A biometria através da lente do RGPD

Os dados biométricos são considerados dados sensíveis. O RGPD define-os como os dados pessoais resultantes de um tratamento técnico específico relativo às características físicas, fisiológicas ou comportamentais de uma pessoa singular que permitam ou confirmem a identificação única dessa pessoa singular.

Convém, pois, perceber que se trata de características físicas ou fisiológicas exclusivas de um determinado ser humano, como são exemplo as impressões digitais, o reconhecimento facial e a íris. Estes dados são cada vez mais utilizados no nosso dia-a-dia, nomeadamente em diversas aplicações, desde sistemas de segurança e controlos de acesso até ao modo de autenticação nos nossos dispositivos eletrónicos, um dos quais, o nosso telemóvel. Isto, devido à capacidade única destes dados em identificar e verificar a identidade de uma pessoa de maneira confiável.

A preocupação surge com o crescente uso destes dados por parte de terceiros, levantando questões significativas em relação à privacidade e à segurança dos dados.

Recentemente e num caso digno de menção na imprensa, uma empresa da área financeira procedia à leitura da íris em troca de cripto moeda. Por estar sob investigação, a Comissão Nacional de Proteção de Dados (“CNPD”), suspendeu a recolha destes dados sendo necessário apurar-se, entre outros, os seguintes aspetos: existência de consentimento explícito, informado, específico e livre por parte dos titulares dos dados em causa; finalidade do tratamento destes dados; período de conservação dos dados e informação aos titulares sobre os seus direitos e modo de exercício dos mesmos; possível transferência de dados não autorizada a terceiros.

É que, sob a lente do RGPD, esta é uma categoria de dados cuja proteção se quer robusta, razão pela qual o processamento de dados biométricos requer o cumprimento de uma série de requisitos, incluindo a necessidade de o responsável pelo tratamento (i) obter o consentimento explícito dos titulares dos dados, (ii) garantir a segurança dos dados através de medidas técnicas e organizacionais adequadas, e (iii) respeitar os princípios de minimização de dados e (iv) a finalidade para a qual foram obtidos/recolhidos.

Em plena era digital, é inegável a importância da proteção dos dados pessoais, principalmente porque se tornaram um recurso presente em diversas das nossas atividades quotidianas.

É importante destacar que a conformidade com as leis e regulamentos de proteção de dados (mecanismos de compliance) não só protege os direitos dos indivíduos, mas também fortalece a confiança dos mesmos nas instituições.

Em última análise, a proteção eficaz dos dados biométricos requer uma abordagem holística que combine tecnologia, conformidade legal e boas práticas de governança de modo a garantir a privacidade e a segurança dos dados pessoais.

Os nossos Clientes estão cientes da importância da proteção de dados e apostam inclusive na informação clara e transparente que disponibilizam aos seus utilizadores nas suas plataformas digitais (websites), além do cumprimento na obtenção do consentimento informado e da formalização dos necessários acordos de subcontratação.

A conta com Advogados experientes no âmbito do que lhe pode prestar assessoria jurídica nesta matéria.

 

Request specialized legal advice

Our team of lawyers analyses your case and provides clear, strategic legal solutions tailored to your situation.

Explain your situation and receive a personalised proposal

Other publications

error: Content is protected !!