria jur&iacute;dica prestada por advogados experientes em  para assegurar que a lei seja respeitada e que todas as partes tenham os seus direitos protegidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: -90px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":431,"template":"","categories":[],"area-de-practica":[],"publicaciones":[],"idioma-publicacion":[72],"areas-practica-publicacciones":[],"class_list":["post-4732","publicacion","type-publicacion","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","idioma-publicacion-portugues"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion\/4732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicacion"}],"about":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/publicacion"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4732"},{"taxonomy":"area-de-practica","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area-de-practica?post=4732"},{"taxonomy":"publicaciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/publicaciones?post=4732"},{"taxonomy":"idioma-publicacion","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/idioma-publicacion?post=4732"},{"taxonomy":"areas-practica-publicacciones","embeddable":true,"href":"https:\/\/belzuz.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/areas-practica-publicacciones?post=4732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}